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quarta-feira, abril 30th, 2008

Uncle Meat é a trilha-sonora de um filme de Frank Zappa. O filme só viria a ser lançado anos depois do lançamento da trilha.
Uncle Meat marcou uma evolução na carreira de Zappa, que passou a incluir diversos elementos de jazz e música erudita na sua música. Também contêm elementos de doo-wop, blues, rock, além de trechos de falas do filme. A excentricidade característica de Zappa também marca presença; Suzy Creamcheese está de volta, junto com letras satirícas, de humor corrosivo. No entanto, o disco é mais focado na músical instrumental, o que é melhor notado na épica peça de jazz-rock fusion King Kong, de 18 minutos de duração.
A versão em CD foi lançada em 1987, contando com uma nova música, Tengo Na Michia Tanta, cantada em italiano por Massimo Bassoli, e também com aproximadamente 40 minutos de sons do filme. Muitos fãs desaprovaram as adições, já que “Tengo Na Michia Tanta” foi gravada em um período totalmente diferente, o que a deixa totalmente fora do padrão do disco, e as falas do filme são desnecessárias, que até mesmo dificultam a audição da música. Além disso, as adições fizeram com que o disco passasse a ser um álbum duplo, enquanto a versão original poderia caber perfeitamente dentro de um único disco.
Faixas
Todas as faixas são de Frank Zappa, exceto quando indicadas.
Vinil
Lado A:
1. “Uncle Meat: Main Title Theme” – 1:56
2. “The Voice of Cheese” – 0:26
3. “Nine Types of Industrial Pollution” – 6:00
4. “Zolar Czakl” – 0:54
5. “Dog Breath, in the Year of the Plague” – 3:59
6. “The Legend of the Golden Arches” – 3:28
7. “Louie Louie (At the Royal Albert Hall in London)” (Richard Berry) – 2:19
8. “The Dog Breath Variations” – 1:48
Lado B:
1. “Sleeping in a Jar” – :50
2. “Our Bizarre Relationship” – 1:05
3. “The Uncle Meat Variations” – 4:46
4. “Electric Aunt Jemima” – 1:46
5. “Prelude to King Kong” – 3:38
6. “God Bless America” (Irving Berlin) – 1:10
7. “A Pound for a Brown on the Bus” – 1:29
8. “Ian Underwood Whips It Out” – 5:05
Lado C:
1. “Mr. Green Genes” – 3:14
2. “We Can Shoot You” – 2:03
3. “If We’d All Been Living in California…” – 1:14
4. “The Air” – 2:57
5. “Project X” – 4:48
6. “Cruisin’ for Burgers” – 2:18
Lado D:
1. “King Kong Itself [Played by the Mothers]” – 0:49
2. “King Kong II [Interpreted by Tom Dewild]” – 1:21
3. “King Kong III [Motorhead Explains It]” – 1:44
4. “King Kong IV [Gardner Varieties]” – 6:17
5. “King Kong V” – 0:34
6. “King Kong VI” [Live at Miami Pop Festival] – 7:24
CD
Disco 1:
1. “Uncle Meat: Main Title Theme” – 1:56
2. “The Voice of Cheese” – 0:26
3. “Nine Types of Industrial Pollution” – 6:00
4. “Zolar Czakl” – 0:54
5. “Dog Breath, in the Year of the Plague” – 3:59
6. “The Legend of the Golden Arches” – 3:28
7. “Louie Louie (At the Royal Albert Hall in London)” (Richard Berry) – 2:19
8. “The Dog Breath Variations” – 1:48
9. “Sleeping in a Jar” – :50
10. “Our Bizarre Relationship” – 1:05
11. “The Uncle Meat Variations” – 4:46
12. “Electric Aunt Jemima” – 1:46
13. “Prelude to King Kong” – 3:38
14. “God Bless America” (Irving Berlin) – 1:10
15. “A Pound for a Brown on the Bus” – 1:29
16. “Ian Underwood Whips It Out” – 5:05
17. “Mr. Green Genes” – 3:14
18. “We Can Shoot You” – 2:03
19. “If We’d All Been Living in California…” – 1:14
20. “The Air” – 2:57
21. “Project X” – 4:48
22. “Cruisin’ for Burgers” – 2:18
Disco 2:
1. “Uncle Meat Film Excerpt, Pt. 1″ – 37:34
2. “Tengo Na Minchia Tanta” – 3:46
3. “Uncle Meat Film Excerpt, Pt. 2″ – 3:50
4. “King Kong Itself [Played by the Mothers]” – 0:49
5. “King Kong II [Interpreted by Tom Dewild]” – 1:21
6. “King Kong III [Motorhead Explains It]” – 1:44
7. “King Kong IV [Gardner Varieties]” – 6:17
8. “King Kong V” – 0:34
9. “King Kong VI” [Live at Miami Pop Festival] – 7:24
Músicos
* Frank Zappa – guitarra, percussão, vocal
* Jimmy Carl Black – percussão, bateria
* Ray Collins – vocal
* Aynsley Dunbar – bateria
* Roy Estrada – baixo, vocal
* Bunk Gardner – clarineta, flauta, sopros, saxofone
* Ruth Komanoff – marimba
* Billy Mundi – bateria
* Don Preston – piano
* Euclid James Sherwood – saxofone, tamborim, vozes, coreografia
* Art Tripp – percussão, sinos, bateria, marimba, xilofone, vibrafone
* Ian Underwood – clarineta, flauta, piano, celeste, harpa, saxofone, sopros, orgão elétrico
* Nelcy Walker – vocais sopranos
* Pamela Zarubica como Suzy Creamcheese
Produção
* Frank Zappa – produtor
* Jesper Hansen – engenheiro
* Euclid James Sherwood – técnico de equipamento
* Art Tripp – publicidade
* Cal Schenkel – design
* Euclid James Sherwood – coreográfo
* Roy Estrada – desing
* Ian Underwood – relações públicas
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quarta-feira, abril 30th, 2008

O disco foi feito com a intenção de ser, simultâneamente, uma paródia e um tributo à música doo-wop que Frank e outros membros do Mothers cresceram ouvindo e eventualmente tocaram. Em vários aspectos, é uma colisão de artes grandes e baixas, como mudanças de acordes e ritmos incomuns são aplicados à canções de amor adolescente banais.
O nome “The Mothers of Invention” é simplesmente mencionado num balão de texto na capa, com o nome “Ruben & The Jets” tendo destaque. O disco foi tocado durante algum tempos nos EUA, e DJs os anunciavam como música de “Ruben & The Jets”. Quando um DJ descobriu que o disco na verdade era de Frank Zappa, imediatamente tirou a música do ar.
No balão de texto, está escrito: “Seria este disco do Mothers of Invention sob um nome diferente uma última tentativa infeliz de fazer a música ruim deles tocar no rádio?”
Em 1973, uma banda verdadeira de doo-wop contando com Ruben Guevara, Tony Duran, Robert “Frog” Camarena, Johhny Martinez, Robert “Buffalo” Roberts, Bill Wild, e Bob Zamora entraram em contato com Zappa e pediram permissão a ele para usar o nome Ruben and the Jets para a banda. Zappa não só permitiu, como também produziu o primeiro disco da banda, entitulado For Real! (”Para Valer!”), uma referência direta ao disco do Mothers com o “Ruben & The Jets falso”.
Em 1984, Zappa, infeliz com a qualidade sonora de Cruising with Ruben & the Jets, convocou Arthur Barrow e Chad Wackerman para regravar as linhas de baixo e bateria para o relançamento em CD. A versão original nunca foi relançada oficialmente em CD.
Faixas
1. “Cheap Thrills” (Zappa) - 2:39
2. “Love of My Life” (Collins, Zappa) - 3:08
3. “How Could I Be Such a Fool?” (Zappa) - 3:34
4. “Deseri” (Buff, Collins) - 2:08
5. “I’m Not Satisfied” (Zappa) - 4:08
6. “Jelly Roll Gum Drop” (Zappa) - 2:24
7. “Anything” (Collins) - 3:05
8. “Later That Night” (Zappa) - 3:00
9. “You Didn’t Try to Call Me” (Zappa) - 3:57
10. “Fountain of Love” (Collins, Zappa) - 3:22
11. “No. No. No.” (Zappa) - 2:15
12. “Any Way the Wind Blows” (Zappa) - 3:01
13. “Stuff Up the Cracks” (Zappa) - 4:36
Músicos
* Frank Zappa - guitarar, teclado, efeitos sonoros, vocal, vozes
* Jimmy Carl Black - guitarra, percussão, bateria
* Ray Collins - guitarra, vocal
* Roy Estrada - baixo, baixo elétrico, efeitos sonoros, vocal, vozes
* Bunk Gardner - saxofone
* Don Preston - baixo, piano, teclados
* Jim Sherwood - guitarra, vocal, sopros
* Euclid James “Motorhead” Sherwood - saxofone, tamborim
* Art Tripp - guitarra
* Ian Underwood - guitarra, piano, teclados, saxofone, sopros
* Arthur Barrow - baixo na versão em CD (não creditado)
* Chad Wackerman - bateria na versão em CD (não creditado)
Produção
* Produtor: Frank Zappa
* Engenheiro de som: Dick Kunc
* Capa: Cal Schenkel
* Design da Capa: Cal Schenkel
* Arte: Cal Schenkel
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quarta-feira, abril 30th, 2008

Lumpy Gravy é o primeiro disco solo de Frank Zappa, lançado em 1968. O conceito do disco começou a ser trabalhado em 1966 quando um produtor chamado Nick Venet deu à Zappa a oportunidade de gravar um disco de música orquestrada.
Foi originalmente feito para a Capitol Records numa versão muito diferente, lançada eventualmente no formato de cartucho, mas a MGM Records se recusou a permitir que o disco fosse lançado. Essa versão era totalmente orquestrada. De acordo com Zappa, a versão da Capitol de Lumpy Gravy é um dos seus lançamentos mais raros - se não o mais raro de todos.
Para que o disco pudesse chegar aos ouvintes, Zappa o reeditou e entregou uma versão completamente diferente para a MGM. O produto final consiste em peças musicais intercaladas com diálogos surreais gravados dentro de um piano.
O disco foi lançado depois de We’re Only in It for the Money, disco do Mothers of Invention, e contêm algumas conexões temáticas com ele; na contra-capa, há uma foto de Frank com um balão de texto, “Essa é a fase 2 de We’re Only in It for the Money?”, e o disco encerra com uma versão diferente de “Take Your Clothes Off When Your Dance”.
Foi feita uma mixagem alternativa do disco, com overdubs de bateria por Chad Wackerman, e overdubs de baixo por Arthur Barrow. Nunca foi lançado oficialmente na íntegra, mas uma parte foi lançada no box set Old Masters.
Faixas
1. “Lumpy Gravy, Part One” - 15:48
* “The Way I See It, Barry”
* “Duodenum”
* “Oh No”
* “Bit Of Nostalgia”
* “It’s From Kansas”
* “Bored Out 90 Over”
* “Almost Chinese”
* “Switching Girls”
* “At The Gas Station”
* “Another Pickup”
* “I Don’t Know If I Can”
2. “Lumpy Gravy, Part Two” - 15:51
* “Very Distraughtening”
* “White Ugliness”
* “Amen”
* “Just One More Time”
* “A Vicious Circle”
* “King Kong”
* “Drums Are Too Noisy”
* “Kangaroos”
* “Envelops The Bath Tub”
* “Take Your Clothes Off”
Diálogos
The Way I See It, Barry
* Spider: Do meu ponto de vista, Barry, esse deveria ser um show bem explosivo.
Bit Of Nostalgia
Spider: Um pouco de nostalgia para a velharada!
* Gilly: Estou advogando roupas pretas.
* Garota 1: Se eu não estiver sozinha… quanto tempo eu dormi?
* Gilly: Tanto quanto eu.
* Garota 2: Você já morou dentro de uma bateria?
* Garota #1: Não.
* Garota #2: Bem, então, você não é eu.
* Gilly: Eu só sonhei que morei dentro de uma bateria. Desde que ficou escuro. Sonhar é difícil.
* Garota 1: É, mas sem nada em cima da sua cabeça?
* Gilly: Não, só luz, em cima da minha cabeça. E embaixo também.
* Garota 1: Eu não sei se conseguiria sem nada em cima da minha cabeça.
* Garota 2: Mm-mmh, eu também não conseguiria.
* Garota 1: Bem, então por quê você não vai lá fora ver o que tem lá?
* Gilly: Bem… eu não sei se é isso que está lá fora.
* Garota 2: Isso sim que é um pensamento.
