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Rock Progressivo - Um gosto pessoal / definição

domingo, setembro 28th, 2008

Desde 1994, sou um apreciador do bom e velho Rock Progressivo. O lugar onde eu morava, somado às condições financeiras de minha família, não permitiram que eu conhecesse o rock inglês mais cedo, tipo, comprar discos de vinil, essas coisas.

Meu gosto musical inicial era na base de Raul Seixas, Nirvana, Metallica e Guns N´Roses. Rádio, ouvia pouco. Pois a música brasileira não me interessava - com a exceção de grandes bandas como Engenheiros do Hawaii, Garotos da Rua, Cascaveletes, Blitz (sim, eu gostava e ainda gosto muito do som deles), Legião Urbana e, principalmente, Ultraje a Rigor.

Acho que foi lá por 1994, quando uma conhecida abriu - com o dinheiro dos pais - uma locadora de cd´s. Na época, eu não tinha aparelho. Portanto, gravava os cd´s em k7 para ouvir em casa. Se fazia isso muito naquela época. E o disco que ficou gravado na minha mente era um que tinha uma coruja na capa. Ainda lembro exatamente quando vi aquele cd e perguntei pro cara que atendia, que depois de tornou um grande amigo, o Cláudio, atualmente residindo em Joinville (e cônsul do glorioso Sport Club Internacional), que banda era aquela.

Claro, o disco da coruja era o Fly By Night, do Rush. Lembro que ele me disse “Ah, não acredito que tu não conhece o Rush?”

Não conhecia. Ele me gravou a fita e eu quase gastei de tanto ouvir. Depois fiquei sabendo que a música tema do MaCgyver (profissão perigo - um seriado dos anos 80, o melhor de todos os tempos), também era deles: Tom Sawyer.

E, foi ali que comecei a procurar mais sobre o Rush. Depois, com o advento da Internet, eu já morando em Porto Alegre, ficou mais fácil de pesquisar sobre essas bandas. A seguinte foi o Emerson, Lake & Palmer. Já tinha aparelho que tocasse CD, e comprei o “Best Of Elp”.

Antes, uma estoria engraçada. Quando eu ainda não tinha como tocar CD, teve um amigo secreto na empresa onde trabalhava. E tinha um mural onde dava para colocar sugestões. E coloquei: qualquer um do Rush, exceto o Fly By Night. Pois esse eu já tinha ouvido, e queria ouvir os demais. Pois bem, o colega que me tirou no amigo secreto, o Luciano, era Engenheiro de Obras. E, coincidentemente, estava viajando a trabalho para os Eua. E ele me trouxe simplesmente o Moving Pictures. Que depois vim a saber que era o melhor do Rush (conforme a maioria popular, mas eu considero Permanent Waves e Signals os melhores).

Bom, retomando, Rush, depois ELP. Mais tarde vieram Yes, Genesis, Marillion, Supertramp - que eu já ouvia muito na rádio. Aliás, era a única banda de RP que tocava na rádio. Com exceção de uma música que até hoje toca na Rádio Gaúcha, que recentemente descobri ser uma do Triumvirat, “History of Mistery” (será que o grupo RBS paga royalties pro Triumvirat???). A música do Supertramp era a famosa “Logical Song”.

Buenas, depois de ler sobre várias bandas, me senti atraída por uma apenas pelos artigos de um fã: Van der Graaf Generator. Lembro que o nome do fã era Lucas e ele tinha um site com resenhas de álbuns. Simplesmente esqueci o sobrenome dele. E acho que o site não existe mais. Era na época do Geocities. Mas a partir dali fui atrás e descobri o “Pawn Hearts” do VDGG. E ainda considero essa a obra máxima do RP.

O resto é história. Com o advento da Internet, até hoje descubro “bandas novas”. Isto é, bandas do final dos 60 e da década de 70, muitas vezes lançando um disco apenas e desaparecendo. Bandas da Itália, Alemanha, Suécia, Austrália, África do Sul, etc etc etc.Podem falar o que quiser da pirataria, mas agradeço a vários amantes do RP que possuem blogs e procuram apresentar essas obras do passado para quem ainda não as conhece. De outra maneira, não haveria como conhecer essas bandas. E, francamente, uma banda que encerrou as atividades há mais de 30 anos, geralmente de um disco só, é quase um favor disponibilizarem o disco deles para os interessados.

Enfim, hoje já conheço “algumas” bandas de RP. Me considero um profundo conhecedor, já que passei por quase todo o grande RP Inglês, vasculhei o Alemão, o Italiano, e o de outros países.

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Rock progressivo (também abreviado por prog rock ou prog) é um ambicioso, eclético e muitas vezes grandioso estilo de música de rock que apareceu no fim da década de 1960, principalmente na Inglaterra, atingindo o pico da sua popularidade no princípio da década de 1970, porém ainda hoje conquista inúmeros novos ouvintes. O rock progressivo foi um movimento principalmente europeu que bebeu as suas principais influências na música clássica e no jazz fusion, em contraste com o rock estadunidense historicamente influenciado pelo rhythm and blues e pela música country. Ao longo dos anos apareceram muitos sub-géneros deste estilo tais como o rock sinfônico, o space rock, o krautrock, o R.I.O e o metal progressivo. Praticamente todos os países desenvolveram músicos ou agrupamentos musicais voltados a esse gênero e uma boa dose de músicas típicas regionalmente também se inseriu no estilo.

Seus fãs admiram o estilo pela sua complexidade, que requer um alto grau de virtuosismo e entendimento musical teórico por parte dos intérpretes. A crítica muitas vezes (amplamente após o surgimento do punk rock) troça do género por ser demasiado pomposo e complacente. Isto deve-se ao fato de que ao contrário de outros estilos musicais consistentes como a música country ou o hip hop, o rock progressivo é difícil de definir de um modo conclusivo. Robert Fripp líder da banda King Crimson chegou a mostrar de viva voz o seu desdém pelo termo.

As principais características do rock progressivo incluem:

- Elementos essenciais

* Composições longas, por vezes atingindo os 20 minutos (ou até mesmo durando o tempo de um álbum inteiro, como é o caso do Thick as a Brick, da banda Jethro Tull), com melodias complexas e harmonias que requerem uma audição aguçada para que se possa compreendê-las. Estas são muitas vezes chamadas de épicos e são a melhor aproximação do género à música clássica. Um bom exemplo dos primeiros foi a peça de 23 minutos “Echoes” dos Pink Floyd, ou “Atom Heart Mother”. Outros exemplos famosos são: “Close to the Edge” dos Yes com 18 minutos, “2112″ e “Hemispheres” do Rush com 20 e 18 minutos, respectivamente. “A Change Of Seasons”, com 23 minutos e “Six Degrees of Inner Turbulence”, com 42 minutos (dividida em 8 sessões, tambem chamados “Atos”), “Octavarium”, com 23 minutos, todas do Dream Theater e “Supper’s Ready” dos Genesis com 23 minutos, além do álbum de uma só música, do Jethro Tull, Thick as a brick, “Eruption” Focus com 23 minutos e Emerson, Lake & Palmer, com as peças “Tarkus” e “Karn Evil 9″. No Brasil temos “1974″ do e “Amanhecer Total” do O Terço com 13 minutos e 19 minutos respectivamente, “Eyes of time” do Arion com 14 minutos, “Luares” do Palma com 15 minutos e “Hey Joe” dos Mutantes com 12 minutos.

Mais recentemente encontram-se exemplos extremos: “Light of Day, Day of Darkness” dos Green Carnation com 60 minutos e “Garden of Dreams” dos The Flower Kings com 64 minutos, embora dividido em 18 secções.

* Letras complexas e que expressam por narrativas impenetráveis tocando temas como a ficção científica, a fantasia, a religião, a guerra, o amor, a loucura e a história. Para além disso e reportando aos anos 1970 muitas bandas progressivas (principalmente alemãs) usavam letras com cariz político (de esquerda) e preocupações sociais. Apesar de estas características poderem ser bastante comuns em muitas bandas deste estilo, o factor “letras” não pode ser utilizado para definir o rock progressivo. Muitas das grandes músicas no rock progressivo são instrumentais.

* Álbuns conceptuais, nos quais o tema ou história é explorado ao longo de todo o álbum, tornando-se um conceptual do estilo ópera rock se seguir uma história. Na época dos discos de vinil, normalmente eram usados álbuns duplos com capas com gráficos bastante sugestivos e muito completas. Exemplos famosos disso incluem: The Lamb Lies Down on Broadway dos Genesis, 2112 e Hemispheres do Rush,Tales From Topographic Oceans dos Yes, Dark side of the Moon e The wall dos Pink Floyd, e mais recentemente Metropolis, Pt. 2: Scenes From A Memory dos Dream Theater, Bigorna do Cartoon (banda) ou Snow dos Spock’s Beard.

* Vocalizações pouco usuais e uso de harmonias vocais múltiplas: Magma, Robert Wyatt e Gentle Giant.

