Archive for the ‘Música’ Category

Anthem - de Ayn Rand

terça-feira, outubro 7th, 2008

Anthem é um romance distópico de Ayn Rand, publicada originalmente em 1938. A estória ocorre em um futuro inespecífico quando a  humanidade entrou em outra época de escuridão como resultado dos males da irracionalidade , coletivismo (o estado é sempre maior que o indivíduo) e a fraqueza do pensamento socialista e econômico. Os avanços tecnológicos são cuidadosamewnte planejados (quando e como) e o conceito de individualismo foi eliminado (por exemplo, a palavra “I” - Eu - desapareceu das línguas). Como é comum em seu trabalho, Rand traça uma distinção clara entre os valores de igualdade e fraternidade do socialismo/comunismo e os valores de propriedade e individualidade do Capitalismo.

Anthem - de Ayn Rand
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Muito dos temas presentes aqui, ressurgiram com força e na forma definitiva nos trabalhos posteriores da autora, como The Fountainhead (A Nascente) e Atlas Shrugged (Quem é John Galt?) . Entretanto, o estilo empregado em “Anthem” é único entre os trabalhos de Rand, cuja narrativa é mais centrada e econômica, com pouco uso de discursos filosóficos colocados em falas de personagens, como nos livros já citados. É provavelmente sua obra mais “acessível”.


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Sumário

“Equality 7-2521″ (Igualdade 7-2521) , escrita em um túnel sobre a terra, explica o background dessa sociedade. Seu uso exclusivo dos pronomes no plural (nós, vocês, eles) para referir-se a si mesmo ou aos outros, é óbvio. A idéia do Conselho Mundial é eliminar todas as idéias individualistas. Pessoas são presas ou queimadas ao dizer a “Palavra Proibida” (que não é revelada durante o livro, somente ao final).

Influências em Anthem

Rand descreve um conto que ela leu em um jornal, num sábado à tarde, em meados de 1937, que a influenciaram a escrever Anthem.

A estória em questão foi certamente a escrita por Stephen Vincent Benét, “By the Waters of Babylon,” publicada no Washington Post em 1937.

Anthem também apresenta semelhanãs notáveis com da novela “We” de Yevgeny Zamyatin, que também influenciou Nineteen Eighty-Four (1984) de George Orwell. Como Zamyatin, Rand viveu algum tempo a experiência do regime Soviético. E, naquela época, onde o coletivismo era a regra, onde a idéia que o indivíduo não era nada, apenas um pilar do coletivo, explica-se o surgimento de dois livros com tema tão parecido.

Influência na cultura popular

2112

A mais notável influência desse trabalho de Ayn Rand na cultura popular é o álbum “2112″ do grupo canadense de Rock Progressivo Rush, lançado em 1976. É um álbum conceitual, cuja estória apresenta grandes paralelos com “Anthem”.

Nas notas do álbum, Neil Peart, o baterista-letrista, agradece “the genius of Ayn Rand” (Ao gênio de Ayn Rand).

É fato, Neil Peart se tornou, talvez, o maior popularizador das idéias de Ayn Rand. Este mesmo que vos escreve, passou a “caçar” os livros da Ayn Rand após ler, numa F.A.Q. sobre o Rush, que albuns como 2112 e muitas idéias presentes nas letras da banda, fazem referência às idéias da autora.

Assim como o disco “2112″ é baseado em Anthem, o álbum “Fly By Night” possui uma musica, a primeira, chamada “Anthem.

Rock Progressivo - Um gosto pessoal / definição

domingo, setembro 28th, 2008

Desde 1994, sou um apreciador do bom e velho Rock Progressivo. O lugar onde eu morava, somado às condições financeiras de minha família, não permitiram que eu conhecesse o rock inglês mais cedo, tipo, comprar discos de vinil, essas coisas.

Meu gosto musical inicial era na base de Raul Seixas, Nirvana, Metallica e Guns N´Roses. Rádio, ouvia pouco. Pois a música brasileira não me interessava - com a exceção de grandes bandas como Engenheiros do Hawaii, Garotos da Rua, Cascaveletes, Blitz (sim, eu gostava e ainda gosto muito do som deles), Legião Urbana e, principalmente, Ultraje a Rigor.

Acho que foi lá por 1994, quando uma conhecida abriu - com o dinheiro dos pais - uma locadora de cd´s. Na época, eu não tinha aparelho. Portanto, gravava os cd´s em k7 para ouvir em casa. Se fazia isso muito naquela época. E o disco que ficou gravado na minha mente era um que tinha uma coruja na capa. Ainda lembro exatamente quando vi aquele cd e perguntei pro cara que atendia, que depois de tornou um grande amigo, o Cláudio, atualmente residindo em Joinville (e cônsul do glorioso Sport Club Internacional), que banda era aquela.