* Gilly: É…
* Garota 2: Se você quisesse…
* Gilly: Mas ainda dá para dizer que está ficando cada vez mais escuro. Eu não sei com que o lado de fora dessa coisa se parece.
* Homem 1: Eu sei. É escuro e sombrio.
* Spider: Como você faz para deixar a sua… a sua água tão escura?
* Homem 1: É que eu sou paranóico. Sou muito paranóico. E a água na minha máquina de lavar transforma simpatia em escuridão.
* Spider: Simpatia?
* Homem 1: Sim.
* Spider: Ahn… aonde eu arranjo isso?
* Homem 1: Na farmácia da sua cidade.
* Spider: Quanto é?
It’s From Kansas
* Homem 1: Vem do Kansas.
Bored Out 90 Over
* Motorhead: Furado com mais de 90 com 3 Stromberg de 97
Almost Chinese
* Larry: Quase chinês, hein?
* Garota 1: É!
* Motorhead: Coisa boa, porque eu estava conseguindo, uh… $2.71 por hora.
Switching Girls
* Motorhead: Eu continuo trocando de garotas o tempo todo, porque se eu conseguir achar uma garota com um carro bacana que ainda não tenha dado um gás na coisa… cara, eu vou ficar com ela durante um tempinho até eu dar um gás no carro dela e detonar o motor!
At The Gas Station
* Motorhead: Eu trabalhei para uma empresa de jornais fraquinha durante um tempo mas era horrível, eu não tava ganhando grana suficiente para montar nada.
(…)
* Motorhead: E depois eu trabalhei numa gráfica e nuns postos de gasolina. Ah, no posto de gasolina aonde eu trabalhei meu irmão tinha cabado de se casar, e uh… ele comprou um carro novo e a esposa dele estava esperando um bebê e tal, e ele precisa de um emprego, então eu arranjei um para ele no posto de gasolina daonde eu fui mandado embora porque ele ia trabalhar lá. E ele deixava o carro dele lá e ficava lubrificando e trocando os pneus e tudo ao mesmo tempo. E eles acabou sendo despedido porque ele tava dando mancada, bicho… ele ficava pegando peças e trabalhando no carro dele dia e noite. E então ele perdeu esse emprego e foi trabalhar em outro posto de gasolina. Ele pegou aquele porque assim ia dar para ele dar de comer pros filhos e tal. E eu fui trabalhar numa empresa de aviões, e uh… eu montava aviões. Eu trabalhei no XB-70, eu era o único soldados lá. É, mas, era coisa boa porque eu estava conseguindo, uh… $2.71 por hora. Eu fazia uns cento e pouco por semana, e uh… é, era grana que valia a pena trabalhar por ela, e eu consegui um Oldsmobile, dos bons. Mas eu tava com uma garota naquela época. Naquele momento eu tava com o Olds funcionando legal, mas ela saiu com ele e pifou o mortor, a transmissão e ela e uma amiga levaram ele prum canto e acabaram com ele, estragaram os bancos. Rasgaram tudo os bancos. Então uh… quando eu consegui um Olds de 56, que era dessa garota com quem eu tava, e uh… a gente ia por toda a parte com ele e finalmente ela se livrou daquilo, e uh… e arranjei outra pickup!
I Don’t Know If I Can Go Through This Again
Oh cara, eu não sei se vou conseguir passar por essa de novo!
Very Distraughtening
* Ronnie Williams: Buh-bah-bahdn
* Spider: Oh!
* John: Lá vai ele de novo…
* Spider: É um porquinho… com asas.
* Porco com Asas: EE . . .
* Homem Nojento: Ouvi dizer que você está tendo problemas com porcos e pôneis!
Canal esquerdo:
* Calvin: Para… o oposto… indo em volta da outra direção
Canal direito:
* Calvin: E a gente, não vamos ganhar nada?
* Gail: Não vamos ganhar nada…
* Calvin: Isso é muito desencorajador.
* Gail: Não ganhamos nada porque somos improváveis.
* Spider: Tudo no universo é… é… é feito a partir de um único elemento, que é uma nota, uma única nota. Átomos são na verdade vibrações, que são extensões da GRANDE NOTA, tudo é uma nota. Tudo, até os pôneis. A nota, no entanto, é o poder definitivo, mas olha, os porcos não sabem disso, os pôneis não sabem disso. Certo?
* Monica: Quer dizer que só a gente sabe disso?
* Spider: Exato!
* Spider: “Merry Go Round! Merry Go Round! Do-Do-Do-Do Do-Do-Do Do-Do-Do!” e chamam isso de “fazer a coisa deles”.
* John: Ah é, isto que é fazer a sua coisa!
* Spider: A coisa é colocar um motor em si próprio.
White Ugliness
* Louis: Grrr . . . Arf arf arf ar-ar-ar-ar-ar! O dente tá aqui fora, e pronto para atacá-los… eu tive que revidar e bater neles, tipo… sabe… bater e bater e bater, e… chutar e chutar e…
* Roy: Eles montaram em você?
* Louis: Não, eu revidei, revidei para valer, e, foi…
* Roy: Revidou para valer?
* Louis: Branco!
* Roy: Branco?
* Louis: É, feiúra branca.
* Roy: Tinha dentes?
* Louis: E eram dois, eram dois homens gosmentos que estavam do lado e, a gente já tinha… bloqueado a entrada, então eu tive que… eu tive que chutar, eu tive que lutar contra uns q-quatro ou cinco homens gosmentos na minha frente…
* Roy: E aí… mas talvez ele pudesse virar… queria saber se ele conseguria (…) PFFFT!
* Louis: Sim, extremamente viciante.
* Roy: Eu sei lá, esses po-… ouvi dizer que esses pôneis são bem viciantes!
* Louis: Eu sei… mas, eu sei que são viciantes, mas eles…
* Roy: As garras deles!
* Louis: Ele n-n… ele não precisava estar pronto para fazer isso.
* Roy: Eles montaram em você, e te machucaram.
* Louis: Eu sei…
* Roy: Tee . . .
* Louis: Cicatriz aqui, tá vendo, cicatriz bem aqui. É…
* Roy: Presas pro cordeiro! Presas pro cordeiro! Eu quero dizer, dedão pro ca-… meu, tomara que eles não peguem ele.
* Louis: Pôneis! S-s-se-se, se fosse…
* Roy: Era todo branco? Tem certeza que não era b-branco, quero dizer, uh, preto, ou…
* Louis: Bom, eu acho que eram brancos, mas eu tava com muito medo para prestar atenção na fisionômia deles…
* Roy: Dourado ou algo assim?
* Louis: Eu tava com muito, eu tava com muito medo para pres… p-pres… uh-pres… uh-prestar atenção na fisionômia deles, ahh… aparência, porque eles… eles-eles estavam me atacando!
* Roy: Estavam?
* Louis: É, estavam… estavam me atancado!
* Roy: O que eles estavam fazendo com você?
* Louis: Bom, eles estavam… estavam tipo, estavam… vindo para cima de mim e me cercando e tudo o mais, e estavam me atacando, e então eu tive que revidar, revidei, revidei e revidei… peguei umas varetas…
* Roy: Pega-varetas?
* Louis: É, peguei varetas, sabe?
* Roy: Eu brincava disso, pega-varetas.
* Louis: Eu também, já brincou disso?
* Roy: Já!
* Louis: É! Era divertido! HA HA HA!
* Roy: Enfim, volta pro cavalo… volta pro cavalo? Pro pônei!
* Louis: HA HA HA HA! Bom…
* Roy: Enfim…
* Louis: Sim, pônei, ou…
* Roy: Presidente…
* Louis: Ou papa, sei lá, ah, sei lá…
* Roy: Eu não sei…
* Louis: Há algo perigoso lá embaixo.
* Roy: Será que é um cigarro ou algo assim?
* Louis: É…
* Roy: Um cigarro?
* Louis: Um cigarro? Não, você tá doido, qual é!
* Roy: Nããã, não… eu lembro quando eu era… não, eu não lembro. Já faz tempo!
* Louis: Rapaz, você tem que passar tua vida inteira lá embaixo!
* Roy: Foi antes do tempo desses cavalos.
* Louis: Sim, antes do tempo desses… de todos esses… ow-uh… pôneis ou homens gosmentos ou coisas assim por aí.
* Roy: Mas tinha um… o que era? Não tinha espinhas?
* Louis: Não, nunca tive.
* Roy: Tá bom!
* Louis: Afirmativo.
* Roy: Você deve ter tido.
* Louis: Não, não…
* Roy: Você tem uma no nariz agora mesmo!
* Louis: HA HA HA HA! Coça-ça-ça! Coçando…
* Roy: Cara, tô ficando cansando, meu. Temos que ir…
* Louis: Ah, sim…
* Roy: Temos que ir dormir.
* Louis: Ah, sim…
* Roy: Eu só espero que ele volte…
* Louis: Sim… Ouça!
* Roy: Eu acho que vou rezar por ele.
* Louis: Eu acho que vou também.
* Roy: Você reza a tua e eu rezo a minha…
* Louis: Tá… HA HA HA HA!
* Roy: E esperamos o melhor. HEH HEH HEH!
* Louis: HA HA HA HA HA! Vou rezar por (…) Motorhead
* Roy: Agora eu me deito para dormir…
Amen
* Roy: Amén!
* Louis: Amén…
Just One More Time
* Ronnie Williams: Ah, sim! Isso é ótimo! Vamos rapazes! Só mais uma vez!
* Spider: Eu acho que posso explicar… como a música dos porcos funciona.
* Monica: Bom, isso deve ser interessante.
* Spider: Lembre-se que eles fazem música com uma luz bem densa, e lembre-se da fumaça parada e como eles… eles ficam reprimidos quando você tenta se mexer na fumaça, certo?
* Monica: Certo
* John: Ah, é?
* Spider: Eu acho que a música naquela luz densa provavelmente é o que faz a fumaça ficar parada. Qualquer tipo de movimento tem esse efeito nas… nas crinas dos pôneis. Sabe, a coisa no pescoço.
* John: Hmm . . .
* Spider: Assim que a crina do pônei começa a ficar boa atrás qualquer tipo de mo… movimento, especialmente de fumaça ou gás, começa a última separação.
* John: Essa é a base de todo o nacionalismo deles. Como se eles não pudessem saudar na fumaça toda manhã quando eles acordam…
* Spider: Isso aí, é um círculo vicioso. Você entendeu.
A Vicious Circle
* Homem Nojento: Pônei!
Drums Are Too Noisy
* Larry: As baterias são muito barulhentas, e você não tem aonde se esconder!
* John: Então quando ela estava batendo nele no nariz com uma chave de boca, os dois pularam e desapareceram, e o porco vai se virar e vai ter esse pônei.
Kangaroos
* Spider: Oh não, cara…
* Monica: Oh…
* Spider & Monica: Cangurus!
* Monica: E eles comem quando chegam em casa.
* John: Se ainda tiver vida.
* Spider: Guarda a banheira.
Envelops The Bath Tub
* Calvin: Porque as coisas estão… estão chatas… hhh…
Músicos
* Frank Zappa - guitarra, teclado, vocal
* All Nite John - coro
* John Balkin - baixo
* Dick Barber - vocal
* Arnold Belnick - cordas
* Harold Bemko - cordas
* Chuck Berghofer - baixo
* Jimmy Carl Black - percussão, bateria, coro
* Jimmy Bond - baixo
* Bruce - coro
* Dennis Budimir - guitarra
* Frank Capp - bateria
* Donald Christlieb - sopros
* Gene Cipriano - sopros
* Eric Clapton - guitarra
* Vincent DeRosa - metais
* Joseph DiFiore - cordas
* Jesse Ehrlich - cordas
* Alan Estes - percussão, bateria
* Gene Estes - percussão
* Roy Estrada - baixo, vocal
* Larry Fanoga - vocal, coro
* Victor Feldman - percussão, bateria
* Bunk Gardner - sopros
* James Getzoff - cordas
* Gilly - coro
* Philip Goldberg - cordas
* John Guerin - bateria
* Jimmy “Senyah” Haynes - guitarra
* Harry Hyams - cordas
* J.K. - coro
* Jules Jacob - sopros
* Pete Jolly - piano, celeste, harpa, teclado
* Ray Kelly - cordas
* Jerome Kessler - cordas
* Alexander Koltun - cordas
* Bernard Kundell - cordas
* William Kurasch - cordas
* Michael Lang - piano, celeste, harpa, teclado
* Arthur Maebe - metais
* Leonard Malarsky - cordas
* Shelly Manne - bateria
* Lincoln Mayorga - piano, celeste, harpa, teclado
* Euclid James “Motorhead” Sherwood - coro
* Ted Nash - sopros
* Patrick O’Hearn - baixo, sopros
* Richard Parissi - metais
* Don Preston - baixo, teclados
* Pumpkin - coro
* Jerome Reisler - cordas
* Emil Richards - percussão
* Tony Rizzi - guitarra
* Ronnie - chorus
* John Rotella - percussão, sopros
* Joseph Saxon - cordas
* Ralph Schaeffer - cordas
* Leonard Selic - cordas
* Kenny Shroyer - trombone
* Paul Smith - piano, celeste, harpa, teclaod
* Tommy Tedesco - guitarra
* Al Viola - guitarra
* Bob West - baixo
* Ronny Williams
* Tibor Zelig - cordas
* Jimmy Zito - trompete
Produção
* Produtor: Frank Zappa
* Engenheiro de som: Gary Kellgren
* Remixagem: Bob Stone
* Arranjos: Frank Zappa
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quarta-feira, abril 30th, 2008

A sonoridade do disco reúne elementos bem diversos, como doo-wop da década de 50, surf music da década de 60 e experimentos sonoros orquestrais vanguardistas. O álbum é uma paródia da cultura hippie e uma sátira da natureza superficial da vida nos Estados Unidos. O disco alcançou a 30ª posição na parada americana da Billboard.