* Uso proeminente de instrumentos eletrônicos, particularmente de teclados como órgão Hammond, piano, mellotron, sintetizadores Moog (moog modular e minimoog) e sintetizadores ARP, em adição à combinação usual do rock de guitarra, baixo e bateria. Além disso, instrumentos pouco ligados à estética rock, como a flauta (o mais utilizado destes), o violoncelo, bandolim, trompete e corne inglês. A busca de novos timbres e novos padrões sonoros, conseguidos naturalmente através desses instrumentos ou tratados em estúdios, também sempre foi uma obsessão de seus músicos e admiradores, ávidos por atingirem (e arrombarem) as portas da percepção sonora.

* O uso de síncope, compasso composto, escalas musicais e modos complexos. Algumas peças usam múltiplos andamentos e tempos muitas vezes sobrepostos. O início de Close To The Edge dos YES é um exemplo claro de polirritmia. A banda King Crimson combina muitas vezes muitos deste elementos na mesma música. Muitas das músicas do Rush são em parte ou completamente na métrica de 7/8. “Dance of eternity” do Dream Theater, tem mudanças de compasso numa sequência de 5/8-5/8-7/8-5/8-7/8-5/8-5/8-7/8.

* Enormes solos de praticamente todos os instrumentos, expressamente para demonstrar o virtuosismo e feeling dos músicos, sendo esta o tipo de actuação que contribuiu para a fama de intérpretes como os tecladistas Rick Wakeman e Keith Emerson, os bateristas Neil Peart, Mike Portnoy e Carl Palmer, guitarristas como David Gilmour, John Petrucci e Steve Howe e baixistas como Chris Squire e Geddy Lee.

* Inclusão de peças clássicas nos álbuns. O Yes, por exemplo, começavam os seus concertos com um sampler de “Firebird suite” de Igor Stravinsky e o Emerson Lake & Palmer tocava arranjos de peças de Aaron Copland, Bela Bartok, Modest Mussorgsky, Sergei Prokofiev, Leoš Janáček e Alberto Ginastera, e muitas vezes misturavam partes extensas de peças de Johann Sebastian Bach. A bandaMarillion começou concertos com “La Gazza Ladra” de Gioacchino Rossini e deram esse nome ao seu terceiro álbum ao vivo. Symphony X inspirou-se em e incluíram peças de Ludwig van Beethoven, Gustav Holst e Wolfgang Amadeus Mozart. Emerson Lake & Palmer chegaram ao ponto de tocar apenas clássicos. Pictures at an exibition, do grupo Emerson, Lake & Palmer é o melhor exemplo disso, sendo uma peça de Mussorgsky à qual foi dada um arranjo rock, e acrescentadas letras e músicas compostas pelos intérpretes.

Outros exemplos são “The Barbarian” (um arranjo para piano da peça “Allegro Bárbaro” de Bela Bartok e “Knife edge” (um arranjo com letra da “Sinfonietta” de Leos Janacek em conjunto com “French suite em Ré menor de Bach. Os grupos Renaissance, OMEGA e diversas outras bandas costumavam inserir trechos de peças barrocas como a “Toccata e Fuga em Ré menor BWV 565″ de Bach.

Modelos de composição

As composições do rock progressivo muitas vezes seguem estes modelos de “suite”:

* A forma de uma peça que é sub-dividida em várias à maneira da música erudita. Um bom exemplo disso é “Close to the edge” e “And You And I” do Yes no álbum Close to the Edge, que são divididas em quatro partes, ou “Shine on You Crazy Diamond” do Pink Floyd dividida em nove partes,”2112″ do Rush dividida em oito partes,ou até mesmo a instrumental “La villa Strangiato” dividida em onze partes. Outros exemplos mais recentes do metal progressivo são “A Change of Seasons” (do álbum homônimo) e “Octavarium” (do álbum homônimo) do Dream Theater, que é dividida em sete e cinco partes respectivamente e “Through the Looking Glass” (três partes), “The Divine Wings of Tragedy” (sete partes) e “The Odyssey” (sete partes) do Symphony X.

* Composição feita de várias peças, estilo “manta de retalhos”. Bons exemplo são: “Supper’s ready” do Genesis no álbum Foxtrot e o álbum Thick as a Brick do Jethro Tull.

* Uma peça que permite o desenvolvimento musical em progressões ou variações à maneira de um bolero. “Abbadon’s Bolero” do trio Emerson, Lake & Palmer, “King Kong” do álbum Uncle meat de Frank Zappa é um bom exemplo.

História

Anos 1960: os precursores

O rock progressivo nasceu de uma variedade de influências musicais do final da década de 1960, particulamente no Reino Unido. Entre outros desenvolvimentos, os Beatles e outras bandas de rock psicodélico começaram a combinar o rock and roll tradicional com instrumentos da música clássica e ocidental. Os primeiros trabalhos de Pink Floyd e Frank Zappa já mostravam certos elementos do estilo. A composição “Beck’s Bolero”, de Jeff Beck e Jimmy Page em 1966, é um retrabalho de “Bolero” do compositor francês Maurice Ravel. A cena psicodélica continuou o constante experimentalismo, começando peças bastante longas, apesar de geralmente sem tanto tratamento quanto à estrutura da obra (como por exemplo em “In-A-Gadda-Da-Vida” de Iron Butterfly).

Pioneiros alemães da música eletrônica como Tangerine Dream introduziram o uso de sintetizadores e outros efeitos em suas composições, geralmente em álbuns puramente instrumentais. Em meados da década de 1960 o The Who também lançou álbuns conceituais e opera rocks, apesar de ser baseado principalmente na improvisação do blues, assim como feito por outras bandas contemporâneas tais como Cream e Led Zeppelin.

Anos 1970: nascimento, auge e queda

Bandas tidas como referência do rock progressivo incluem The Nice e Soft Machine, e apesar das origens terem sido formadas em meados da década de 1960 foi somente em 1969 que a cena estaria se formando concretamente, como evidenciado pela aparição de King Crimson em fevereiro desse mesmo ano. A banda foi seguida rapidamente de outras bandas do Reino Unido incluindo Yes, Genesis, Pink Floyd, Emerson Lake and Palmer e Jethro Tull. Exceto pelo ELP, tais bandas começaram suas carreiras antes do King Crimson, mas mudaram o curso de sua música consideravelmente após o lançamento do álbum In the Court of the Crimson King. A mudança do som do Pink Floyd também foi reflexo da saída de Syd Barrett, o maior compositor da banda entre 1965 e 1967.

O rock progressivo ganhou seu momento quando os fãs de rock estavam em desilusão com o movimento hippie, movendo-se da música popular sorridente da década de 1960 para temas mais complexos e obscuros, motivando a reflexão. O álbum Trespass do Genesis inclui a canção “The Knife”, que retrata um demagogo violento, e “Stagnation”, que retrata um sobrevivente de um ataque nuclear. O Van der Graaf Generator também abordava temas existenciais que relacionavam-se como o niilismo.

O estilo foi especialmente popular na Europa e em partes da América Latina. Várias bandas fora do Reino Unido que seguiram a trajetória dos britânicos foram o Premiata Forneria Marconi, Area, Banco del Mutuo Soccorso e Le Orme da Itália, além de Ange e Magma da França. A cena italiana foi posteriormente categorizada como rock sinfônico italiano. A Alemanha também produziu uma cena progressiva significante, geralmente referida como Krautrock. Os Tantra e José Cid, cujo disco 10.000 anos depois entre Vénus e Marte é considerado um dos melhores de rock progressivo, protagonizaram o género em Portugal. No Brasil, Os Mutantes combinaram elementos da música brasileira, rock psicodélico e outros sons experimentais para criar um som nada ortodoxo, com letras inspiradas pela fantasia, literatura e história.

Um grande elemento de vanguarda e contra-cultura é associado com o rock progressivo. durante a década de 1970 Chris Cutler do Henry Cow ajudou a formar um grupo de artistas referidos como Rock in Opposition, cuja proposta era essencialmente criar um movimento contra a atual indústria da música. Os membros originais incluiam diversos grupos tais como Henry Cow, Samla Mammas Manna, Univers Zéro, Etron Fou Leloublan, Stormy Six, Art Zoyd, Art Bears e Aqsak Maboul.

Fãs e especialistas possuem maneiras divergentes de categorizar as diversas ramificações do rock progressivo na década de 1970. A Cena Canterbury pode ser considerada um sub-gênero do rock progressivo, apesar de ser muito mais direcionado ao jazz fusion. Outras bandas tomaram uma direção mais comercial, incluindo Renaissance, Queen e Electric Light Orchestra, e são algumas vezes categorizadas como rock progressivo. Através do tempo, bandas como Led Zeppelin e Supertramp também incorporaram elementos não usuais em seu som tais como quebras de tempo e longas composições.

