Archive for the ‘Política’ Category

Luta de Classes

sexta-feira, outubro 10th, 2008

É preciso explicar essa foto? Mesmo para quem não conheça São Paulo, a cidade, a maior da América Latina, o terceiro maior orçamento do país, fica claro reconhecer quais os bairros ricos e pobres na foto. Nada contra nenhum dos lados. Cada um vota naquele que mais tente a lhe favorecer.

Pobre vota no PT, rico vota no PSDB/PMDB/DEM. No bairro dos Jardins, por exemplo, Marta obteve um percentual de apenas 10%.

È inegável que o Governo do PT (que a imprensa comumente chama de Governo Lula, jamais fala no nome do PT, e tenta sempre mostrar que o sucesso dele baseia-se única e exclusivamente em seu carisma pessoal) produziu avanços no país. Vimos uma esquerda de barba à la Fidel migrar para o Centro. Uma esquerda que aprendeu a respeitar contratos. Uma esquerda que usou daquele velho ditado “se não pode vencê-lo, una-se a eles”.

Historiadores, no futuro, se debrucarão e falarão muito sobre a ascensão do PT no Brasil. E da figura-chave da política brasileira dos últimos 30 anos: Luis Inácio Lula da Silva. Nordestino. Pobre. Sem curso superior. E, de acordo com alguns descerebrados, “nem fala inglês!!!!”.

O que dá para se dizer é que o povo, aquele lá embaixo, que era procurado por candidatos em época de campanha mas depois esquecido como cueca cagada no fundo da máquina de lavar, tornou-se importante no meio político. O PT soube utilizar o poder essa classe, C e D, para chegar ao poder. E, chegando lá, não se esqueceu dela.

Claro, houve equívocos no meio do caminho. Houve o “Mensalão”, por exemplo. Mas, e a “Compra de Votos” para a reeleição do Rei FHC? E o caso “ALSTOM” envolvendo graúdos tucanos? Pque a “grande imprensa” passou batida, principalmente no último caso?

Pque a Polícia Federal era elogiadíssima há 3, 4 anos atrás, pela Revista Veja e outros veículos da imprensa, e, agora, que poderosos são presos e algemados, ela se volta contra? Mudança de opinião?

O país mudou. A distribuição de renda ainda é uma utopia a ser perseguida, mas melhorou. Muitos criticam o excesso de consumismo, a quantidade de carros nas ruas, etc etc etc, mas, quer dizer, só os ricos e classe média podem consumir? Os ditos “pobres” não podem financiar um veículo em 60 meses? A classe média quer as ruas desimpedidas para que apenas ela possa transitar com suas Pajeros?

Enfim, esse é o mapa. A classe lá de baixo quer seu espaço. Ela não quer o dinheiro das classes “de cima” da pirâmide, ela não quer os seus carros, suas casas de praia, coberturas, ela quer apenas a oportunidade de dar uma edudação decente para seus filhos, ela quer segurança, ela quer, em suma, igualdade de condições.

Já li que o filho de um empresário estuda para ser empresário, o filho do dono duma grande empresa estuda para administrar essa empresa. E o filho do pobre estuda para ser torneiro, mecânico, etc (sem desmerecer essas profissões). É um racismo descarado. O pobre pode melhorar de vida, sim, mas que continue em seu lugar de origem, nas suas vilas, que seus filhos não venham frequentar os mesmos shoppings que os meus.

A classe “alta” e a grande mídia sempre dizem que o PT só cresceu pque ganhou voto das classes pouco instruídas. Verdade. Mas de quem era esse voto antigamente? Os partidos de direita ganhavam eleições apenas com o voto dos bairros ricos? Hein? Hein?

O PT apenas escolheu o único caminho que existia: o dos desfavorecidos. Lula ganhou a eleição de 2002, se reelegeu (sem compra de votos) e a grande mídia continua com seu discurso, desprestigiando Lula. Jamais admitem que, mesmo sem ser um “intelectual” como FHC (outra mentira, FHC era apenas um político, apenas isso, tudo o que ele falava qdo presidente e depois baseava-se nisso, ele era um intelectual na década de 70 e olhe lá, alguém sabe dizer o nome de um livro escrito por ele? Que intelectual é esse que ninguém conhece as obras?), Lula possui uma argúcia e um talento que o distinguem dos demais homens.

É, em suma, um predestinado. Possui, sim, um enorme carisma pessoal, poucas vezes visto no Brasil. Mas possui, também, uma preocupação imensa com as classes desfavorecidas.