O disco foi incluindo na lista de “Melhores Álbums Psicodélicos de Todos os Tempos” da revista Q.
A música Flower Punk é baseada em Hey Joe de Jimi Hendrix, que aparece na capa.
História
Em 1967, Zappa concebeu a idéia de um disco, Our man in Nirvana, que combinaria música da sua banda, The Mothers of Invention com piadas do comediante Lenny Bruce (que havia feito um show com Zappa no The Filmore em 1966). No entanto, quando Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles foi lançado e Zappa percebeu seu efeito cultural, ele sentiu que a então popular cena flower power iria continuar a ter influência na cultura popular. Consequentemente, ele decidiu substituir seu projeto por um álbum satiríco que parodiasse cada aspecto ciníco da situação atual, de Sgt. Pepper e da sociedade americana na década de 60. O único vestígio da idéia original está em Harry, You’re A Beast, que contêm a frase “Don’t come in me, in me, in me…” (”Não goze em mim, em mim, em mim…”), uma referência a uma piada recorrente nas apresentações de Lenny Bruce sobre ejaculação.
Censura
Os lançamentos iniciais do disco possuíam vários versos editados ou removidos, sob alegação de serem ofensivos. O consenso geral é de que Frank foi o responsável pela primeira série de cortes, numa possível tentativa de impedir que terceiros editassem seu trabalho. No entanto, a Verve é provavelmente a responsável pela segunda série de cortes. Essas duas versões são distinguidas como “censurada” e “altamente censurada”. Entre as faixas afetadas, estão:
* Who Needs the Peace Corps?: a fala “I will love the police as they kick the shit out of me” (”Eu vou amar a polícia enquanto eles me chutam”) foi cortada na versão altamente censurada.
* Concentration Moon: O sussuro de Gary Kellgren dizendo que The Mothers of Invention e The Velvet Underground são uma merda foi cortado. Existem três versões dessa censura: a versão mais comum (e o relançamento de 1995) removeu completamente o verso, a versão altamente censurada removeu apenas o “shitty” (correspondente à “merda”), enquanto as versões canadenses do LP mantiveram o verso intacto.
* Absolutely Free: A fala de Suzy Creamcheese “I don’t do publicity balling for you any more” (”Eu não faço mais bolinação publicitária para você”) e a afirmação “Flower power sucks!” (”Flower power é uma droga!) foram removidos na versõa altamente censurada.
* Let’s Make the Water Turn Black: Vários versos da música foram removidos na versão altamente censurada.
* Mother People: um verso contendo as palavras fucking e shitty foram substituídos; o original foi revertido e anexado à faixa Hot Poop (a versão altamente censurada retirou até o verso ao contrário). O verso é: “Better look around before you say you don’t care/Shut your fucking mouth ’bout the length of my hair/how would you survive/if you were alive/shitty little person?” (”É melhor olhar à sua volta antes de dizer que não se importa/Cala a porra da tua boca quando for falar do tamanho do meu cabelo/Como você sobreviveria/Se estivesse vivo/Pessoinha de merda?”)
A versão de 1986 do disco, com novas linhas de bateria e baixo, restaurou esses versos, enquanto a versão de 1995 com as novas partes musicais recolocou a censura americana.
Arte da capa
A capa que Zappa originalmente queria usar parodiava a capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles. A capa dupla de Sgt. Pepper traz uma colagem com pessoas famosas feita por Peter Blake na parte frontal e uma foto da banda no lado de dentro. A gravadora demandou que Zappa colocasse a paródia do lado de dentro e uma foto da banda do lado de fora. Um relançamento da Rykodisc em CD restaura a idéia original de Zappa, com a paródia na frente. Perto da cabeça de Zappa, há um balão de fala, aonde ele está questionando “Essa é a fase um de Lumpy Gravy?”
Faixas
Todas as faixas de Frank Zappa
1. “Are You Hung Up?” - 1:25
2. “Who Needs the Peace Corps?” - 2:34
3. “Concentration Moon” - 2:22
4. “Mom and Dad” - 2:16
5. “Telephone Conversation” - 0:49
6. “Bow Tie Daddy” - 0:33
7. “Harry, You’re a Beast” - 1:21
8. “What’s the Ugliest Part of Your Body?” - 1:03
9. “Absolutely Free” - 3:24
10. “Flower Punk” - 3:03
11. “Hot Poop” - 0:26
12. “Nasal Retentive Calliope Music” - 2:02
13. “Let’s Make the Water Turn Black” - 2:01
14. “The Idiot Bastard Son” - 3:18
15. “Lonely Little Girl” - 1:09
16. “Take Your Clothes Off When You Dance” - 1:32
17. “What’s the Ugliest Part of Your Body? (Reprise)” - 1:02
18. “Mother People” - 2:26
19. “The Chrome Plated Megaphone of Destiny” - 6:26
Músicos
* Frank Zappa - guitarra, piano, vocal, vozes
* Dick Barber - Ruídos vocais
* Jimmy Carl Black - bateria, trompete, vocal
* Eric Clapton - Falas
* Roy Estrada - baixo elétrico, vocal
* Bunk Gardner - sopros, sussuros
* Gary Kellgren - apito
* Billy Mundi- bateria, vocal
* Don Preston - teclado
* Euclid James “Motorhead” Sherwood - saxofone, vozes
* Spider
* Ian Underwood - piano, teclado, sopros, vozes
* Pamela Zarubica - voz de Suzy Creamcheese
* Arthur Barrow - Linhas de baixo adicionais da versão de 1984
* Chad Wackerman - Linhas de bateria adicionais da versão de 1984
* Sid Sharp - Maestro das orquestrações
Produção
* Produtor: Frank Zappa
* Produtor executivo: Tom Wilson
* Engenheiros: Gary Kellgren, Dick Kunc
* Mixagem: Dick Kunc
* Edição: Dick Kunc, Frank Zappa
* Arranjos: Frank Zappa
* Conceito: Frank Zappa
* Direção de arte: Cal Schenkel
* Design: Cal Schenkel
* Arte: Cal Schenkel
* Fotografia: Jerry Schatzberg
* Figurino: Tiger Morse
* Figurinista: Billy Mundi
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quarta-feira, abril 30th, 2008

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Absolutely Free (1967) é o segundo disco do The Mothers of Invention, grupo liderado por Frank Zappa. Seguindo o debut da banda, Freak Out!, Absolutely Free novamente apresenta músicas de composição complexa com sátiras políticas e sociais. Esse segundo disco traz novos integrantes para a banda: O saxofonista Bunk Gardner e o tecladista Don Preston.
Este disco se foca mais nos momentos interconectados, sendo que cada lado da versão em vinil era uma mini-suíte. Também apresenta uma das músicas mais famosas desse perído inicial da carreira de Zappa, Brown Shoes Don’t Make It, uma faixa que certa vez foi descrita como “um musical inteiro compresso em 8 minutos.”
A versão em CD incorpora um single lançado pela banda na época, colocado entre os lados A e B, contendo as músicas Why Dontcha Do Me Right? e Big Leg Emma, ambos descritos como tentativas idiotas de fazer música idiota para adolescentes idiotas.
No seu livro Necessity Is…, o ex-membro Ray Collins diz que Absolutely Free é provavelmente seu disco favorito da formação clássica do Mothers.
Faixas
1. “Plastic People” - 3:42
2. “The Duke of Prunes” - 2:13
3. “Amnesia Vivace” - 1:01
4. “The Duke Regains His Chops” - 1:52
5. “Call Any Vegetable” - 2:15
6. “Invocation and Ritual Dance of the Young Pumpkin” - 7:00
7. “Soft-Sell Conclusion” - 1:40
8. “Big Leg Emma” - 2:31
9. “Why Don’tcha Do Me Right?” - 2:37
10. “America Drinks” - 1:52
11. “Status Back Baby” - 2:54
12. “Uncle Bernie’s Farm” - 2:10
13. “Son of Suzy Creamcheese” - 1:34
14. “Brown Shoes Don’t Make It” - 7:30
15. “America Drinks and Goes Home” - 2:46
Músicos
The Mothers of Invention
* Frank Zappa - guitarra, vocal
* Ray Collins - vocal, tamborim
* Jim Fielder - guitarra, piano
* Don Preston - teclado
* Bunk Gardner - sopros
* Roy Estrada - baixo, vocal
* Jimmy Carl Black - bateria, vocal
* Billy Mundi - bateria, percussão
Adicionais
* Don Ellis - trompete em Brown Shoes Don’t Make It
* John Rotella - percussão
* Pamela Zarubica - voz de Suzy Creamcheese
* Herb Cohen
* Lisa Cohen
* Kurt Retar
* Terry Gilliam - efeitos sonoros
Produção
* Produtores: Frank Zappa, Tom Wilson
* Engenheiro de som: Val Valentine
* Engenheiro de som: Ami Hadani
* Mixagem: David Greene
* Arranjos: Frank Zappa
* Design da capa: Ferenc Dobronyi, Cal Schenkel
* Design do layout: Frank Zappa
* Foto da capa: Alice Ochs
* Arte da capa: Frank Zappa
* Fotografia: Jerry Deiter
* Arte: Alice Ochs
* Colagem: Frank Zappa
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quarta-feira, abril 30th, 2008

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Freak Out! é o disco de estréia de Frank Zappa e da sua banda, The Mothers of Invention. Lançado em 1966, foi um dos primeiros álbuns duplos da história. Foi o primeiro álbum conceptual do Rock, onde Zappa denigre os valores políticos da América, e também goza com a contra-cultura da época. Uma personagem recorrente no disco é Suzy Creamcheese, que apareceria em vários outros discos de Zappa.
De acordo com Paul McCartney, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles tem muita influência de Freak Out!. Entre as semelhanças entre os dois discos, estão as sonoridades psicadélicas e o fato de serem duas obras conceptuais.
Em 2003, o disco alcançou a posição de número 243 na lista de 500 maiores discos de todos os tempos da revista Rolling Stone.
Todas as músicas foram compostas por Frank Zappa, exceto Go Cry On Somebody Else’s Shoulder, por Frank Zappa e Ray Collins.