A popularidade do gênero atingiu seu auge em meados da década de 1970, quando os artistas regularmente atingiam o topo das paradas na Inglaterra e Estados Unidos. Nessa época começaram então a surgir bandas estadunidenses como Kansas e Styx, que apesar de existirem desde o começo dos anos 70, tornaram-se sucesso comercial após o vinda do rock progressivo às Américas. A banda de Toronto, Rush, também foi muito bem sucedida fazendo um hard rock com influências progressivas, com uma seqüência de álbuns de sucesso desde meados da década de 1970 até atualmente.

Com o advento do punk rock no final da década de 1970 as opiniões da crítica na Inglaterra voltaram-se ao estilo mais simples e agressivo de rock, com as bandas progressivas sendo consideradas pretensiosas e exageradas em demasiado, terminado com o reinado de um dos estilos mais liderantes do rock.[1][2] Tal desenvolvimento é visto freqüentemente como parte de uma mudança geral na música popular, assim como o funk e soul foram subsituídos pela música disco e o jazz ameno ganhou popularidade sobre o jazz fusion. Apesar disso, algumas bandas estabelecidas ainda possuíam ampla base de fãs, como Rush, Genesis, Yes e Pink Floyd, e continuaram regularmente no topo de paradas e realizando grandes turnês. Em torno de 1979, é geralmente considerado que o punk rock evoluiu para o New Wave, e na mesma época o Pink Floyd lançou The Wall, um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos.

Anos 1980: o rock neoprogressivo

Os princípios dos anos 1980 assistiram ao revivalismo do género, através de bandas como os Marillion, IQ, Pendragon e Pallas. Os grupos que apareceram nesta altura são por vezes chamados de “neoprogressivos”. Foram amplamente inspirados pelo rock progressivo, mas também incorporaram fortemente elementos do new wave. É caracterizado pela música dinânica, com grande presença de solos tanto de guitarra quanto de teclado. Por esta altura alguns dos grupos leais ao rock progressivo mudaram a sua direcção musical, simplificando as suas composições e incluindo mais abertamente elementos electrónicos. Em 1983 os Genesis alcançam um grande êxito internacional com o single “Mama”, que tinha um forte ênfase na bateria eletrônica. Esta canção foi gravada em um álbum que também celebrizou o clássico “Home by the Sea”, que apresentava uma versão com letra e outra instrumental. Em 1984, o Yes alcança um grande êxito com o álbum 90125 e seu hit “Owner Of A Lonely Heart”, que continha (para aquela época) efeitos eletrônicos modernos e era acessível a ser tocada em discotecas e danceterias.

Anos 1990: third wave e metal progressivo

Nos anos 1990 outras bandas começaram a reviver o estilo com a chamada third wave, composta por bandas como os suecos The Flower Kings, os ingleses Porcupine Tree, os escandinávo e os americanos Spock’s Beard e Echolyn, que incorporaram o rock progressivo no seu estilo único e eclético. apesar de não soar igual, tais bandas estão muito relacionadas com os artistas da década de 1970, considerados por alguns inclusive uma fase retrô do estilo.

Na mesma época houve o surgimento do metal progressivo, um estilo comercialmente bem sucedido que também derivou vários elementos do rock progressivo, incorporando também elementos do heavy metal. Isso trouxe para o estilo uma maior técnica, fruto de uma aprendizagem acadêmica, capacitando-as a explorar músicas longas e álbuns conceituais. Bandas do estilo incluem Tool, Dream Theater (Estados Unidos), Ayreon (Países Baixos), Queensrÿche (Estados Unidos), Opeth (Suécia), Symphony X, Pain Of Salvation, Fates Warning, Ark e A.C.T (Suécia). Bandas da década de 1970 frequentemente citadas como referência para o metal progressivo coincidem com as mais bem sucedidas, tais como Yes, Rush, Pink Floyd e Genesis.

No trabalho de grupos contemporâneos como os Radiohead e bandas post rock como Sigur Rós e Godspeed You! Black Emperor, estão presentes alguns dos elementos experimentais do rock progressivo.

The Who - Entrevista com Keith Moon

domingo, abril 27th, 2008

FONTE: http://letsseeaction.blogspot.com/2007/12/entrevista-2-edio.html

ORIGINAL (em inglês): http://www.rollingstone.com/artists/ke…moon_bites_back

Uma entrevista longa e reveladora - e muito rara, das poucas vezes em que Keith Moon estava sério.

Rolling Stone - 21/12/1972

Keith Moon contra-ataca

Uma entrevista de multidecibéis com o selvagem do Who

por Jerry Hopkins

tradução por Vinícius Mattoso

É PROVAVELMENTE CONVENIENTE QUE KEITH Moon toque o instrumento mais agressivo, a bateria, num dos grupos mais explosivos, o Who, pois Moon parece visivelmente mais ultrajante e violento do que a maioria de seus contemporâneos. Em seu rastro por um período de dez anos, mais de um terço de sua vida, ele deixou uma trilha de garrafas vazias de Courvoisier, kits de bateria desmembrados, automóveis arruinados e quartos de hotel destruídos, pontuando cada incidente com um uivo de completo prazer e alegria.
Existem incontáveis “Histórias de Keith Moon” circulando por aí, e Keith relembra várias delas nesta entrevista. Infelizmente, muito se perde ao transpormos Moon para o papel. Seus gestos enérgicos em torno da sala, suas várias imitações vocais e sotaques, a agitação, o rosto faltando um dente, a cantoria e as danças, os contagiantes ataques de riso, tudo tem de ser experimentado. Assim como sua moderna casa de 150,000 dólares situada no terreno de um antigo mosteiro a uma hora de Londres, em seu verde e valorizado cinturão suburbano. As paredes do bar foram pintadas com um tema de heróis e vilões da Marvel Comics, e o teto, suspenso como a tenda de um sultão.

A sala é um grandioso e ricamente estofado “poço de bate-papo”, com uma televisão em cores e uma lareira impecavelmente limpa que nunca foi usada. Quase não há móveis na casa. Mas vemos um albatroz empalhado, um tapete de urso polar, diversos rifles, um velho jukebox e um sistema de som capaz de mandar música em multidecibéis para distâncias que vão muito além de sua propriedade de sete acres.
De fora, sua casa se parece uma coleção de pirâmides alinhadas, pintadas num branco reluzente. De um lado está uma árvore tão larga que teve de ser baixada por dois helicópteros. Do outro, operários atualmente escavam uma piscina que será azulejada com mármore e oferecerá ao mergulhador ocasional as últimas melodias de sucesso. Quando eu cheguei a governanta da casa, sogra de Moon, estava na Espanha a passeio.

Seu cabeludo mecânico e motorista, Dougal, estava trabalhando no motor de um Chrysler 1936, estacionado entre o Jaguar XKE e a Ferrari Dino. Sua esposa, Kim, e sua filha, Mandy, de 6 anos de idade, não estavam em casa. E o lorde do feudo estava caminhando com um rifle, atirando a esmo nos galhos altos de um castanheiro.

Como você entrou para o The Who?

Primeiro eles se chamavam Detours, depois Who, depois High Numbers, depois Who novamente. Eu entrei na segunda fase, quando eles estavam mudando de Detours para Who. Eu estava em outro grupo ao mesmo tempo chamado Beachcombers.

Esse nome significa que eles tocavam surf music?

Passou a significar quando eu entrei, é. AH-HAHAHA!

Você já surfou?

Uma vez, e quase me matei. Estávamos no Havaí, e eu disse, preciso surfar. Jesus, eu passei anos comprando discos de surf music, sabe, eu tinha que tentar. Então eu aluguei uma prancha e entrei na água com todos aqueles caras. Remei até um ponto bom e de repente apareceu aquela onda enorme. Eu perguntei a um dos caras, “O que que eu faço?” E ele respondeu [Moon começa a falar com um sotaque de americano], “Bem, certo, velho, tudo que você tem que fazer quando ver a onda chegando, ela acerta, cara, ela acerta, e você vai querer viajar relativamente na mesma velocidade, então você rema.” Perfeitamente lógico. Eu disse, ótimo. Então aquele muro sólido de água apareceu. De repente aquela maldita coisa me acerta bem no traseiro, e eu passei a nadar de duas milhas por hora para duas centenas! Lá estava eu me segurando nas beiradas da porra da prancha, veja bem, e eu ouço: “Fica em pé, cara!” Ficar em pé? Então eu me levantei e olhei pra cima e tinha água pra tudo que é lado em volta de mim, eu estava num grande funil, uma espécie de tubo gigante de água. Daí eu vi o recife de corais se aproximando. Eu fiquei de pé por apenas alguns segundos, mas pareceu como uma vida inteira aquela porra. Eu caí, a onda bateu no recife, a prancha virou ao contrário e foi jogada no ar pela água. Eu submergi, balancei minha cabeça e relaxei. Quando eu olho pra cima vejo a maldita prancha vindo direto pra minha cabeça. Eu mergulhei e ela ssssshhwwwoooom! Eu tenho uma falha no cabelo até hoje onde aquilo acertou meu crânio. AH-HA-HAHA-HA-ha-ha-ha! Jan e Dean nunca contaram que seria assim. Certamente que não!