Enfim, o que Lula pode oferecer para os ricos? Construção de cercas para separá-los dos “pobres malcheirosos”? Tomando um exemplo que um amigo escreveu sobre a eleição de SP:

“Poder-se-ia oferecer aos ricaços fazer em todos os bairros nobres o que Kassab fez na rua Oscar Freire, por exemplo, na qual estão as lojas das grifes famosas, ou seja, gastar alguns milhões para aterrar os fios de eletricidade e de telefonia para deixar as ruas da elite parecidas com as ruas dos países ricos. Mas, com certeza, esse pessoal não iria acreditar que um governo de esquerda faria tal coisa”

Não é esse o eleitor da esquerda-centro. O votos que o PT tenta conquistar é o da periferia. Os aleijados, sistematicamente, durante décadas, séculos, pelo Estado. Aquele que precisa de saneamento básico, postos de saúde, escolas com educação de qualidade, creches, centros esportivos, cinemas (sim, lazer também é algo que os “pobres” querem”).

A luta, na América Latina, é uma luta de classes. Trata-se de uma das regiões mais desiguais do planeta, conforme anos de Ditadura e os preceitos do “livre-mercado” preconizado pela Escola de Chicago, do Sr. Milton Friedman (que, felizmente, já morreu). Em todas as partes dessa região em que políticos de esquerda trataram de investir na conscientização dos pobres, dos excluídos, obtiveram sucesso. Vide Allende no Chile e também o que a direita fez dele e do resto da América Latina em seguida..

Então, é isso. Podem falar mal do Lula, do PT, apelar para o preconceito e a discriminação. Podem dizer que o que Lula está colhendo é apenas o que o FHC plantou. Podem. Sempre haverá ignorantes para acreditar nisso.

Agora, deixo apenas uma pergunta: Se o governo atual fosse Tucano, o Brasil estaria na mesma situação que se encontra hoje? Os Bancos Públicos (BB e CEF) continuariam públicos? A disseminação do crédito - permitindo a milhões de brasileiros realizar seus sonhos de consumo - seria uma realidade? A Polícia Federal prenderia Daniel Dantas? Teríamos pago nossa dívida externa, ou continuaríamos pedindo empréstimos vinculados - são condições do FMI para emprestar  - a corte nos gastos sociais, privatizações e desregulamentação dos mercados?

1984 (Nineteen Eighty-Four) - de George Orwell

sexta-feira, outubro 3rd, 2008

“Guerra é paz,
Liberdade é escravidão,
Ignorância é força.”

1984 (título original Nineteen Eighty-Four) é o título de um romance escrito por Eric Arthur Blair sob o pseudônimo de George Orwell e publicado em 8 de Junho de 1949 que retrata o cotidiano numa sociedade totalitária. O título vem da inversão do dois últimos dígitos do ano em que o livro foi escrito, 1948.

O romance é considerado uma das mais citadas distopias literárias, junto com Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo, Laranja Mecânica e Nós. Nele é retratada uma sociedade onde o Estado é onipresente, com a capacidade de alterar a história e o idioma, de oprimir e torturar o povo e de travar uma guerra sem fim, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada.

1984 - George Orwell
1984 - George Orwell

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O resgate de todos os resgates: golpe de Estado cleptocrata nos EUA

quinta-feira, outubro 2nd, 2008

De: Site Carta Maior

O governo dos EUA mudou radicalmente o caráter do capitalismo norte-americano. Trata-se, nem mais nem menos, de um “golpe de Estado” a favor da classe que Franklin Delano Roosevelt chamava de “bancgsters”. O que aconteceu nas últimas semanas pode alterar o curso do século que começa de maneira irreversível. Estamos diante da maior e mais desigual transferência de riqueza desde que se presentearam terras aos barões das ferrovias na era da Guerra Civil. A análise é de Michael Hudson.

Que duas semanas! No domingo, 7 de setembro, o Tesouro assumiu o controle dos 5,3 bilhões de dólares expostos ao risco hipotecário das empresas Fannie Mae e Freddie Mac, cujos chefes já tinham sido destituídos por fraude contábil. No dia 15 de setembro, Lehman Brothers declarou-se em bancarrota quando possíveis compradores de Wall Street não conseguiram encontrar rastro algum de realidade em sua contabilidade financeira. Dois dias depois, o Federal Reserve concordou em aprovar, a um custo de pelo menos 85 bilhões de dólares, os lucros “assegurados” que a AIG devia a instituições financeiras que, por meio do comércio de valores nas bolsas, apostaram em hipotecas podres e contrataram seguros de cobertura com essa empresa seguradora, o American International Group (cujo chefe, Maurice Greenberg, havia sido destituído poucos anos antes por fraude contábil).

19 de setembro: o momento de inflexão
Mas é o dia 19 de setembro que figurará na história dos EUA como o momento de inflexão. A Casa Branca comprometeu ao menos 500 bilhões de dólares no esforço de aumentar os preços imobiliários a fim de sustentar o valor de mercado das hipotecas podres (hipotecas contratadas sem levar em conta a capacidade dos devedores para pagar e que, além disso, superestimam o preço corrente de mercado que se oferece como garantia da dívida).

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