1. “Hungry Freaks, Daddy” - 3:27
2. “I Ain’t Got No Heart” - 2:30
3. “Who Are the Brain Police?” - 3:22
4. “Go Cry on Somebody Else’s Shoulder” - 3:31
5. “Motherly Love” - 2:45
6. “How Could I Be Such a Fool?” - 2:12
7. “Wowie Zowie” - 2:45
8. “You Didn’t Try to Call Me” - 3:17
9. “Any Way the Wind Blows” - 2:52
10. “I’m Not Satisfied” - 2:37
11. “You’re Probably Wondering Why I’m Here” - 3:37
12. “Trouble Every Day” - 6:16
13. “Help, I’m a Rock” - 8:37
14. “It Can’t Happen Here” - 3:56
15. “The Return of the Son of Monster Magnet” - 12:17
Músicos
[editar] The Mothers of Invention
* Frank Zappa - guitarra e vocais
* Ray Collins - vocalista principal, harmônica, tamborim, címbalo
* Jimmy Carl Black - bateria
* Roy Estrada - baixo, guitarra, vocal soprano
* Elliot Ingber - guitarra
[editar] Músicos de apoio
* Gene Estes - percussão
* Eugene Di Novi - piano
* Neil Le Vang - guitarra
* John Rotella - clarinete, saxofone
* Kurt Reher - violoncelo
* Raymond Kelley - violoncelo
* Paul Bergstrom - violoncelo
* Emmet Sargeant - violoncelo
* Joseph Saxon - violoncelo
* Edwin V. Beach - violoncelo
* Arthur Maebe - trompa, tuba
* George Price - trompa
* John Johnson - tuba
* Carol Kaye - guitarra de 12 cordas
* Virgil Evans - trompete
* David Wells - trombone
* Kenneth Watson - percussão
* Plas Johnson - saxofone, flauta
* Roy Caton
* Carl Franzoni - vozes
* Vito - vozes
* Kim Fowley
* Benjamin Barrett
* David Anderle
* Motorhead Sherwood - ruídos
* Mac Rebennack (Dr John) - piano
* Paul Butterfield
* Les McCann - piano
* Jeannie Vassoir - Suzy Creamcheese
[editar] Equipe técnica
[editar] Produção
* Tom Wilson - Produtor
* Val Valentin - Engenheiro de som
* Ami Hadani - Engenheiro de som
* Tom Hidley - Engenheiro de som
[editar] Arte gráfica
* Jack Anesh - Design da capa
* Ray Leong - fotógrafo
[editar] Carta de Suzy Creamcheese
Na contra-capa do disco, há uma mensagem de Suzy Creamcheese:
“Estes Motheres são doidos. Dá pra ver pelas roupas deles. Um deles usa colar de missangas e todos fedem pra caramba. Nós íamos pegá-los para dançar depois de um jogo de basquete, mas a minha melhor amiga me avisou que nunca dá pra saber quantos deles vão aparecer… às vezes o cara de casaco de pele nem aparece e às vezes ele aparece com um bando de gente doida como ele e ficam dançando por toda parte. Ninguém da minha escola gosta desses Mothers… especialmente desde que minha professora contou pra gente o que as palavras nas canções querem dizer.
Sinceramente para sempre,
Suzy Creamcheese
Salt Lake City, Utah.”
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quarta-feira, abril 30th, 2008
01 - Freak Out! (1966)
02 - Absolutely Free (1967)
03 - We’re Only in It for the Money (Janeiro 1968)
04 - Lumpy Gravy (13/05/1968)
05 - Cruising with Ruben & the Jets (Outubro 1968)
06 - Mothermania: The Best of Mothers in Invention (Março 1969)
07 - Uncle Meat (21/04/1969)
08 - Hot Rats (10/10/1969)
09 - Burnt Weeny Sandwich (09/02/1970)
10 - Weasels Ripped My Flesh (10/08/1970)
11 - Chunga’s Revenge (23/10/1970)
12 - Fillmore East - June 1971 (02/08/1971)
200 Motels (04/10/1971)
Just Another Band From L.A. (26/03/1972)
Waka/Jawaka (05/07/1972)
The Grand Wazoo (27/11/1972)
Over-Nite Sensation (07/09/1973)
Apostrophe (22/04/1974)
Roxy & Elsewhere (10/09/1974)
One Size Fits All (25/06/1975)
Bongo Fury (02/10/1975)
Zoot Allures (29/10/1976)
Zappa in New York (13/03/1978)
Studio Tan (15/09/1978)
Sleep Dirt (12/01/1979)
Sheik Yerbouti (03/03/1979)
Orchestral Favorites (04/05/1979)
Joe’s Garage (03/09/1979 - Act I) - (19/11/1979 Acts II & III)
Tinsel Town Rebellion (1981)
Shut Up ‘N’ Play Yer Guitar (1981)
You Are What You Is (1981)
Ship Arriving Too Late To Save A Drowning Witch (1982)
The Man From Utopia (1983)
Baby Snakes (1983)
London Symphony Orchestra vol 1 (1983)
Boulez Conducts Zappa: The Perfect Stranger (1984)
Them or Us (1984)
Thing-Fish (1984)
Francesco Zappa (1984)
Frank Zappa Meets The Mothers Of Prevention (1985)
Does Humor Belong In Music? (1986)
Jazz From Hell (1986)
London Symphony Orchestra vol 2 (1987)
Guitar (1988)
You Can’t Do That on Stage Anymore, Vol. 1 (1988)
You Can’t Do That on Stage Anymore, Vol. 2 (1988)
Broadway The Hard Way (1989)
You Can’t Do That on Stage Anymore, Vol. 3 (1989)
The BRT Big Band Plays Frank Zappa (BRT Big Band) (1990)
The Best Band You Never Heard In Your Life (1991)
You Can’t Do That on Stage Anymore, Vol. 4 (1991)
Make a Jazz Noise Here (1991)
Beat The Boots I (1991):
o As An Am (1981-82)
o The Ark (album) (1968}
o Freaks & Motherfu*#@%! (1970)
o Unmitigated Audacity (1974)
o Anyway The Wind Blows (Duplo) (1979)
o ‘Tis The Season To Be Jelly (1967)
o Saarbrucken 1978 (1978)
o Piquantique (1973)
Beat The Boots II (1992):
o Disconnected Synapses (1970)
o Tengo Na Minchia Tanta (1970)
o Electric Aunt Jemima (1968)
o At The Circus (1978)
o Swiss Cheese/Fire! (Duplo) (1971)
o Our Man In Nirvana (1968)
o Conceptual Continuity (1976)
You Can’t Do That on Stage Anymore, Vol. 5 (1992)
You Can’t Do That on Stage Anymore, Vol. 6 (1992)
Playground Psychotics (1992)
Yahozna Plays Zappa (Yahonza) (1992)
Ahead of Their Time (1993)
Zappa’s Universe - A Celebration Of 25 Years Of Frank Zappa’s Music (Joel Thorne/Orchestra of Our Time)(1993)
The Yellow Shark (Ensemble Modern) (1993)
Civilization, Phaze III (1994)
Harmonia Meets Zappa (Harmonia Ensemble) (1994)
Strictly Commercial (1995)
Music By Frank Zappa (Omnibus Wind Ensemble) (1995)
The Lost Episodes (1996)
Läther (1996)
Frank Zappa Plays the Music of Frank Zappa: A Memorial Tribute (1996)
Have I Offended Someone? (1997)
Frankincense: The Muffin Men Play Zappa (Muffin Men) (1997)
Mystery Disc (1998)
Cucamonga Years: The Early Works of Frank Zappa 1962-1964 (1998)
Cheep Thrills (1998)
Son of Cheep Thrills (1999)
Everything Is Healing Nicely (1999)
Frankly A Cappella (The Persuasions) (2000)
The Zappa Album (Ensemble Ambrosius) (2000
Bohuslän Big Band plays Frank Zappa (Bohuslän Big Band) (2000)
FZ:OZ (2002)
Halloween (2003)
Zappa: Greggery Peccary & Other Persuasions (Ensemble Modern) (2003)
Joe’s Corsage (2004)
Joe’s Domage (2004)
QuAUDIOPHILIAc (2004)
Joe’s XMasage (2005)
Imaginary Diseases (2006)
Trance-Fusion (2006)
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quarta-feira, abril 30th, 2008
Frank Zappa
Discografia do Frank Zappa

Sei que, sei lá, hoje em dia as pessoas ouvem mais axé, pagode, funk, e outras merdas musicais (o funk atual não tem nada a ver com o maravilhoso funk dos 70 de bandas como Funkadelic e Parliament, por exemplo). Então, escrever sobre o Frank Zappa é quase até suicida, visto que poucos o conheciam - ao menos no Brasil. E como ele já é falecido há quase 15 anos (morreu em 04/12/1993), a tarefa torna-se ainda mais heróica.
Bom, escrevo este artigo para aqueles - como eu - que gostam de olhar para o passado e ver “o que ainda há de bom por lá que eu ainda não conheço”. Podem falar mal da internet, que ela trouxe junto a pirataria, a troca de arquivos e tal, mas graças a ela, a vários blogs, de pessoas que não querem lucrar nada, mas apenas disponibilizar para os outros, maravilhas como o nosso grande Zappa. Sei que quem quiser comprar os cd´s dele vai achar, mas eu, assim como vários - suponho - gosto de conhecer novos e vários sons. Baixo um disco, ouço, se é bom ouço mais ainda. E compro depois, na loja, já que tenho um perfil meio colecionador e gosto de exibir na minha estante o que há de melhor nas artes Literatura, Cinema e Música.
Bom, voltando ao Zappa, seu nome completo é Frank Vincent Zappa. Nasceu em 21/12/1940, Baltimore, Maryland e morreu no já citado 04/12/1993, em Laurel Canyon, Los Angeles, Califórnia. Foi um dos músicos e compositores mais prolíficos do século XX. A sua obra musical estende-se desde o rock até à música clássica, passando pelo jazz e fusion. É também guitarrista de suprema invenção. Para além da obra musical, realizou filmes e escreveu diversos livros. O seu acervo, com milhares de concertos e gravações que foi fazendo ao longo dos seus quase trinta anos de atividade permanece ainda parcialmente inédito.
Zappa ficou conhecido como um grande “tirador de sarro” pelas suas composições iconoclastas e foi pioneiro do estilo freak rock, além de ser um pioneiro na fusão do jazz com a música clássica. Como guitarrista, foi várias vezes, e sem razão, subestimado, deixando, entre variadíssimas outra coisas, um legado fantástico de solos eletrizantes. Ele próprio nunca se considerou um instrumentista virtuoso, assumindo-se acima de tudo como compositor.
Em 1964, em Los Angeles, fundou o grupo Mothers of Invention, a partir dos Soul Giants (antiga banda de bares). O nome devia ter sido apenas Mothers, mas “por necessidade” como explica, e por a editora se recusar a editar um disco cujo nome era evidentemente uma contração de Motherfuckers. Devido ao seu rigor na execução técnica das canções e à não admissão do uso de drogas durante os ensaios e apresentações (ele próprio nunca as consumia - certa vez dise que tinha apenas dois vícios: café e cigarro), Zappa via mudar frequentemente a composição do grupo. Nos seus espetáculos, combinava música experimental improvisada onde estavam sempre presentes as suas comédias surrealistas e sátiras anárquicas, com adereços especiais e improvisações dramáticas. Entre os músicos que ele lançou estão nomes como Jean-Luc Ponty, Steve Vai, Bob Martin e muitos outros.
Zappa, sempre ativista em campanhas e movimentos, chegou a candidatar-se à presidência dos EUA. O projeto foi abortado pela súbita doença que o atacou.
Se a sua personalidade complexa e a sua música, muitas vezes controversa e difícil, fazem com que seja atacado por muitos, é por outros considerado um dos maiores gênios musicais de todos os tempos.
Faleceu devido a um câncer na próstata.
Aparições
* Zappa fez uma apresentação no Steve Allen Show em 1963. Frank apresentou um número de percussão executado em uma bicicleta.
* Ele fez um cameo no filme Head (1968), do The Monkees, ao lado de uma vaca falante. Ele também apareceu em um episódio da séries dos Monkees, The Monkees Blow Their Minds (exibido originalmente em 11 de Março de 1968). No episódio, ele foi mostrado “tocando” um carro - a trilha-sonora da cena era a música Mother People. Zappa concordou em aparecer no programa, contando que ele pudesse interpretar Michael Nesmith. Nesmith aprovou a idéia, desde que ele pudesse ser Zappa. Os dois se fantasiaram exageradamente um do outro, e Zappa foi entrevistado por Nesmith.
* Ele se apresentou (ao lado da banda na época, com Flo & Eddie na formação) no programa de entrevistas de Dick Cavett no início da década de 70.
* Ele participou do programa What’s My Line, em 1971.
* Zappa foi o apresentador e o convidado musical de um episódio da quarta temporada de Saturday Night Live, em Outubro de 1978. Seu senso de humor incomum e o fato de ter olhado para a câmera várias vezes fez com que Lorne Michaels banisse o episódio, assim como também baniu os episódios com Louise Lasser e Milton Berle. Isto, no entanto, acabando sendo temporário, já que o episódio de Zappa foi reprisado algumas vezes na NBC. No mesmo episódio, ele interpretou o namorado de Connie Conehead, dos Coneheads (uma família de extraterrestres). Ele também participou de outra esquete, chamada “Night of Freak Moutain” (”A Noite da Montanha Bizarra”), na qual Zappa encontra dois hippies que lhe oferecem vários tipos de drogas, as quais ele recusa, afirmando que “eu não uso drogas”. Os hippies se surpreendem com sua reação.