Então o Beachcombers era uma banda de surf music, mais ou menos?

Mais ou menos. Baseava-se mais nos vocais do que nos instrumentos. E como eu sou um cantor horrível . . . quer dizer, os caras não me deixavam cantar. Eu não os culpo. Eu às vezes me distraía e entrava na onda, e eles tinham que cair em mim: “Moon . . . fora!” Digo, eu inclusive sou expulso do palco durante “Behind Blue Eyes”, só em caso de eu me distrair. É o único número do Who que realmente necessita de harmonias precisas. O resto é tudo: “YEEEAAAAHHHH-Magic-bus!” Nós gritamos. Não tem problema. Então eles me expulsam durante “Blue Eyes” porque ou eu estou tocando e atrapalho os rapazes, ou eu tento cantar e realmente os atrapalho.De qualquer maneira, eu decidi que meu talento como baterista estava sendo desperdiçado em um grupo harmônico fraquinho como o Beachcombers, e a única banda que eu conheci que soava tão barulhenta quanto eu era o Detours. Então quando eu fiquei sabendo que o baterista deles tinha saído, comecei a pensar num plano para me infiltrar no grupo. Eles iam tocar num pub perto da minha casa, o Oldfield. Eu fui até lá, e eles estavam com um baterista de sessão. Eu subi no palco e disse, “Olha, eu posso fazer melhor do que ele”. Eles disseram, vai em frente, e eu sentei na bateria do outro cara e toquei uma canção — “Road Runner”. Eu tinha bebido vários drinks pra tomar coragem, e quando eu subi no palco entrei arrrrrggGHHHHHHH na bateria, quebrei o pedal do bumbo e arrebentei duas peles e caí fora. Eu achei que minha chance já era, fiquei com o maior medo. Posteriormente eu estava sentado no bar, e Pete apareceu. Ele falou, “Você . . . chegaí”. Eu disse, tão gentil quanto possível: “Sim sim?”. E Roger, que era o líder então, perguntou, “O que você vai fazer segunda-feira que vem?”. Eu respondi, “Nada”. Eu trabalhava durante o dia, vendendo emplastro. Ele disse, “Você vai ter que largar o emprego”. E eu, “Tudo bem, eu largo o emprego”. Roger disse, “Temos um show na segunda. Se quiser, te buscamos de van”. Eu respondi, “Certo”. Eles disseram que chegariam às sete. E foi isso. Ninguém jamais disse, “Você está dentro”. Eles simplesmente perguntaram, “O que você vai fazer segunda-feira?”.

Vocês estavam sendo empresariados por Kit Lambert e Chris Stamp nessa época?

Não, estávamos com um homem que fabricava maçanetas — jovens, inocentes garotos que éramos. As sugestões daquele homem eram as únicas que tínhamos, exceto as da platéia. Realmente não tínhamos fé em nós mesmos então. Depois, quando começamos a nos firmar, as sugestões dele começaram a parecer ridículas, então decidimos nos livrar dele, e Kit Lambert apareceu para nos ver tocar no Railway ‘Otel em ‘Arrow. Tivemos um encontro. Não fomos um com a fuça dos outros no começo, pra falar a verdade. Kit e Chris. Eles apareceram juntos. E eles eram . . . são . . . tão incongruentes como uma equipe quanto nós. Você tem Chris de um lado [começa a falar num sotaque ininteligível do oeste de Londres]: “Ah falou, que se dane, só, só, soca ele na cabeça, chuta ele nas bolas e no resto tudo”. E Kit dizia [mudando para um tom formal], “Bem, eu não concordo, Chris; o problema é que. . . a coisa toda precisa ser analisada em cada mínimo detalhe”. Aquelas pessoas eram perfeitas para nós, porque tinha eu, irrequieto, chapado de bolinhas, chapado de qualquer coisa que eu pudesse botar as mãos . . . e tinha Pete, muito sério, nunca ria, sempre tranqüilo, um maconheiro. Eu estava funcionando numa velocidade dez vezes superior do que Pete. E Kit e Chris eram como o epíteto do que éramos. Quando vocês assinaram com eles, a imagem Mod foi. . .. . . forçada em nós. Era muito desonesta. A coisa mod foi idéia do Kit. Fomos todos mandados para um cabeleireiro, Robert James, um rapaz absolutamente simpático. Depois fomos mandados para Carnaby Street com mais dinheiro no bolso do que havíamos visto em nossas vidas, tipo umas cem libras. Essa era a Londres do agito. A maioria de nosso público era mod, chapado de bolinha como nós, veja você. Não estávamos nessa de roupas; nosso negócio era música. Kit achou que deveríamos nos identificar mais com nosso público. Casacos ajustados cinco polegadas nas laterais. Quatro não era o bastante. Seis era demais. Cinco era perfeito. As calças ficavam três polegadas abaixo da cintura. Era nosso uniforme.

Seu lema na época era “maximum R&B”. O que isso queria dizer?

Tocávamos bastante Bo Diddley, Chuck Berry, Elmore James, B.B. King, e eles eram R&B ao máximo. Não havia definição melhor. A maioria das canções que tocávamos eram deles. Pete só entrou em sua veia de compositor depois de “Can’t Explain”. Obviamente qualquer canção que tocávamos ficava diferente, não tentávamos copiar direto do disco. A gente a “Whozava”, então o resultado era obra do Who, não uma cópia.

Como “Summertime Blues”.

Exatamente. Esta é uma música que foi “Whozada”.

Como surgiu o efeito de gagueira em “My Generation”?

Pete escreveu a letra e a entregou para Roger no estúdio. Ele não havia lido antes, não estava familiarizado com os versos, então quando ele leu aquilo pela primeira vez, gaguejou. Kit estava nos produzindo na época, e quando Roger gaguejou, Kit disse, “Vamos manter assim; mantenha o gaguejar”. Quando percebemos o que havia acontecido, isso nos embasbacou por completo. E aconteceu simplesmente porque Roger não conseguia ler os versos.

A primeira turnê norte-americana. Você se lembra dela com ternura?

Pra mim foi uma turnê de descobertas. Foram três meses com o ‘Erman’s ‘Ermits. Abrir para o ‘Ermits era perfeito. Era uma posição vantajosa para nós. Não estávamos na linha de frente. Se o lugar vendesse apenas uma porção mínima do que poderia ter vendido, a culpa nunca era nossa, era do ‘Erman ‘Ermits. Não tínhamos essa responsabilidade. Tivemos tempo para descobrir. Encontramos as melhores cidades.

E quais eram?

Para o Who eram Nova York, Chicago, Detroit, Los Angeles, São Francisco e Cleveland. Elas tinham o melhor público para nós.

Foi nessa turnê que aconteceu sua infame festa de aniversário?