* Na performance musical, Zappa tocou Peaches En Regalia (com participação da orquestra do Saturday Night Live) e I’m The Slime, com participação do narrador do programa Don Pardo. Pardo repetiria a participação no disco ao vivo Zappa In New York.
* Ele interpretou um traficante de drogas no episódio Payback, de Miami Vice.
* Em 1984, ele interpretou o corcunda Attilla no episódio “The Boy Who Left Home to Find Out About the Shivers” de Faerie Tale Theatre (programa exibido no Brasil pela TV Cultura com o nome de Contos de Fadas).
* Zappa fez a voz do Papa no episódio In The Army/Powdered Toast Man de Ren & Stimpy, em 1992.
* Música dos primeiros álbuns dos Mothers of Invention foi usada no filme Medium Cool, de 1969.
* O desenho animado Duckman contêm música composta por Zappa e executada no synclavier. Além disso, o filho de Zappa, Dweezil, dubla um personagem no programa.
* A música de Zappa tem uma grande importância na peça This is Out Youth, de Kenneth Lonergan.
* Dirty Love foi usada no filme The Ice Storm, de 1997.
* Watermelon In Easter Hay é executada nos créditos de Y Tu Mamá También, de 2001.
[editar] Menções
* Zappa foi mencionado várias vezes na série Mystery Science Theater 3000, devido ao fato do escritor e ator Kevin Murphy ser um grande fã do músico. O episódio que contêm o filme Village of the Giants é dedicado à memória de Zappa. Uma lista completa de referências feitas à Zappa pode ser encontrada nesse site (em inglês).
* A revista belga Humo contanstemente mencionava a semelhança entre Zappa e o editor-chefe Guy Mortier.
* Há um personagem chamado Zappa no game de luta Guilty Gear XX.
* Em Sim City 3000, um dos prédios da zona industrial é chamado “Utility Muffin Research Kitchen” (algo como “Cozinha de Pesquisa para as Utilidades do Bolinho”), nome de um estúdio caseiro de gravação de Zappa, cujo nome apareceu pela primeira vez na música Muffin Man.
* No anime/mangá Rave Master, há um lugar chamado Garage Island (”Ilha da Garagem”), cujo lema é “Toda a boa música começa na Garagem”, uma frase de Zappa.
* No DVD Live at Budokan da banda de metal progressivo Dream Theater, durante uma passagem similar à música de Zappa no meio do solo estendido em Beyond This Life, uma cena de Zappa aparece no telão.
* No filme de animação Dirty Duck, a face de Zappa aparece no horizonte como se fosse um sol. Há também uma menção ao filme 200 Motels. Ambas referências vêm do fato de Flo & Eddie atuarem no filme, e também porque o estúdio de animação que produziu Dirty Duck também produziu a sequência animada de 200 Motels.
* Ele é mencionado no filme The Banger Sisters.
* Ele é mencionado na letra da música “Smoke On The Water”, da banda Deep Purple.
Discografia do Frank Zappa
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domingo, abril 27th, 2008
FONTE: http://letsseeaction.blogspot.com/2007/12/entrevista-2-edio.html
ORIGINAL (em inglês): http://www.rollingstone.com/artists/ke…moon_bites_back

Uma entrevista longa e reveladora - e muito rara, das poucas vezes em que Keith Moon estava sério.
Rolling Stone - 21/12/1972
Keith Moon contra-ataca
Uma entrevista de multidecibéis com o selvagem do Who
por Jerry Hopkins
tradução por Vinícius Mattoso
É PROVAVELMENTE CONVENIENTE QUE KEITH Moon toque o instrumento mais agressivo, a bateria, num dos grupos mais explosivos, o Who, pois Moon parece visivelmente mais ultrajante e violento do que a maioria de seus contemporâneos. Em seu rastro por um período de dez anos, mais de um terço de sua vida, ele deixou uma trilha de garrafas vazias de Courvoisier, kits de bateria desmembrados, automóveis arruinados e quartos de hotel destruídos, pontuando cada incidente com um uivo de completo prazer e alegria.
Existem incontáveis “Histórias de Keith Moon” circulando por aí, e Keith relembra várias delas nesta entrevista. Infelizmente, muito se perde ao transpormos Moon para o papel. Seus gestos enérgicos em torno da sala, suas várias imitações vocais e sotaques, a agitação, o rosto faltando um dente, a cantoria e as danças, os contagiantes ataques de riso, tudo tem de ser experimentado. Assim como sua moderna casa de 150,000 dólares situada no terreno de um antigo mosteiro a uma hora de Londres, em seu verde e valorizado cinturão suburbano. As paredes do bar foram pintadas com um tema de heróis e vilões da Marvel Comics, e o teto, suspenso como a tenda de um sultão.
A sala é um grandioso e ricamente estofado “poço de bate-papo”, com uma televisão em cores e uma lareira impecavelmente limpa que nunca foi usada. Quase não há móveis na casa. Mas vemos um albatroz empalhado, um tapete de urso polar, diversos rifles, um velho jukebox e um sistema de som capaz de mandar música em multidecibéis para distâncias que vão muito além de sua propriedade de sete acres.
De fora, sua casa se parece uma coleção de pirâmides alinhadas, pintadas num branco reluzente. De um lado está uma árvore tão larga que teve de ser baixada por dois helicópteros. Do outro, operários atualmente escavam uma piscina que será azulejada com mármore e oferecerá ao mergulhador ocasional as últimas melodias de sucesso. Quando eu cheguei a governanta da casa, sogra de Moon, estava na Espanha a passeio.
Seu cabeludo mecânico e motorista, Dougal, estava trabalhando no motor de um Chrysler 1936, estacionado entre o Jaguar XKE e a Ferrari Dino. Sua esposa, Kim, e sua filha, Mandy, de 6 anos de idade, não estavam em casa. E o lorde do feudo estava caminhando com um rifle, atirando a esmo nos galhos altos de um castanheiro.
Como você entrou para o The Who?
Primeiro eles se chamavam Detours, depois Who, depois High Numbers, depois Who novamente. Eu entrei na segunda fase, quando eles estavam mudando de Detours para Who. Eu estava em outro grupo ao mesmo tempo chamado Beachcombers.
Esse nome significa que eles tocavam surf music?
Passou a significar quando eu entrei, é. AH-HAHAHA!
Você já surfou?
Uma vez, e quase me matei. Estávamos no Havaí, e eu disse, preciso surfar. Jesus, eu passei anos comprando discos de surf music, sabe, eu tinha que tentar. Então eu aluguei uma prancha e entrei na água com todos aqueles caras. Remei até um ponto bom e de repente apareceu aquela onda enorme. Eu perguntei a um dos caras, “O que que eu faço?” E ele respondeu [Moon começa a falar com um sotaque de americano], “Bem, certo, velho, tudo que você tem que fazer quando ver a onda chegando, ela acerta, cara, ela acerta, e você vai querer viajar relativamente na mesma velocidade, então você rema.” Perfeitamente lógico. Eu disse, ótimo. Então aquele muro sólido de água apareceu. De repente aquela maldita coisa me acerta bem no traseiro, e eu passei a nadar de duas milhas por hora para duas centenas! Lá estava eu me segurando nas beiradas da porra da prancha, veja bem, e eu ouço: “Fica em pé, cara!” Ficar em pé? Então eu me levantei e olhei pra cima e tinha água pra tudo que é lado em volta de mim, eu estava num grande funil, uma espécie de tubo gigante de água. Daí eu vi o recife de corais se aproximando. Eu fiquei de pé por apenas alguns segundos, mas pareceu como uma vida inteira aquela porra. Eu caí, a onda bateu no recife, a prancha virou ao contrário e foi jogada no ar pela água. Eu submergi, balancei minha cabeça e relaxei. Quando eu olho pra cima vejo a maldita prancha vindo direto pra minha cabeça. Eu mergulhei e ela ssssshhwwwoooom! Eu tenho uma falha no cabelo até hoje onde aquilo acertou meu crânio. AH-HA-HAHA-HA-ha-ha-ha! Jan e Dean nunca contaram que seria assim. Certamente que não!
Então o Beachcombers era uma banda de surf music, mais ou menos?
Mais ou menos. Baseava-se mais nos vocais do que nos instrumentos. E como eu sou um cantor horrível . . . quer dizer, os caras não me deixavam cantar. Eu não os culpo. Eu às vezes me distraía e entrava na onda, e eles tinham que cair em mim: “Moon . . . fora!” Digo, eu inclusive sou expulso do palco durante “Behind Blue Eyes”, só em caso de eu me distrair. É o único número do Who que realmente necessita de harmonias precisas. O resto é tudo: “YEEEAAAAHHHH-Magic-bus!” Nós gritamos. Não tem problema. Então eles me expulsam durante “Blue Eyes” porque ou eu estou tocando e atrapalho os rapazes, ou eu tento cantar e realmente os atrapalho.De qualquer maneira, eu decidi que meu talento como baterista estava sendo desperdiçado em um grupo harmônico fraquinho como o Beachcombers, e a única banda que eu conheci que soava tão barulhenta quanto eu era o Detours. Então quando eu fiquei sabendo que o baterista deles tinha saído, comecei a pensar num plano para me infiltrar no grupo. Eles iam tocar num pub perto da minha casa, o Oldfield. Eu fui até lá, e eles estavam com um baterista de sessão. Eu subi no palco e disse, “Olha, eu posso fazer melhor do que ele”. Eles disseram, vai em frente, e eu sentei na bateria do outro cara e toquei uma canção — “Road Runner”. Eu tinha bebido vários drinks pra tomar coragem, e quando eu subi no palco entrei arrrrrggGHHHHHHH na bateria, quebrei o pedal do bumbo e arrebentei duas peles e caí fora. Eu achei que minha chance já era, fiquei com o maior medo. Posteriormente eu estava sentado no bar, e Pete apareceu. Ele falou, “Você . . . chegaí”. Eu disse, tão gentil quanto possível: “Sim sim?”. E Roger, que era o líder então, perguntou, “O que você vai fazer segunda-feira que vem?”. Eu respondi, “Nada”. Eu trabalhava durante o dia, vendendo emplastro. Ele disse, “Você vai ter que largar o emprego”. E eu, “Tudo bem, eu largo o emprego”. Roger disse, “Temos um show na segunda. Se quiser, te buscamos de van”. Eu respondi, “Certo”. Eles disseram que chegariam às sete. E foi isso. Ninguém jamais disse, “Você está dentro”. Eles simplesmente perguntaram, “O que você vai fazer segunda-feira?”.
Vocês estavam sendo empresariados por Kit Lambert e Chris Stamp nessa época?
Não, estávamos com um homem que fabricava maçanetas — jovens, inocentes garotos que éramos. As sugestões daquele homem eram as únicas que tínhamos, exceto as da platéia. Realmente não tínhamos fé em nós mesmos então. Depois, quando começamos a nos firmar, as sugestões dele começaram a parecer ridículas, então decidimos nos livrar dele, e Kit Lambert apareceu para nos ver tocar no Railway ‘Otel em ‘Arrow. Tivemos um encontro. Não fomos um com a fuça dos outros no começo, pra falar a verdade. Kit e Chris. Eles apareceram juntos. E eles eram . . . são . . . tão incongruentes como uma equipe quanto nós. Você tem Chris de um lado [começa a falar num sotaque ininteligível do oeste de Londres]: “Ah falou, que se dane, só, só, soca ele na cabeça, chuta ele nas bolas e no resto tudo”. E Kit dizia [mudando para um tom formal], “Bem, eu não concordo, Chris; o problema é que. . . a coisa toda precisa ser analisada em cada mínimo detalhe”. Aquelas pessoas eram perfeitas para nós, porque tinha eu, irrequieto, chapado de bolinhas, chapado de qualquer coisa que eu pudesse botar as mãos . . . e tinha Pete, muito sério, nunca ria, sempre tranqüilo, um maconheiro. Eu estava funcionando numa velocidade dez vezes superior do que Pete. E Kit e Chris eram como o epíteto do que éramos. Quando vocês assinaram com eles, a imagem Mod foi. . .. . . forçada em nós. Era muito desonesta. A coisa mod foi idéia do Kit. Fomos todos mandados para um cabeleireiro, Robert James, um rapaz absolutamente simpático. Depois fomos mandados para Carnaby Street com mais dinheiro no bolso do que havíamos visto em nossas vidas, tipo umas cem libras. Essa era a Londres do agito. A maioria de nosso público era mod, chapado de bolinha como nós, veja você. Não estávamos nessa de roupas; nosso negócio era música. Kit achou que deveríamos nos identificar mais com nosso público. Casacos ajustados cinco polegadas nas laterais. Quatro não era o bastante. Seis era demais. Cinco era perfeito. As calças ficavam três polegadas abaixo da cintura. Era nosso uniforme.