Sim. Foi assim que eu perdi meu dente da frente. Em Flint, Michigan. Tínhamos um show naquela noite. Estávamos todos em volta da piscina do ‘Oliday Inn, eu e os ‘Erman ‘Ermits. Eu estava fazendo vinte e um anos, e eles começaram e me dar presentes. Alguém me deu um bar portátil e outro, a bebida portátil. Eu comecei a beber lá pelas dez da manhã, e não me lembro do show. Depois a gravadora reservou um quarto enorme no hotel, uma das salas de conferência, para uma festa. Com o passar do tempo aquilo foi ficando mais e mais barulhento, todo mundo começou a ficar fora de si, digamos, alucinados. A piscina era o alvo óbvio. Todo mundo começou a pular de roupa e tudo na piscina. A Premier havia me dado um bolo de aniversário gigantesco, montado como se fosse umas cinco caixas de bateria, uma em cima da outra. Quando a festa começou a se degenerar numa orgia, eu peguei o bolo, as cinco camadas, e joguei pra tudo quanto é lado. O povo começou a pegar os pedaços e a arremessar uns nos outros. Todo mundo ficou coberto de marshmallow e bolo de fruta. O gerente ouviu a bagunça e apareceu. Lá estava seu imenso tapete irrevogavelmente manchado de cobertura de bolo pisado, e todo mundo dançando em cima dele com as calças de fora. Na hora em que o xerife chegou eu estava lá parado de cuecas. Eu corri, pulei no primeiro carro que apareceu na minha frente, um Lincoln Continental novo em folha. Ele estava estacionado numa subidinha, e quando eu soltei o freio de mão aquilo começou a descer, arrebentou uma cerca e caiu direto na piscina do ‘Oliday Inn, comigo dentro. AH-HA-HA-HA-HA!Então lá estava eu, sentado no banco do motorista de um Lincoln Continental submerso. E a água começou a entrar pelos malditos buracos dos pedais no chão, sabe, se infiltrando pelas janelas. Em um momento brilhante de lógica eu pensei, “Bem, eu não posso abrir as portas até que a pressão se iguale”. É incrível como eu fui me lembrar daquelas coisas da aula de física! Eu sabia que tinha que esperar até que a pressão fosse a mesma. E lá estava eu, pensando na minha situação, enquanto a água começava a entrar no meu nariz. Hoje em dia eu consigo pensar em maneiras menos ultrajantes de bater as botas do que me afogar num Lincoln Continental na piscina do ‘Oliday Inn, mas na época eu não pensava em hipótese alguma em morrer. Não teve nada daquilo da vida-inteira-passando-diante-dos-meus-olhos-em-um-flash. Eu estava ocupado planejando. Eu sabia que, se eu entrasse em pânico, já era. Então quando só tinha ar o bastante no topo do carro pra um fôlego, eu enchi meus pulmões, escancarei a porta e nadei até o topo da piscina. Eu imaginei que uma multidão razoável já teria se reunido ali. Afinal de contas, eu estava debaixo d’água fazia algum tempo. Eu imaginei que eles estariam tão felizes por eu estar vivo que me perdoariam pelo Lincoln Continental. Mas não. Só tinha uma pessoa parada ali e era o limpador de piscina, ele tinha acabado de limpar aquilo de manhã e estava furioso.Então eu voltei pra festa, todo respingando, ainda de cueca. A primeira pessoa que eu vejo é o xerife, ele e sua arma na mão. Sem essa! Eu saí correndo, e quando estava quase chegando na porta, escorreguei num pedaço de bolo e caí de cara no chão e perdi meu dente. Ah-ha-ha HA-HA-HAHAHA!Eu passei o resto da noite sob custódia do xerife no dentista. O dentista não podia me dar nenhum anestésico porque eu já estava muito louco. Então ele teve que arrancar o que sobrou do dente e botar um falso no lugar, e no dia seguinte eu passei algumas horas no xadrez. Os rapazes me fretaram um avião porque tiveram que ir embora num vôo mais cedo. O xerife me levou na viatura, me botou no avião e disse, [sotaque americano], “Filho, nunca mais apareça em Flint, Michigan, novamente”. Eu respondi, “Meu caro, eu nem sonharia com isso”, enquanto sibilava entre meu dente novo. AH-HAHA HAHAHA!Nessa hora que eu soube quão destrutivos fomos. Durante a festa alguém pegou todos os extintores e os esvaziou em cima dos carros no estacionamento. Seis deles tiveram que ganhar pintura nova; a tinta derreteu toda. Também destruímos um piano. O destruímos completamente. Reduzido a lenha. E não se esqueça do tapete. E o Lincoln Continental na piscina. No final eu recebi uma conta de US$ 24,000. AH-HAHAHAHA! Eu não estava ganhando nem metade disso na turnê, e gastei tudo indo pra Flint, Michigan. Fiquei endividado até as sobrancelhas depois dessa. Felizmente, os ‘Erman’s ‘Ermits e os rapazes dividiram tudo; umas 30 pessoas deram cem dólares cada. Foi como uma cerimônia religiosa quando todos vieram e depositaram cem dólares num chapelão, e mandamos aquilo para o ‘Oliday Inn com um cartãozinho de saudações escrito “BOLAS” em volta dele — e as palavras “Nos vemos em breve”. Ah-ha-ha-HA-HA Ha ho-HAHAHA!

Você não pode ter destruído tantos quartos de hotel quanto dizem.

Quer apostar? Houve uma época em que. . . Muitas. É. Eu fico entediado, veja você. Teve uma vez em Saskatoon, no Canadá. Era outro ‘Oliday Inn, e eu estava entediado. Agora, quando eu fico assim, eu me revolto. Eu digo, “QUE SE DANE, QUE SE DANE TUDO ISSO!”. E saco minha machadinha e deixo o quarto em pedaços. A televisão. As cadeiras. A penteadeira. As portas. A cama. E tudo o mais. Ah-ha-ha-HAHAHAHAHAHAHAHAHA HAHAHA! Acontece o tempo todo.

Eu sempre ouvi dizer que quem deu início a destruição no palco foi Pete, mas você faz parecer que foi idéia sua. Foi?

Reza a lenda que Pete bateu o braço da guitarra no teto quando ele pulou muito alto, mas não foi isso. Acontecia quando alguém ficava puto com o show, com a maneira como as coisas estavam indo. Quando Pete destruía sua guitarra era porque ele estava puto. Quando eu destruía minha bateria, era porque eu estava puto. Ficávamos frustrados. Você está lá se esforçando o máximo possível pra continuar com a porra da música, pra pegar a platéia pelas bolas, pra transformar aquilo num acontecimento. Quando você faz tudo aquilo, quando você se mata e dá ao público tudo que é possível, e eles não dão nada de volta, é aí que a porra do instrumento vai embora, porque: “Seus desgraçados de merda! Estamos aqui nos matando! E vocês não dão nada de volta!”.Essa é uma razão de os instrumentos serem destruídos. Outra é quando um membro do grupo está chapado demais pra dar seu melhor. Nessas horas ele está deixando os outros três na mão. Em muitos casos sou eu, por beber demais. Sabe como é, exagerando na hora errada. Então Pete ou Roger ou John diz, “Seu babaca! Você deixou a gente na mão, porra! Miserável, se quer chapar, por que não espera até depois do show!?”.

Mas todas as vezes que você destruía seu kit de bateria, ou Pete arrebentava sua guitarra, era movido pela raiva?

Nem sempre. Era algo esperado — como uma canção, um hit número um. Uma vez que você tenha feito aquilo, se compromete com aquilo. Você tem que tocar. Porque há certas pessoas na platéia que comparecem só para ouvir aquela música em particular. Cada parte da apresentação funciona para uma parcela do público, e a apresentação como um todo tem que funcionar para a platéia inteira.

Isso não saía caro demais?

Caro pra cacete. Estávamos destruindo provavelmente dez vezes, senão mais, do que ganhávamos. Temos feito sucesso há dez anos, mas só lucramos nos últimos três. Levamos cinco anos para pagar três anos, nosso período mais destrutivo. Tivemos que pagar por tudo aquilo depois. Músicos são célebres por não pagarem suas contas. E não éramos exceção. Adiamos aquilo tanto quanto possível. Mas quando as sentenças começaram a chegar, as intimações, as ações, os confiscos de equipamento, então tivemos que pagar. E pagamos por cinco anos.

E então abandonaram a rotina de destruição?

Abandonamos como uma rotina teatral. Ainda destruímos nosso equipamento ocasionalmente, mas não de propósito. Cometemos um dos pecados capitais: acabamos deixando a atuação tomar o lugar da música. Não se pode deixar isso acontecer. A música deve vir primeiro. Então nós olhamos pra trás e dissemos, “Bom, essa porra tem que parar, não podemos ter isso em todos os shows . . .”. Porque estava ficando repetitivo demais. A espontaneidade se fora.

Já houve brigas sobre quem seria o melhor porta-voz para o grupo?

Só no começo. Durante uma época Roger foi o porta-voz do grupo. Agora a maioria diz que é o Pete. Acontece que, não tem importância . . . quem diz o quê. Já demos importância demais pra isso de porta-voz e quem seria esse porta-voz. Não mais. Quem quer que seja, é só um representante da organização, e uma boca é tão boa quanto a outra.Vocês parecem bastante receptivos com a imprensa.Nós fazemos qualquer negócio. AH-HAHAHAHAHAHA! Algumas pessoas dizem que eu faço qualquer coisa pela imprensa, é verdade . . . que eu apareço demais. Eu só quero me divertir.

Em algum momento . . .

Teve uma vez que Keith Altham e Chris Williams, que cuidam da nossa divulgação, me ligaram e disseram que estariam em seu escritório às três horas para uma entrevista. Bem, você sabe, os pubs fecham às três, então eu acabei me atrasando um pouco. Eu voltei pra minha sala na Track [Records, a gravadora do grupo] e só aí me lembrei: tinha esquecido da entrevista. Então, uhhhh: Oh, Cristo, eles vão ficar putos. Bem em frente tinha uma farmácia, então eu mandei Dougal, meu motorista, ir lá comprar uns rolos de gaze e esparadrapo, enrolei aquilo tudo na perna e no braço e arrumei uma muleta. E lá fui eu para a entrevista. “Desculpem o atraso, mas só agora o hospital me liberou”.Eu havia ligado mais cedo e contado a eles que tinha sido atropelado por um ônibus na Oxford Street. Eles não acharam isso muito fora-do-comum. Eu acho que eles assumiram a atitude de que qualquer coisa é valida com Moon, veja só. Então eu entrei no escritório . . . arrastei-me pra dentro, na verdade, e eles perguntaram, “Como isso foi acontecer?”. Eu respondi, “Eu estava atravessando a Oxford Street e um número oito de Shepherd’s Bush me acertou no traseiro e me arremessou direto pra Oxford Circus”. Então Keith e Chris resolveram cancelar a entrevista. Eu disse que não, e eles fizeram a gentileza de me carregar pelos quatro lances de escada até a rua. Eles pensaram que eu tinha subido tudo aquilo por conta própria, na minha muleta, entende.Então eles me carregaram escada abaixo e estávamos andando, e eu lá capengando pela rua novamente, e um desgraçado de um caminhão aparece bem na hora que eu estou atravessando e começa a buzinar na minha cara. Eu disse, “Agüenta aí, colega. Eu não consigo ir mais rápido com essas pernas”, e Keith vai até o motorista: “Seu bastardo desalmado, não vê que este homem está ferido! Você não tem coração, não tem alma, seu bastardo! Tentando atropelar um aleijado!”.Nós começamos a entrevista e no meio, depois de uns quatro drinks, eu arranquei os curativos, pulei na cadeira e comecei a dançar. Ah-HAHAHAHAH-ha-haHAHA! HAHA!