Seu lema na época era “maximum R&B”. O que isso queria dizer?
Tocávamos bastante Bo Diddley, Chuck Berry, Elmore James, B.B. King, e eles eram R&B ao máximo. Não havia definição melhor. A maioria das canções que tocávamos eram deles. Pete só entrou em sua veia de compositor depois de “Can’t Explain”. Obviamente qualquer canção que tocávamos ficava diferente, não tentávamos copiar direto do disco. A gente a “Whozava”, então o resultado era obra do Who, não uma cópia.
Como “Summertime Blues”.
Exatamente. Esta é uma música que foi “Whozada”.
Como surgiu o efeito de gagueira em “My Generation”?
Pete escreveu a letra e a entregou para Roger no estúdio. Ele não havia lido antes, não estava familiarizado com os versos, então quando ele leu aquilo pela primeira vez, gaguejou. Kit estava nos produzindo na época, e quando Roger gaguejou, Kit disse, “Vamos manter assim; mantenha o gaguejar”. Quando percebemos o que havia acontecido, isso nos embasbacou por completo. E aconteceu simplesmente porque Roger não conseguia ler os versos.
A primeira turnê norte-americana. Você se lembra dela com ternura?
Pra mim foi uma turnê de descobertas. Foram três meses com o ‘Erman’s ‘Ermits. Abrir para o ‘Ermits era perfeito. Era uma posição vantajosa para nós. Não estávamos na linha de frente. Se o lugar vendesse apenas uma porção mínima do que poderia ter vendido, a culpa nunca era nossa, era do ‘Erman ‘Ermits. Não tínhamos essa responsabilidade. Tivemos tempo para descobrir. Encontramos as melhores cidades.
E quais eram?
Para o Who eram Nova York, Chicago, Detroit, Los Angeles, São Francisco e Cleveland. Elas tinham o melhor público para nós.
Foi nessa turnê que aconteceu sua infame festa de aniversário?
Sim. Foi assim que eu perdi meu dente da frente. Em Flint, Michigan. Tínhamos um show naquela noite. Estávamos todos em volta da piscina do ‘Oliday Inn, eu e os ‘Erman ‘Ermits. Eu estava fazendo vinte e um anos, e eles começaram e me dar presentes. Alguém me deu um bar portátil e outro, a bebida portátil. Eu comecei a beber lá pelas dez da manhã, e não me lembro do show. Depois a gravadora reservou um quarto enorme no hotel, uma das salas de conferência, para uma festa. Com o passar do tempo aquilo foi ficando mais e mais barulhento, todo mundo começou a ficar fora de si, digamos, alucinados. A piscina era o alvo óbvio. Todo mundo começou a pular de roupa e tudo na piscina. A Premier havia me dado um bolo de aniversário gigantesco, montado como se fosse umas cinco caixas de bateria, uma em cima da outra. Quando a festa começou a se degenerar numa orgia, eu peguei o bolo, as cinco camadas, e joguei pra tudo quanto é lado. O povo começou a pegar os pedaços e a arremessar uns nos outros. Todo mundo ficou coberto de marshmallow e bolo de fruta. O gerente ouviu a bagunça e apareceu. Lá estava seu imenso tapete irrevogavelmente manchado de cobertura de bolo pisado, e todo mundo dançando em cima dele com as calças de fora. Na hora em que o xerife chegou eu estava lá parado de cuecas. Eu corri, pulei no primeiro carro que apareceu na minha frente, um Lincoln Continental novo em folha. Ele estava estacionado numa subidinha, e quando eu soltei o freio de mão aquilo começou a descer, arrebentou uma cerca e caiu direto na piscina do ‘Oliday Inn, comigo dentro. AH-HA-HA-HA-HA!Então lá estava eu, sentado no banco do motorista de um Lincoln Continental submerso. E a água começou a entrar pelos malditos buracos dos pedais no chão, sabe, se infiltrando pelas janelas. Em um momento brilhante de lógica eu pensei, “Bem, eu não posso abrir as portas até que a pressão se iguale”. É incrível como eu fui me lembrar daquelas coisas da aula de física! Eu sabia que tinha que esperar até que a pressão fosse a mesma. E lá estava eu, pensando na minha situação, enquanto a água começava a entrar no meu nariz. Hoje em dia eu consigo pensar em maneiras menos ultrajantes de bater as botas do que me afogar num Lincoln Continental na piscina do ‘Oliday Inn, mas na época eu não pensava em hipótese alguma em morrer. Não teve nada daquilo da vida-inteira-passando-diante-dos-meus-olhos-em-um-flash. Eu estava ocupado planejando. Eu sabia que, se eu entrasse em pânico, já era. Então quando só tinha ar o bastante no topo do carro pra um fôlego, eu enchi meus pulmões, escancarei a porta e nadei até o topo da piscina. Eu imaginei que uma multidão razoável já teria se reunido ali. Afinal de contas, eu estava debaixo d’água fazia algum tempo. Eu imaginei que eles estariam tão felizes por eu estar vivo que me perdoariam pelo Lincoln Continental. Mas não. Só tinha uma pessoa parada ali e era o limpador de piscina, ele tinha acabado de limpar aquilo de manhã e estava furioso.Então eu voltei pra festa, todo respingando, ainda de cueca. A primeira pessoa que eu vejo é o xerife, ele e sua arma na mão. Sem essa! Eu saí correndo, e quando estava quase chegando na porta, escorreguei num pedaço de bolo e caí de cara no chão e perdi meu dente. Ah-ha-ha HA-HA-HAHAHA!Eu passei o resto da noite sob custódia do xerife no dentista. O dentista não podia me dar nenhum anestésico porque eu já estava muito louco. Então ele teve que arrancar o que sobrou do dente e botar um falso no lugar, e no dia seguinte eu passei algumas horas no xadrez. Os rapazes me fretaram um avião porque tiveram que ir embora num vôo mais cedo. O xerife me levou na viatura, me botou no avião e disse, [sotaque americano], “Filho, nunca mais apareça em Flint, Michigan, novamente”. Eu respondi, “Meu caro, eu nem sonharia com isso”, enquanto sibilava entre meu dente novo. AH-HAHA HAHAHA!Nessa hora que eu soube quão destrutivos fomos. Durante a festa alguém pegou todos os extintores e os esvaziou em cima dos carros no estacionamento. Seis deles tiveram que ganhar pintura nova; a tinta derreteu toda. Também destruímos um piano. O destruímos completamente. Reduzido a lenha. E não se esqueça do tapete. E o Lincoln Continental na piscina. No final eu recebi uma conta de US$ 24,000. AH-HAHAHAHA! Eu não estava ganhando nem metade disso na turnê, e gastei tudo indo pra Flint, Michigan. Fiquei endividado até as sobrancelhas depois dessa. Felizmente, os ‘Erman’s ‘Ermits e os rapazes dividiram tudo; umas 30 pessoas deram cem dólares cada. Foi como uma cerimônia religiosa quando todos vieram e depositaram cem dólares num chapelão, e mandamos aquilo para o ‘Oliday Inn com um cartãozinho de saudações escrito “BOLAS” em volta dele — e as palavras “Nos vemos em breve”. Ah-ha-ha-HA-HA Ha ho-HAHAHA!
Você não pode ter destruído tantos quartos de hotel quanto dizem.
Quer apostar? Houve uma época em que. . . Muitas. É. Eu fico entediado, veja você. Teve uma vez em Saskatoon, no Canadá. Era outro ‘Oliday Inn, e eu estava entediado. Agora, quando eu fico assim, eu me revolto. Eu digo, “QUE SE DANE, QUE SE DANE TUDO ISSO!”. E saco minha machadinha e deixo o quarto em pedaços. A televisão. As cadeiras. A penteadeira. As portas. A cama. E tudo o mais. Ah-ha-ha-HAHAHAHAHAHAHAHAHA HAHAHA! Acontece o tempo todo.
Eu sempre ouvi dizer que quem deu início a destruição no palco foi Pete, mas você faz parecer que foi idéia sua. Foi?
Reza a lenda que Pete bateu o braço da guitarra no teto quando ele pulou muito alto, mas não foi isso. Acontecia quando alguém ficava puto com o show, com a maneira como as coisas estavam indo. Quando Pete destruía sua guitarra era porque ele estava puto. Quando eu destruía minha bateria, era porque eu estava puto. Ficávamos frustrados. Você está lá se esforçando o máximo possível pra continuar com a porra da música, pra pegar a platéia pelas bolas, pra transformar aquilo num acontecimento. Quando você faz tudo aquilo, quando você se mata e dá ao público tudo que é possível, e eles não dão nada de volta, é aí que a porra do instrumento vai embora, porque: “Seus desgraçados de merda! Estamos aqui nos matando! E vocês não dão nada de volta!”.Essa é uma razão de os instrumentos serem destruídos. Outra é quando um membro do grupo está chapado demais pra dar seu melhor. Nessas horas ele está deixando os outros três na mão. Em muitos casos sou eu, por beber demais. Sabe como é, exagerando na hora errada. Então Pete ou Roger ou John diz, “Seu babaca! Você deixou a gente na mão, porra! Miserável, se quer chapar, por que não espera até depois do show!?”.
Mas todas as vezes que você destruía seu kit de bateria, ou Pete arrebentava sua guitarra, era movido pela raiva?
Nem sempre. Era algo esperado — como uma canção, um hit número um. Uma vez que você tenha feito aquilo, se compromete com aquilo. Você tem que tocar. Porque há certas pessoas na platéia que comparecem só para ouvir aquela música em particular. Cada parte da apresentação funciona para uma parcela do público, e a apresentação como um todo tem que funcionar para a platéia inteira.
Isso não saía caro demais?
Caro pra cacete. Estávamos destruindo provavelmente dez vezes, senão mais, do que ganhávamos. Temos feito sucesso há dez anos, mas só lucramos nos últimos três. Levamos cinco anos para pagar três anos, nosso período mais destrutivo. Tivemos que pagar por tudo aquilo depois. Músicos são célebres por não pagarem suas contas. E não éramos exceção. Adiamos aquilo tanto quanto possível. Mas quando as sentenças começaram a chegar, as intimações, as ações, os confiscos de equipamento, então tivemos que pagar. E pagamos por cinco anos.
E então abandonaram a rotina de destruição?
Abandonamos como uma rotina teatral. Ainda destruímos nosso equipamento ocasionalmente, mas não de propósito. Cometemos um dos pecados capitais: acabamos deixando a atuação tomar o lugar da música. Não se pode deixar isso acontecer. A música deve vir primeiro. Então nós olhamos pra trás e dissemos, “Bom, essa porra tem que parar, não podemos ter isso em todos os shows . . .”. Porque estava ficando repetitivo demais. A espontaneidade se fora.
Já houve brigas sobre quem seria o melhor porta-voz para o grupo?
Só no começo. Durante uma época Roger foi o porta-voz do grupo. Agora a maioria diz que é o Pete. Acontece que, não tem importância . . . quem diz o quê. Já demos importância demais pra isso de porta-voz e quem seria esse porta-voz. Não mais. Quem quer que seja, é só um representante da organização, e uma boca é tão boa quanto a outra.Vocês parecem bastante receptivos com a imprensa.Nós fazemos qualquer negócio. AH-HAHAHAHAHAHA! Algumas pessoas dizem que eu faço qualquer coisa pela imprensa, é verdade . . . que eu apareço demais. Eu só quero me divertir.
Em algum momento . . .