Você já se machucou em alguma de suas brincadeiras? Além de perder o dente da frente?

Eu quebrei a clavícula uma vez. Foi no meu hotel, um hotel que eu tinha, no Natal. Eu desmaiei na frente da fogueira às quatro da madrugada e uns amigos decidiram me levar pra cama, e eles estavam tão ruins quanto eu, mas ainda conseguiam ficar de pé. Ou quase. Um deles segurou minha cabeça, outro os pés, e eles tentaram me carregar pelas escadas. Eles subiram comigo por dois lances e então me largaram, os dois, quebrando minha clavícula, entende. Mas eu só fui ficar sabendo quando acordei no dia seguinte e tentei vestir a porra da camisa. Eu desabei direto na merda do chão.Acontece que . . . eu deveria gravar um programa de TV, o especial de ano-novo do Top of the Pops, e dois dias antes eu estava com meu braço todo enfaixado e não poderia tocar. Eu fui até meu médico, querido Doutor Robert, e ele me deu uma injeção no dia da apresentação para que eu não sentisse nada. Eu coloquei uma blusa por cima do gesso, grudei a baqueta na mão com fita adesiva, sentei por trás do kit e pedi para o Sr. Vivian Stanshall amarrar uma corda no meu pulso. Nós então jogamos a corda em volta do apoio das lâmpadas lá em cima, e ficamos de olho no monitor; sempre que a câmera me focalizava, eu dava o sinal pra Viv, e ele puxava a corda, fazendo com que meu braço direito se erguesse e caísse nos pratos. AH ah ah ah HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!Essas situações burlescas . . . eu estou sempre ligado a elas. Sempre acontecem como se pudessem ter sido parte de um quadro do Gordo e o Magro. E sempre acontecem comigo. AAAAHhhhhh-HAHAHA-HO-HAHA ha! Eu acho que eu espero inconscientemente que elas aconteçam, e elas acontecem.

Essa é a imagem que você tem de si mesmo?

Suponho que para a maioria das pessoas eu sou provavelmente visto como um idiota amigável . . . um brincalhão genial. Acho que eu devo ser uma vítima das circunstâncias, na verdade. Na maioria das vezes é culpa minha. Eu sou uma vítima de minhas próprias piadas colocadas em prática. Suponho que isso reflita uma atitude um pouco egoísta: eu gosto de ser o protagonista de meus próprios feitos. De nove entre dez vezes, eu acabo sendo. Eu preparo armadilhas e caio nelas. Oh-ha-ha-ha. HA-HA- HA-HA-HA! Obviamente, o maior perigo é se tornar uma paródia.
Sua esposa, Kim, deve ser extraordinariamente simpática e paciente.
Ela é.

Ela meio que leva isso numa boa. Como você a conheceu?

Eh-eh-eheeeee-eh-eh-eh. Ah-HA-HA-HA-HAHA-HA-HA! Eu a conheci em Bournemouth quando estava fazendo um show. Ela tinha dezesseis, e freqüentava o club onde tocávamos, o Disc. Um tempo depois quando eu desci para vê-la, eu estava no trem e Rod Stewart subiu a bordo. Isso foi a uns dez anos. Começamos a conversar, e fomos para o vagão-bar. Ele era Rod “The Mod” Stewart naquela época gloriosa, e estava trabalhando com Long John Baldry. Ele estava tocando em muitas discotecas pequenas e pubs, fazendo o mesmo tipo de trabalho que nós. Eu perguntei a Rod, “Pra onde você está indo?”. Ele respondeu, “Bornemouth”. “Eu também”, falei. “Estou indo visitar minha garota”. Ele retrucou, “Eu também”. Então eu mostrei a Rod uma foto da Kim e ele disse, “É … é essa mesmo”. HAHAHAHAHAHAHA!

O que aconteceu?

Eu não me lembro. Estávamos no vagão de bebidas, e ambos ficamos paralizados. Eu só me lembro da viagem de volta. Oh-hee-HA-HA-HAHA!

Por que sua sogra veio morar com vocês?

Ela é minha governanta. E uma ótima cozinheira. Veja você, eu fui um seqüestrador. Raptei sua filha aos 16, direto do convento, e ela ainda não havia aprendido a cozinhar, então eu disse, “Traga sua mãe pra cá”. Ela está morando conosco há quase um ano. Ela não é aquela espécie comum de sogra. Na minha casa não há espécie comum de coisa alguma.

Você tem algum baterista “favorito”?

Não muitos. D.J. Fontana é um deles. Vamos ver . . . os bateristas que eu respeito são Eric Delaney e Bob Henrit e . . . eu tenho uma lista enorme, na verdade, e cada um nela é por razões diferentes. Tecnicamente, Joe Morello é perfeito. Na verdade eu não tenho um baterista favorito. Eu tenho trechos de bateria favoritos, é isso. Eu nunca pegaria um LP de um baterista e diria que adoro tudo que ele faz, porque não seria verdade.

Como você começou a tocar bateria?

Jesus Cristo, acho que eu ganhei uma de brinde no pacote de cereal. Ah-Ha-HA-HA-HA-HA-HAHA! Mas não. . . solos de bateria são chatos pra cacete. Qualquer tipo de solo é. Isso tira a identidade do grupo.

Quanto das canções são um esforço grupal?

O que você muda nas demos na hora de gravar?Não muito. Porque Pete sabe. Quando Pete faz algo, aquilo soa como o Who. As partes da bateria são minhas partes, mesmo se é Pete tocando bateria. Ele toca no mesmo estilo que eu. Ele faz meus floreios. O mesmo para as partes do baixo, e a guitarra, é claro, é dele. Só os vocais mudam um pouco.

Muitas canções são rejeitadas?

Não. Ele obviamente compõe muito mais . . . quer dizer, não são todas as canções que ele escreve que se encaixam no Who. Quando ele tem uma idéia que ele acha ser boa para o grupo, ele traz aquilo e nós tentamos. E ele não costuma estar errado.

Vocês ensaiam muito?

Estamos sempre preparados meticulosamente para os shows. Mas ensaiávamos muito mais antes do que agora. Agora alcançamos um ápice na banda . . . bem, alcançamos isso já faz tempo . . . então hoje Pete toca pra gente um número, ou ouvimos um número, e podemos tirá-lo quase sempre, senão da primeira vez, na segunda ou na terceira, e na quarta ou quinta aquilo começa a tomar forma. Nos velhos tempos ainda estávamos construindo o grupo, ainda desenvolvendo nosso relacionamento.

The Who - Quem é quem?

domingo, abril 27th, 2008

Fonte: http://letsseeaction.blogspot.com/2007/12/entrevista-1-edio.html

(Essa entrevista é uma raridade. Apenas pque é uma das poucas entrevistas em português do The Who. Estou postando aqui apenas para o esforço de preservar, se por acaso o blog acima sair do ar ou coisa parecida.

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Quem é quem

O Prazer é Todo Seu - The Who por Rony Maltz

Antes de tudo, devo dizer que pesquisas profundas me fizeram chagar a uma inapelável conclusão: não há nada mais entediante de se ler sobre uma banda do que tecnocracias como história da vida do guitarrista do útero da mãe ao caixão ou influências musicais da iguana do vocalista.

Este tipo de informação só interessa a quem é fã apaixonado, e estes provavelmente já sabem tudo isso de cor e salteado. Resumindo, se você procura a história completa do The Who (sim, eu vou falar do The Who) e ficha técnica dos músicos, está perdendo seu tempo.

Por outro lado, se você gostaria de ser apresentado a quatro caras muito bacanas, um pouco mais famosos do que você, esta é a oportunidade perfeita. Noventa e cinco por cento do conteúdo abaixo é verídico.
Pode ser um jogo interessante tentar descobrir os cinco por cento restantes. Você vai ter uma grata surpresa!

Para os Leigos:
“O Who é a banda mais selvagem de todos os tempos, provavelmente ao lado do Led Zeppelin. Os dois são os pais da inadministrabilidade.”(Bill Curbishley, maneger)

Roger Daltrey - canta
Pete Townshend - toca guitarra e canta
John Entwistle - baixo e vocais
Keith Moon - bateria, raros e toscos vocais

Isto é o que interessa. Qualquer coisa que você tenha visto ou ouvido falar antes ou depois desta formação é pura baboseira, e eu não me responsabilizo. Com vocês, The Who!