Teve uma vez que Keith Altham e Chris Williams, que cuidam da nossa divulgação, me ligaram e disseram que estariam em seu escritório às três horas para uma entrevista. Bem, você sabe, os pubs fecham às três, então eu acabei me atrasando um pouco. Eu voltei pra minha sala na Track [Records, a gravadora do grupo] e só aí me lembrei: tinha esquecido da entrevista. Então, uhhhh: Oh, Cristo, eles vão ficar putos. Bem em frente tinha uma farmácia, então eu mandei Dougal, meu motorista, ir lá comprar uns rolos de gaze e esparadrapo, enrolei aquilo tudo na perna e no braço e arrumei uma muleta. E lá fui eu para a entrevista. “Desculpem o atraso, mas só agora o hospital me liberou”.Eu havia ligado mais cedo e contado a eles que tinha sido atropelado por um ônibus na Oxford Street. Eles não acharam isso muito fora-do-comum. Eu acho que eles assumiram a atitude de que qualquer coisa é valida com Moon, veja só. Então eu entrei no escritório . . . arrastei-me pra dentro, na verdade, e eles perguntaram, “Como isso foi acontecer?”. Eu respondi, “Eu estava atravessando a Oxford Street e um número oito de Shepherd’s Bush me acertou no traseiro e me arremessou direto pra Oxford Circus”. Então Keith e Chris resolveram cancelar a entrevista. Eu disse que não, e eles fizeram a gentileza de me carregar pelos quatro lances de escada até a rua. Eles pensaram que eu tinha subido tudo aquilo por conta própria, na minha muleta, entende.Então eles me carregaram escada abaixo e estávamos andando, e eu lá capengando pela rua novamente, e um desgraçado de um caminhão aparece bem na hora que eu estou atravessando e começa a buzinar na minha cara. Eu disse, “Agüenta aí, colega. Eu não consigo ir mais rápido com essas pernas”, e Keith vai até o motorista: “Seu bastardo desalmado, não vê que este homem está ferido! Você não tem coração, não tem alma, seu bastardo! Tentando atropelar um aleijado!”.Nós começamos a entrevista e no meio, depois de uns quatro drinks, eu arranquei os curativos, pulei na cadeira e comecei a dançar. Ah-HAHAHAHAH-ha-haHAHA! HAHA!
Você já se machucou em alguma de suas brincadeiras? Além de perder o dente da frente?
Eu quebrei a clavícula uma vez. Foi no meu hotel, um hotel que eu tinha, no Natal. Eu desmaiei na frente da fogueira às quatro da madrugada e uns amigos decidiram me levar pra cama, e eles estavam tão ruins quanto eu, mas ainda conseguiam ficar de pé. Ou quase. Um deles segurou minha cabeça, outro os pés, e eles tentaram me carregar pelas escadas. Eles subiram comigo por dois lances e então me largaram, os dois, quebrando minha clavícula, entende. Mas eu só fui ficar sabendo quando acordei no dia seguinte e tentei vestir a porra da camisa. Eu desabei direto na merda do chão.Acontece que . . . eu deveria gravar um programa de TV, o especial de ano-novo do Top of the Pops, e dois dias antes eu estava com meu braço todo enfaixado e não poderia tocar. Eu fui até meu médico, querido Doutor Robert, e ele me deu uma injeção no dia da apresentação para que eu não sentisse nada. Eu coloquei uma blusa por cima do gesso, grudei a baqueta na mão com fita adesiva, sentei por trás do kit e pedi para o Sr. Vivian Stanshall amarrar uma corda no meu pulso. Nós então jogamos a corda em volta do apoio das lâmpadas lá em cima, e ficamos de olho no monitor; sempre que a câmera me focalizava, eu dava o sinal pra Viv, e ele puxava a corda, fazendo com que meu braço direito se erguesse e caísse nos pratos. AH ah ah ah HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!Essas situações burlescas . . . eu estou sempre ligado a elas. Sempre acontecem como se pudessem ter sido parte de um quadro do Gordo e o Magro. E sempre acontecem comigo. AAAAHhhhhh-HAHAHA-HO-HAHA ha! Eu acho que eu espero inconscientemente que elas aconteçam, e elas acontecem.
Essa é a imagem que você tem de si mesmo?
Suponho que para a maioria das pessoas eu sou provavelmente visto como um idiota amigável . . . um brincalhão genial. Acho que eu devo ser uma vítima das circunstâncias, na verdade. Na maioria das vezes é culpa minha. Eu sou uma vítima de minhas próprias piadas colocadas em prática. Suponho que isso reflita uma atitude um pouco egoísta: eu gosto de ser o protagonista de meus próprios feitos. De nove entre dez vezes, eu acabo sendo. Eu preparo armadilhas e caio nelas. Oh-ha-ha-ha. HA-HA- HA-HA-HA! Obviamente, o maior perigo é se tornar uma paródia.
Sua esposa, Kim, deve ser extraordinariamente simpática e paciente.
Ela é.
Ela meio que leva isso numa boa. Como você a conheceu?
Eh-eh-eheeeee-eh-eh-eh. Ah-HA-HA-HA-HAHA-HA-HA! Eu a conheci em Bournemouth quando estava fazendo um show. Ela tinha dezesseis, e freqüentava o club onde tocávamos, o Disc. Um tempo depois quando eu desci para vê-la, eu estava no trem e Rod Stewart subiu a bordo. Isso foi a uns dez anos. Começamos a conversar, e fomos para o vagão-bar. Ele era Rod “The Mod” Stewart naquela época gloriosa, e estava trabalhando com Long John Baldry. Ele estava tocando em muitas discotecas pequenas e pubs, fazendo o mesmo tipo de trabalho que nós. Eu perguntei a Rod, “Pra onde você está indo?”. Ele respondeu, “Bornemouth”. “Eu também”, falei. “Estou indo visitar minha garota”. Ele retrucou, “Eu também”. Então eu mostrei a Rod uma foto da Kim e ele disse, “É … é essa mesmo”. HAHAHAHAHAHAHA!
O que aconteceu?
Eu não me lembro. Estávamos no vagão de bebidas, e ambos ficamos paralizados. Eu só me lembro da viagem de volta. Oh-hee-HA-HA-HAHA!
Por que sua sogra veio morar com vocês?
Ela é minha governanta. E uma ótima cozinheira. Veja você, eu fui um seqüestrador. Raptei sua filha aos 16, direto do convento, e ela ainda não havia aprendido a cozinhar, então eu disse, “Traga sua mãe pra cá”. Ela está morando conosco há quase um ano. Ela não é aquela espécie comum de sogra. Na minha casa não há espécie comum de coisa alguma.
Você tem algum baterista “favorito”?
Não muitos. D.J. Fontana é um deles. Vamos ver . . . os bateristas que eu respeito são Eric Delaney e Bob Henrit e . . . eu tenho uma lista enorme, na verdade, e cada um nela é por razões diferentes. Tecnicamente, Joe Morello é perfeito. Na verdade eu não tenho um baterista favorito. Eu tenho trechos de bateria favoritos, é isso. Eu nunca pegaria um LP de um baterista e diria que adoro tudo que ele faz, porque não seria verdade.
Como você começou a tocar bateria?
Jesus Cristo, acho que eu ganhei uma de brinde no pacote de cereal. Ah-Ha-HA-HA-HA-HA-HAHA! Mas não. . . solos de bateria são chatos pra cacete. Qualquer tipo de solo é. Isso tira a identidade do grupo.
Quanto das canções são um esforço grupal?
O que você muda nas demos na hora de gravar?Não muito. Porque Pete sabe. Quando Pete faz algo, aquilo soa como o Who. As partes da bateria são minhas partes, mesmo se é Pete tocando bateria. Ele toca no mesmo estilo que eu. Ele faz meus floreios. O mesmo para as partes do baixo, e a guitarra, é claro, é dele. Só os vocais mudam um pouco.
Muitas canções são rejeitadas?
Não. Ele obviamente compõe muito mais . . . quer dizer, não são todas as canções que ele escreve que se encaixam no Who. Quando ele tem uma idéia que ele acha ser boa para o grupo, ele traz aquilo e nós tentamos. E ele não costuma estar errado.
Vocês ensaiam muito?
Estamos sempre preparados meticulosamente para os shows. Mas ensaiávamos muito mais antes do que agora. Agora alcançamos um ápice na banda . . . bem, alcançamos isso já faz tempo . . . então hoje Pete toca pra gente um número, ou ouvimos um número, e podemos tirá-lo quase sempre, senão da primeira vez, na segunda ou na terceira, e na quarta ou quinta aquilo começa a tomar forma. Nos velhos tempos ainda estávamos construindo o grupo, ainda desenvolvendo nosso relacionamento.
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domingo, abril 27th, 2008
Fonte: http://letsseeaction.blogspot.com/2007/12/entrevista-1-edio.html
(Essa entrevista é uma raridade. Apenas pque é uma das poucas entrevistas em português do The Who. Estou postando aqui apenas para o esforço de preservar, se por acaso o blog acima sair do ar ou coisa parecida.
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Quem é quem
O Prazer é Todo Seu - The Who por Rony Maltz
Antes de tudo, devo dizer que pesquisas profundas me fizeram chagar a uma inapelável conclusão: não há nada mais entediante de se ler sobre uma banda do que tecnocracias como história da vida do guitarrista do útero da mãe ao caixão ou influências musicais da iguana do vocalista.
Este tipo de informação só interessa a quem é fã apaixonado, e estes provavelmente já sabem tudo isso de cor e salteado. Resumindo, se você procura a história completa do The Who (sim, eu vou falar do The Who) e ficha técnica dos músicos, está perdendo seu tempo.
Por outro lado, se você gostaria de ser apresentado a quatro caras muito bacanas, um pouco mais famosos do que você, esta é a oportunidade perfeita. Noventa e cinco por cento do conteúdo abaixo é verídico.
Pode ser um jogo interessante tentar descobrir os cinco por cento restantes. Você vai ter uma grata surpresa!
Para os Leigos:
“O Who é a banda mais selvagem de todos os tempos, provavelmente ao lado do Led Zeppelin. Os dois são os pais da inadministrabilidade.”(Bill Curbishley, maneger)
Roger Daltrey - canta
Pete Townshend - toca guitarra e canta
John Entwistle - baixo e vocais
Keith Moon - bateria, raros e toscos vocais
Isto é o que interessa. Qualquer coisa que você tenha visto ou ouvido falar antes ou depois desta formação é pura baboseira, e eu não me responsabilizo. Com vocês, The Who!
O cérebro

“Ver Jimi tocar me destruiu. É difícil ver alguém fazendo o que você sempre quis.” (Pete Townshend, sobre Jimi Hendrix)
A cabeça pensante da banda. Responsável praticamente tudo o que o Who criou desde a sua formação, Pete Townshend pode ser considerado o líder do grupo. A briga pelo posto de líder seria, aliás, uma tônica durante toda a carreira do guitarrista, o que tornava sua relação com Roger Daltrey, auto-empossado através dos próprios punhos, um tanto complicada.
O rapaz, que sempre se destacou pelo nariz de tamanho bastante generoso, entrou na banda como um músico promissor para tomar o lugar de Daltrey no instrumento solo, e desde então começou a fazer história como um dos guitarristas mais estilosos de sua era.
Com a postura de palco admitidamente inspirada em Keith Richards, lead guitar dos Rolling Stones, Pete se esforçava em chamar mais atenção do que Roger Daltrey e Keith Moon no palco, e para isto criou todo um leque de movimentos muito peculiares ao tocar sua guitarra, estilo que o torna inconfundível em ação.
Sua adoração por parte do publico, entretanto, começou por acaso, enquanto o Who performava em uma pequena casa de shows na Inglaterra. Townshend acidentalmente deixou cair sua guitarra, fazendo-a se espatifar em vários pedaços no chão diante de uma platéia atônita, que nunca havia visto algo como aquilo antes.
O alvoroço foi geral, e desde então o guitarrista fez fama como ‘o cara que destrói seu instrumento no final dos shows’, e com a ajuda de Moon o The Who fez sucesso como a banda que tocava e depois quebrava tudo.
Esta atitude ainda levaria o quarteto a protagonizar uma interessante disputa com o guitarrista Jimi Hendrix, a quem Pete tinha admitida admiração.
O evento era o grande festival de Monterey, em 1967, e ambos pleiteavam a oportunidade de destruir suas guitarras frente a um grande público pela primeira vez. Após muita discussão nos bastidores a respeito de quem entraria para tocar primeiro, o The Who acabou ganhando o benefício na sorte, no lançar de uma moeda. Regozijado, Pete Townshend chocou milhares de pessoas ao estraçalhar seu instrumento ao término da apresentação da banda, e comenta-se que ele ainda teria alfinetado, irônico: “Ha! Quero ver o que ele vai fazer agora…” Pois foi nesta ocasião que, em um episódio que ficaria mundialmente afamado na história do rock, Jimi Hendrix ateou fogo a sua Stratocaster em meio a todo um ritual místico, frente a uma audiência ainda mais embasbacada. Foi quando eu vi que, enquanto a guitarra da lenda estalava e gemia envolvida pelas chamas, Keith Moon pulava como um louco e berrava com Pete, consternado: “Seu idiota! Como é que você não pensou nisso antes!?”Apesar da adoração do público, entretanto, Townshend só ganharia o devido reconhecimento como compositor com a sua ópera-rock Tommy, compilação unanimemente glorificada pela crítica que lançaria de vez o The Who para o estrelato.