O cérebro


“Ver Jimi tocar me destruiu. É difícil ver alguém fazendo o que você sempre quis.” (Pete Townshend, sobre Jimi Hendrix)

A cabeça pensante da banda. Responsável praticamente tudo o que o Who criou desde a sua formação, Pete Townshend pode ser considerado o líder do grupo. A briga pelo posto de líder seria, aliás, uma tônica durante toda a carreira do guitarrista, o que tornava sua relação com Roger Daltrey, auto-empossado através dos próprios punhos, um tanto complicada.

O rapaz, que sempre se destacou pelo nariz de tamanho bastante generoso, entrou na banda como um músico promissor para tomar o lugar de Daltrey no instrumento solo, e desde então começou a fazer história como um dos guitarristas mais estilosos de sua era.
Com a postura de palco admitidamente inspirada em Keith Richards, lead guitar dos Rolling Stones, Pete se esforçava em chamar mais atenção do que Roger Daltrey e Keith Moon no palco, e para isto criou todo um leque de movimentos muito peculiares ao tocar sua guitarra, estilo que o torna inconfundível em ação.

Sua adoração por parte do publico, entretanto, começou por acaso, enquanto o Who performava em uma pequena casa de shows na Inglaterra. Townshend acidentalmente deixou cair sua guitarra, fazendo-a se espatifar em vários pedaços no chão diante de uma platéia atônita, que nunca havia visto algo como aquilo antes.

O alvoroço foi geral, e desde então o guitarrista fez fama como ‘o cara que destrói seu instrumento no final dos shows’, e com a ajuda de Moon o The Who fez sucesso como a banda que tocava e depois quebrava tudo.

Esta atitude ainda levaria o quarteto a protagonizar uma interessante disputa com o guitarrista Jimi Hendrix, a quem Pete tinha admitida admiração.

O evento era o grande festival de Monterey, em 1967, e ambos pleiteavam a oportunidade de destruir suas guitarras frente a um grande público pela primeira vez. Após muita discussão nos bastidores a respeito de quem entraria para tocar primeiro, o The Who acabou ganhando o benefício na sorte, no lançar de uma moeda. Regozijado, Pete Townshend chocou milhares de pessoas ao estraçalhar seu instrumento ao término da apresentação da banda, e comenta-se que ele ainda teria alfinetado, irônico: “Ha! Quero ver o que ele vai fazer agora…” Pois foi nesta ocasião que, em um episódio que ficaria mundialmente afamado na história do rock, Jimi Hendrix ateou fogo a sua Stratocaster em meio a todo um ritual místico, frente a uma audiência ainda mais embasbacada. Foi quando eu vi que, enquanto a guitarra da lenda estalava e gemia envolvida pelas chamas, Keith Moon pulava como um louco e berrava com Pete, consternado: “Seu idiota! Como é que você não pensou nisso antes!?”Apesar da adoração do público, entretanto, Townshend só ganharia o devido reconhecimento como compositor com a sua ópera-rock Tommy, compilação unanimemente glorificada pela crítica que lançaria de vez o The Who para o estrelato.

Curiosamente, a idéia de se compor uma ópera-rock surgiu numa brincadeira, e desde então Kit Lambert, empresário da banda na ocasião, vendo futuro no que parecia ser uma piada, passou a encorajar veementemente o guitarrista a adotar tal projeto. O primeiro esboço contava uma história que passava no futuro, a respeito de um casal que desejava ter quatro meninas. Sua obsessão quanto ao gênero dos filhos era tão grande que, ao dar a luz a um menino, a mãe decide criá-lo como uma garota assim mesmo.

Financeiramente, porém, a banda não vinha bem, em parte devido aos constantes gastos com novas guitarras e jogos de bateria, e a necessidade de lançar algo novo rapidamente fez com que toda a obra fosse condensada em um único hit: I’m a Boy. O músico ainda comporia, antes do aclamado álbum Tommy, uma música que é uma espécie de história nos moldes da proposta da tal ópera-rock: A Quick One While He’s Away, cujo nome foi proibido de ser usado como título para o disco devido a sua óbvia alusão ao sexo. Assim o garoto inseguro e complexado devido sua aparência física durante toda infância e adolescência se tornaria, além de um respeitado guitarrista e sensacional show man, um grande compositor. Desde então a idéia de produzir obras originais e grandiosas como Tommy nunca mais sairia da cabeça do músico. Álbuns megalomaníacos ainda haviam de ser compilados. Pete Townshend já estava para sempre contaminado por uma obsessiva mania de grandeza.

A fúria


“Já utilizei durante muito tempo produtos para poder usar meu cabelo curto e liso. Foda-se. Não é fácil ser um mod com cabelo encaracolado.”(Roger Daltrey)

Roger Daltrey é o cara com mais presença de palco que eu já vi se exibir, além de ter sido, durante pelo menos duas décadas, o popstar com maior potencial assassino à solta por aí, depois do Marlyn Manson. Aos dezessete anos era o primeiro de sua classe em uma prestigiada escola na Inglaterra, quando resolveu largar os estudos e virar um rebelde, porque alguém disse para não fazê-lo. Construiu à lenha e muita imaginação sua primeira guitarra e decidiu ser astro de rock.

Daltrey é o tipo de sujeito que é invencível na porrada; na base da força ele montou sua banda, auto-intitulou-se o líder e saiu por aí tocando de graça em casamentos, festinhas de formatura e bar-mitzvás. O resto é história.

Roger delegou-se nos primórdios da banda o posto de guitarrista principal, pois ele apreciava o título. Só passou para os vocais quando o grupo adquiriu sua formação original, com o ingresso de Townshend e Moon. Verdade seja dita, Daltrey era tão bom cantando quanto tocando guitarra, o que, aliás, ele não sabia fazer.
Na época, contudo, o rock não precisava de alguém que sabia cantar, e a agressividade e a fúria do rapaz no palco preencheram na medida perfeita as necessidades do ideário mod para fazer o The Who explodir na Europa e, logo em seguida, nos Estados Unidos

Obviamente Roger Daltrey foi aperfeiçoando sua técnica, a ponto de hoje ser o vocalista que mais me dá tesão de ver cantar, não somente pela sua postura agressiva e provocante no palco, mas pela dramaticidade e o desabafo que ele exprime ao microfone. O timbre de voz inconfundivelmente rasgante se encaixa perfeitamente no rhythm and blues proposto pela banda, e sua interpretação inabalável, quase sufocante, consagrou o The Who como o grupo de melhor performance ao vivo de seu tempo.

Ele desenvolveu um estilo que lhe é marca registrada de suingar o fio do microfone descrevendo arcos no ar com o aparelho, muitas fezes fazendo-o zunir a poucos centímetros das cabeças dos fãs a beira do palco antes de retomá-lo na mão. Se eu não me engano, Roger estabeleceu seu recorde pessoal ao inutilizar dezoito microfones diferentes numa mesma noite. Depois disto você não mais o viu segurando um aparato que não estivesse envolto em no mínimo treze camadas de esparadrapo. Não era raro também vê-lo chocando-se contra amplificadores e espancando os pratos da bateria de Keith Moon.

Expulso da banda em razão da sua atitude demasiadamente violenta, o moço foi aceito de volta dias depois sob a promessa de controlar seu ímpeto demoníaco. Não foi muito depois disto que eu testemunhei, em pleno show da banda, o vocalista nocautear Townshend com um simples soco depois de ser ameaçado por uma guitarra e um nariz, em meio a mais uma fervorosa discussão entre Roger e Pete. Como eu disse, o cara é invencível na porrada.

O talento


“As pessoas costumavam me acusar de cair no sono no meio da música. Eu meio que deixava cair o ritmo. É muito chato para um baixista tocar isso porque é tudo em lá.” (John Entwistle, sobre Magic Bus)

O melhor baixista de todos os tempos. ‘The Ox’ para mim, Sir John Entwistle para você, o gênio provavelmente é um dos mais injustiçados do ingrato mundo dos tocadores de baixo. Mas não que ele estivesse muito preocupado com reconhecimento.

Digamos que, enquanto Daltrey e Townshend se estapeavam para ver quem tinha o maior ego, John se contentava em ser George Harrison. Se o vocalista explodia em acessos de fúria e destruía microfones, o guitarrista saltava freneticamente e destruía guitarras e o baterista espancava enlouquecidamente sua percussão e destruía jogos de bateria, o baixista do The Who ficou marcado pela postura completamente estática no palco.

Entwistle fez escola ao mudar drasticamente todos os conceitos que se tinha sobre o baixo, tendo sido o primeiro músico a protagonizar um solo no instrumento, no grande hit My Generation. Em concertos ao vivo atuava quase que exclusivamente como o elemento a solar, enquanto Townshend marcava o ritmo na sua guitarra e Moon fazia o que bem entendia na sua percussão. Em estúdio os papéis se invertiam, e John passava a fazer a base enquanto o guitarrista se encarregava do som independente.

O baixista também servia como uma fonte alternativa na parte de criação, tendo sido responsável por praticamente todas as músicas do The Who que não eram de Pete. A mais famosa, ou pelo menos a mais original, soa tão sinistra quanto a própria figura de John no palco. A letra foi inspirada no temor do músico por aracnídeos, e diz respeito a uma aranha, pequena e peluda, que vai subindo pelas paredes do quarto para até ser esmagada na última estrofe. Assim surgiu Boris The Spider, a faixa mais pesada e carregada de graves do Who, e que me dá um bocado de medo.
Em um dos poucos episódios polêmicos em que se envolveu, ‘The Ox’ protagonizou, ao lado de Keith Moon, um dos boatos mais relevantes da década de sessenta. Consta que, em conversa em um pub londrino, o gênio e o baterista do Who espinafravam os demais integrantes da banda, Pete e Roger, por não pararem de brigar. Cheguei a ouvir que ambos consideravam deixar o The Who para se juntarem a um cara novo, um tal de Jimmy Page, que diziam ser capaz de fazer milagres com a guitarra.
O novo grupo se chamaria Led Zeppelin, dizia Moon, o autor do nome.No fim, parece, a mudança acabou não acontecendo, e John Entwistle se consagrou, no Who mesmo, como o baixista mais significativo do seu tempo. Consagrou-se, eu quero dizer, até o ponto em que um baixista pode se consagrar, já que confesso que, até pouco tempo, eu era mais um daqueles que se questionavam, ao assistir a um show antigo da banda: “porra, que diabos está fazendo aquele maluco parado ali no cantinho?”

O charme


“Sempre me chamaram de porco capitalista. Talvez eu seja, mas isso é bom para o jeito como eu toco bateria.”(Keith Moon)

Inquestionavelmente o baterista mais excêntrico e empolgante de todos os tempos, Keith Moon entrou na banda para acirrar ainda mais a já bastante conflituosa disputa pela atenção do público do The Who. Com uma postura que nos remete a algo entre o Animal dos Muppets Babies e o Zed da Loucademia de Polícia, Moon provavelmente já pulverizou mais kits de bateria do que qualquer baterista já chegou a tocar.

E não bastasse a destruição total dentro do palco, desde cedo Keith adotou o saudável hábito de levar abaixo qualquer quarto de hotel em que ele chegasse a pisar. No clímax de uma destas orgias, um Cadillac acabou no fundo da piscina do Hollyday Inn, episódio que fez com que a banda fosse banida para sempre de qualquer hotel da rede. A bem da verdade, Keith sempre teve um pequeno problema com compassos. Compassos: é como são chamados os espaços de tempo que determinam o ritmo das músicas, regradamente ditados pelo percussionista.

Este pequeno nuance, contudo, fez com que a lenda se tornasse nada menos do que o baterista mais aclamado do mundo por tocar quase que exclusivamente de improviso, às vezes com viradas de baterias que duravam a música inteira, às vezes com arranjos inéditos embalados pelas mais variadas espécies de psicotrópicos. A bem da verdade, todo show do The Who não passava de um imenso solo de bateria para Keith Moon.

Ele também desenvolveu seu próprio método de usar as baquetas, ora segurando-as pelas pontas dos dedos encarnando um maestro a reger sua orquestra, ora usando-as de ponta-cabeça, estilo adaptado em razão da sua mania de lançar o assessório para cima no meio de viradas de bateria e retomá-lo dando imediata continuidade ao ato, seja como for que ele voltasse à sua mão.

Havia inclusive um suprimento extra de baquetas já disposto ao lado do cidadão, para que ele pudesse pegar uma nova sempre que a lançada para o alto voasse para longe do planejado, o que não era raro. Moon também tinha uma obsessão. Ele cria ser capaz de seguir os passos de Pete e sincronizá-los à sua batida seja o que for que esse fizesse no palco, o que impunha um interessante desafio.

Fato é que, segundo o próprio Townshend, Animal nunca perdeu um salto sequer do guitarrista.”Por acaso há algum baterista na platéia?…” Eu lembro de ter sido um dos milhões que levantou a mão à pergunta de Pete Townshend. “..alguém que seja de um todo bom…?” e à isto três pessoas baixaram as mãos. Finalmente um cara do meu lado acabou sendo escolhido. Acontece que, horas antes, alguém teria dito ao Keith que dava um barato interessante tomar metade de um certo calmante com um copo de brandy, ou algo parecido. A isto, então, ele rebate: “Metade?! Eu sou Keith Moon!” e toma uma cápsula inteira de tranqüilizante para atirar em elefantes. Se eu soubesse disto antes, certamente não ficaria surpreso ao ver o rapaz sair carregado no meio do show após desabar inconsciente por cima dos tambores. Bem, isto é só para exemplificar um caso particular; o potencial destrutivo de Animal realmente evocava um sem número de situações inenarráveis.
Keith Moon, como haveria de ser, morreu antes de ficar velho e começar a fazer merda, podendo ser considerado, portanto, o integrante mais digno de ter pertencido ao grupo. Sim, a causa da morte foi overdose, mas de pílulas para dormir, que Keith estava tomando para tentar controlar o alcoolismo. Não me perguntem como. Talvez a maior prova da importância de Moon para o Who tenha vindo depois de sua morte, quando a banda passou a usar sempre que em shows nunca menos do que dois percussionistas para tentar obter algo parecido com o que Animal fazia sozinho atrás da bateria. A baderna também nunca mais foi a mesma. O charme tinha acabado.

Meet the new boss, the same as the old boss !!!

Os últimos versos de Won’t Get Fooled Again, obra prima do derradeiro e para muitos o melhor álbum do The Who, Who’s Next, encerrariam em tom de despedida a explosiva carreira da banda com sua formação original. O quarteto, que pode ser considerado o mais fiel representante do movimento mod na Europa da década de sessenta, se retirava do cenário musical e encerrava uma era deixando o prenúncio de que, apesar de guerras cessarem e regimes sucumbirem, a parafernália política mundial seria substituída por outra não menos problemática, e os governantes trocados por novos não menos manipuladores, embora agora sob diferentes disfarces.Se você conseguiu ter sua atenção presa durante dez minutos e ainda não sabe a data do surgimento da banda, o nome de todos os compactos, faixas e menagers durante mais de vinte anos de R&B (e não foram poucos), e mesmo assim não está nem um pouco aborrecido com isto, o meu objetivo está atingido. Vou deixar, portanto, que um dos poucos homens capazes de explicar o Rock & Roll encerre para mim:

“A banda deveria ser um reflexo do que o público estava sentindo. Se funcionou, se o The Who fez sucesso, isto foi contra toda a espécie de lógica. Nós éramos um horrível, feio, barulhento, desmazelado, arrogante, intimidador e inconsiderável bando de babacas. Se nós nos tornamos um sucesso… eu acho que, se nós fizemos sucesso, é porque era exatamente isso o que o público queria.”(Pete Townshend)

Love Reign O’er Me

terça-feira, dezembro 25th, 2007

Love Reign O’er Me - Quadrophenia (1973) - The Who

Only love
Can make it rain
The way the beach is kissed by the sea.
Only love
Can make it rain
Like the sweat of lovers’
Laying in the fields.

Love, Reign o’er me.
Love, Reign o’er me, rain on me.

Only love
Can bring the rain
That makes you yearn to the sky.
Only love
Can bring the rain
That falls like tears from on high.

Love Reign O’er me.
On the dry and dusty road
The nights we spend apart alone
I need to get back home to cool cool rain.
The nights are hot and black as ink
I can’t sleep and I lay and I think
Oh God, I need a drink of cool cool rain.

The Who - Who Are You

sexta-feira, maio 4th, 2007

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Em estúdio: Who Are You

The Who - “Barbara Ann Song”

sexta-feira, maio 4th, 2007

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Vídeo bem curioso de uma “jam” do The Who tocando “Barbara Ann song” do Beach Boys.
Shepperton Studios, Londres - 21 de Julho de 1977.

The Who - Shindig 1965 (Full Show)

sexta-feira, maio 4th, 2007

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The Who em 1965. Keith Moon já mostra o talento que fez dele um baterista que não teve imitadores.

John Entwistle - Won’t Get Fooled Again

terça-feira, abril 24th, 2007

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“Won’t Get Fooled Again”, tocada em 25/05/1978 no Shepperton Film Studios de Londres. Somente o som isolado do baixo do mestre John Entwistle. Requiscat In Pace.

The Who - Baba O’Riley

terça-feira, abril 17th, 2007

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Outro petardo do The Who. Os 4 arrebentavam. E John Entwistle dá mais uma de suas aulas de baixo. Notem o Keith Moon, já gordão, resultado das pílulas para tentar parar de beber. As mesmas pílulas que acabaram por matá-lo. Curiosidade: sua ultima noite foi um jantar com Paul e Linda McCartney.

The Who - Behind Blue Eyes

terça-feira, abril 17th, 2007

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Ah, o The Who, mandando “Behind Blue Eyes” ao vivo do Hammersmith Odeon, Londres em 28 de Dezembro de 1979.

Já sem o Keith Moon que morreu no dia 07/09/1978. Uma lástima.