Curiosamente, a idéia de se compor uma ópera-rock surgiu numa brincadeira, e desde então Kit Lambert, empresário da banda na ocasião, vendo futuro no que parecia ser uma piada, passou a encorajar veementemente o guitarrista a adotar tal projeto. O primeiro esboço contava uma história que passava no futuro, a respeito de um casal que desejava ter quatro meninas. Sua obsessão quanto ao gênero dos filhos era tão grande que, ao dar a luz a um menino, a mãe decide criá-lo como uma garota assim mesmo.
Financeiramente, porém, a banda não vinha bem, em parte devido aos constantes gastos com novas guitarras e jogos de bateria, e a necessidade de lançar algo novo rapidamente fez com que toda a obra fosse condensada em um único hit: I’m a Boy. O músico ainda comporia, antes do aclamado álbum Tommy, uma música que é uma espécie de história nos moldes da proposta da tal ópera-rock: A Quick One While He’s Away, cujo nome foi proibido de ser usado como título para o disco devido a sua óbvia alusão ao sexo. Assim o garoto inseguro e complexado devido sua aparência física durante toda infância e adolescência se tornaria, além de um respeitado guitarrista e sensacional show man, um grande compositor. Desde então a idéia de produzir obras originais e grandiosas como Tommy nunca mais sairia da cabeça do músico. Álbuns megalomaníacos ainda haviam de ser compilados. Pete Townshend já estava para sempre contaminado por uma obsessiva mania de grandeza.
A fúria

“Já utilizei durante muito tempo produtos para poder usar meu cabelo curto e liso. Foda-se. Não é fácil ser um mod com cabelo encaracolado.”(Roger Daltrey)
Roger Daltrey é o cara com mais presença de palco que eu já vi se exibir, além de ter sido, durante pelo menos duas décadas, o popstar com maior potencial assassino à solta por aí, depois do Marlyn Manson. Aos dezessete anos era o primeiro de sua classe em uma prestigiada escola na Inglaterra, quando resolveu largar os estudos e virar um rebelde, porque alguém disse para não fazê-lo. Construiu à lenha e muita imaginação sua primeira guitarra e decidiu ser astro de rock.
Daltrey é o tipo de sujeito que é invencível na porrada; na base da força ele montou sua banda, auto-intitulou-se o líder e saiu por aí tocando de graça em casamentos, festinhas de formatura e bar-mitzvás. O resto é história.
Roger delegou-se nos primórdios da banda o posto de guitarrista principal, pois ele apreciava o título. Só passou para os vocais quando o grupo adquiriu sua formação original, com o ingresso de Townshend e Moon. Verdade seja dita, Daltrey era tão bom cantando quanto tocando guitarra, o que, aliás, ele não sabia fazer.
Na época, contudo, o rock não precisava de alguém que sabia cantar, e a agressividade e a fúria do rapaz no palco preencheram na medida perfeita as necessidades do ideário mod para fazer o The Who explodir na Europa e, logo em seguida, nos Estados Unidos
Obviamente Roger Daltrey foi aperfeiçoando sua técnica, a ponto de hoje ser o vocalista que mais me dá tesão de ver cantar, não somente pela sua postura agressiva e provocante no palco, mas pela dramaticidade e o desabafo que ele exprime ao microfone. O timbre de voz inconfundivelmente rasgante se encaixa perfeitamente no rhythm and blues proposto pela banda, e sua interpretação inabalável, quase sufocante, consagrou o The Who como o grupo de melhor performance ao vivo de seu tempo.
Ele desenvolveu um estilo que lhe é marca registrada de suingar o fio do microfone descrevendo arcos no ar com o aparelho, muitas fezes fazendo-o zunir a poucos centímetros das cabeças dos fãs a beira do palco antes de retomá-lo na mão. Se eu não me engano, Roger estabeleceu seu recorde pessoal ao inutilizar dezoito microfones diferentes numa mesma noite. Depois disto você não mais o viu segurando um aparato que não estivesse envolto em no mínimo treze camadas de esparadrapo. Não era raro também vê-lo chocando-se contra amplificadores e espancando os pratos da bateria de Keith Moon.
Expulso da banda em razão da sua atitude demasiadamente violenta, o moço foi aceito de volta dias depois sob a promessa de controlar seu ímpeto demoníaco. Não foi muito depois disto que eu testemunhei, em pleno show da banda, o vocalista nocautear Townshend com um simples soco depois de ser ameaçado por uma guitarra e um nariz, em meio a mais uma fervorosa discussão entre Roger e Pete. Como eu disse, o cara é invencível na porrada.
O talento

“As pessoas costumavam me acusar de cair no sono no meio da música. Eu meio que deixava cair o ritmo. É muito chato para um baixista tocar isso porque é tudo em lá.” (John Entwistle, sobre Magic Bus)
O melhor baixista de todos os tempos. ‘The Ox’ para mim, Sir John Entwistle para você, o gênio provavelmente é um dos mais injustiçados do ingrato mundo dos tocadores de baixo. Mas não que ele estivesse muito preocupado com reconhecimento.
Digamos que, enquanto Daltrey e Townshend se estapeavam para ver quem tinha o maior ego, John se contentava em ser George Harrison. Se o vocalista explodia em acessos de fúria e destruía microfones, o guitarrista saltava freneticamente e destruía guitarras e o baterista espancava enlouquecidamente sua percussão e destruía jogos de bateria, o baixista do The Who ficou marcado pela postura completamente estática no palco.
Entwistle fez escola ao mudar drasticamente todos os conceitos que se tinha sobre o baixo, tendo sido o primeiro músico a protagonizar um solo no instrumento, no grande hit My Generation. Em concertos ao vivo atuava quase que exclusivamente como o elemento a solar, enquanto Townshend marcava o ritmo na sua guitarra e Moon fazia o que bem entendia na sua percussão. Em estúdio os papéis se invertiam, e John passava a fazer a base enquanto o guitarrista se encarregava do som independente.
O baixista também servia como uma fonte alternativa na parte de criação, tendo sido responsável por praticamente todas as músicas do The Who que não eram de Pete. A mais famosa, ou pelo menos a mais original, soa tão sinistra quanto a própria figura de John no palco. A letra foi inspirada no temor do músico por aracnídeos, e diz respeito a uma aranha, pequena e peluda, que vai subindo pelas paredes do quarto para até ser esmagada na última estrofe. Assim surgiu Boris The Spider, a faixa mais pesada e carregada de graves do Who, e que me dá um bocado de medo.
Em um dos poucos episódios polêmicos em que se envolveu, ‘The Ox’ protagonizou, ao lado de Keith Moon, um dos boatos mais relevantes da década de sessenta. Consta que, em conversa em um pub londrino, o gênio e o baterista do Who espinafravam os demais integrantes da banda, Pete e Roger, por não pararem de brigar. Cheguei a ouvir que ambos consideravam deixar o The Who para se juntarem a um cara novo, um tal de Jimmy Page, que diziam ser capaz de fazer milagres com a guitarra.
O novo grupo se chamaria Led Zeppelin, dizia Moon, o autor do nome.No fim, parece, a mudança acabou não acontecendo, e John Entwistle se consagrou, no Who mesmo, como o baixista mais significativo do seu tempo. Consagrou-se, eu quero dizer, até o ponto em que um baixista pode se consagrar, já que confesso que, até pouco tempo, eu era mais um daqueles que se questionavam, ao assistir a um show antigo da banda: “porra, que diabos está fazendo aquele maluco parado ali no cantinho?”
O charme

“Sempre me chamaram de porco capitalista. Talvez eu seja, mas isso é bom para o jeito como eu toco bateria.”(Keith Moon)
Inquestionavelmente o baterista mais excêntrico e empolgante de todos os tempos, Keith Moon entrou na banda para acirrar ainda mais a já bastante conflituosa disputa pela atenção do público do The Who. Com uma postura que nos remete a algo entre o Animal dos Muppets Babies e o Zed da Loucademia de Polícia, Moon provavelmente já pulverizou mais kits de bateria do que qualquer baterista já chegou a tocar.
E não bastasse a destruição total dentro do palco, desde cedo Keith adotou o saudável hábito de levar abaixo qualquer quarto de hotel em que ele chegasse a pisar. No clímax de uma destas orgias, um Cadillac acabou no fundo da piscina do Hollyday Inn, episódio que fez com que a banda fosse banida para sempre de qualquer hotel da rede. A bem da verdade, Keith sempre teve um pequeno problema com compassos. Compassos: é como são chamados os espaços de tempo que determinam o ritmo das músicas, regradamente ditados pelo percussionista.
Este pequeno nuance, contudo, fez com que a lenda se tornasse nada menos do que o baterista mais aclamado do mundo por tocar quase que exclusivamente de improviso, às vezes com viradas de baterias que duravam a música inteira, às vezes com arranjos inéditos embalados pelas mais variadas espécies de psicotrópicos. A bem da verdade, todo show do The Who não passava de um imenso solo de bateria para Keith Moon.
Ele também desenvolveu seu próprio método de usar as baquetas, ora segurando-as pelas pontas dos dedos encarnando um maestro a reger sua orquestra, ora usando-as de ponta-cabeça, estilo adaptado em razão da sua mania de lançar o assessório para cima no meio de viradas de bateria e retomá-lo dando imediata continuidade ao ato, seja como for que ele voltasse à sua mão.
Havia inclusive um suprimento extra de baquetas já disposto ao lado do cidadão, para que ele pudesse pegar uma nova sempre que a lançada para o alto voasse para longe do planejado, o que não era raro. Moon também tinha uma obsessão. Ele cria ser capaz de seguir os passos de Pete e sincronizá-los à sua batida seja o que for que esse fizesse no palco, o que impunha um interessante desafio.
Fato é que, segundo o próprio Townshend, Animal nunca perdeu um salto sequer do guitarrista.”Por acaso há algum baterista na platéia?…” Eu lembro de ter sido um dos milhões que levantou a mão à pergunta de Pete Townshend. “..alguém que seja de um todo bom…?” e à isto três pessoas baixaram as mãos. Finalmente um cara do meu lado acabou sendo escolhido. Acontece que, horas antes, alguém teria dito ao Keith que dava um barato interessante tomar metade de um certo calmante com um copo de brandy, ou algo parecido. A isto, então, ele rebate: “Metade?! Eu sou Keith Moon!” e toma uma cápsula inteira de tranqüilizante para atirar em elefantes. Se eu soubesse disto antes, certamente não ficaria surpreso ao ver o rapaz sair carregado no meio do show após desabar inconsciente por cima dos tambores. Bem, isto é só para exemplificar um caso particular; o potencial destrutivo de Animal realmente evocava um sem número de situações inenarráveis.
Keith Moon, como haveria de ser, morreu antes de ficar velho e começar a fazer merda, podendo ser considerado, portanto, o integrante mais digno de ter pertencido ao grupo. Sim, a causa da morte foi overdose, mas de pílulas para dormir, que Keith estava tomando para tentar controlar o alcoolismo. Não me perguntem como. Talvez a maior prova da importância de Moon para o Who tenha vindo depois de sua morte, quando a banda passou a usar sempre que em shows nunca menos do que dois percussionistas para tentar obter algo parecido com o que Animal fazia sozinho atrás da bateria. A baderna também nunca mais foi a mesma. O charme tinha acabado.
Meet the new boss, the same as the old boss !!!
Os últimos versos de Won’t Get Fooled Again, obra prima do derradeiro e para muitos o melhor álbum do The Who, Who’s Next, encerrariam em tom de despedida a explosiva carreira da banda com sua formação original. O quarteto, que pode ser considerado o mais fiel representante do movimento mod na Europa da década de sessenta, se retirava do cenário musical e encerrava uma era deixando o prenúncio de que, apesar de guerras cessarem e regimes sucumbirem, a parafernália política mundial seria substituída por outra não menos problemática, e os governantes trocados por novos não menos manipuladores, embora agora sob diferentes disfarces.Se você conseguiu ter sua atenção presa durante dez minutos e ainda não sabe a data do surgimento da banda, o nome de todos os compactos, faixas e menagers durante mais de vinte anos de R&B (e não foram poucos), e mesmo assim não está nem um pouco aborrecido com isto, o meu objetivo está atingido. Vou deixar, portanto, que um dos poucos homens capazes de explicar o Rock & Roll encerre para mim:
“A banda deveria ser um reflexo do que o público estava sentindo. Se funcionou, se o The Who fez sucesso, isto foi contra toda a espécie de lógica. Nós éramos um horrível, feio, barulhento, desmazelado, arrogante, intimidador e inconsiderável bando de babacas. Se nós nos tornamos um sucesso… eu acho que, se nós fizemos sucesso, é porque era exatamente isso o que o público queria.”(Pete Townshend)
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