Claro, o disco da coruja era o Fly By Night, do Rush. Lembro que ele me disse “Ah, não acredito que tu não conhece o Rush?”

Não conhecia. Ele me gravou a fita e eu quase gastei de tanto ouvir. Depois fiquei sabendo que a música tema do MaCgyver (profissão perigo - um seriado dos anos 80, o melhor de todos os tempos), também era deles: Tom Sawyer.

E, foi ali que comecei a procurar mais sobre o Rush. Depois, com o advento da Internet, eu já morando em Porto Alegre, ficou mais fácil de pesquisar sobre essas bandas. A seguinte foi o Emerson, Lake & Palmer. Já tinha aparelho que tocasse CD, e comprei o “Best Of Elp”.

Antes, uma estoria engraçada. Quando eu ainda não tinha como tocar CD, teve um amigo secreto na empresa onde trabalhava. E tinha um mural onde dava para colocar sugestões. E coloquei: qualquer um do Rush, exceto o Fly By Night. Pois esse eu já tinha ouvido, e queria ouvir os demais. Pois bem, o colega que me tirou no amigo secreto, o Luciano, era Engenheiro de Obras. E, coincidentemente, estava viajando a trabalho para os Eua. E ele me trouxe simplesmente o Moving Pictures. Que depois vim a saber que era o melhor do Rush (conforme a maioria popular, mas eu considero Permanent Waves e Signals os melhores).

Bom, retomando, Rush, depois ELP. Mais tarde vieram Yes, Genesis, Marillion, Supertramp - que eu já ouvia muito na rádio. Aliás, era a única banda de RP que tocava na rádio. Com exceção de uma música que até hoje toca na Rádio Gaúcha, que recentemente descobri ser uma do Triumvirat, “History of Mistery” (será que o grupo RBS paga royalties pro Triumvirat???). A música do Supertramp era a famosa “Logical Song”.

Buenas, depois de ler sobre várias bandas, me senti atraída por uma apenas pelos artigos de um fã: Van der Graaf Generator. Lembro que o nome do fã era Lucas e ele tinha um site com resenhas de álbuns. Simplesmente esqueci o sobrenome dele. E acho que o site não existe mais. Era na época do Geocities. Mas a partir dali fui atrás e descobri o “Pawn Hearts” do VDGG. E ainda considero essa a obra máxima do RP.

O resto é história. Com o advento da Internet, até hoje descubro “bandas novas”. Isto é, bandas do final dos 60 e da década de 70, muitas vezes lançando um disco apenas e desaparecendo. Bandas da Itália, Alemanha, Suécia, Austrália, África do Sul, etc etc etc.Podem falar o que quiser da pirataria, mas agradeço a vários amantes do RP que possuem blogs e procuram apresentar essas obras do passado para quem ainda não as conhece. De outra maneira, não haveria como conhecer essas bandas. E, francamente, uma banda que encerrou as atividades há mais de 30 anos, geralmente de um disco só, é quase um favor disponibilizarem o disco deles para os interessados.

Enfim, hoje já conheço “algumas” bandas de RP. Me considero um profundo conhecedor, já que passei por quase todo o grande RP Inglês, vasculhei o Alemão, o Italiano, e o de outros países.

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Rock progressivo (também abreviado por prog rock ou prog) é um ambicioso, eclético e muitas vezes grandioso estilo de música de rock que apareceu no fim da década de 1960, principalmente na Inglaterra, atingindo o pico da sua popularidade no princípio da década de 1970, porém ainda hoje conquista inúmeros novos ouvintes. O rock progressivo foi um movimento principalmente europeu que bebeu as suas principais influências na música clássica e no jazz fusion, em contraste com o rock estadunidense historicamente influenciado pelo rhythm and blues e pela música country. Ao longo dos anos apareceram muitos sub-géneros deste estilo tais como o rock sinfônico, o space rock, o krautrock, o R.I.O e o metal progressivo. Praticamente todos os países desenvolveram músicos ou agrupamentos musicais voltados a esse gênero e uma boa dose de músicas típicas regionalmente também se inseriu no estilo.

Seus fãs admiram o estilo pela sua complexidade, que requer um alto grau de virtuosismo e entendimento musical teórico por parte dos intérpretes. A crítica muitas vezes (amplamente após o surgimento do punk rock) troça do género por ser demasiado pomposo e complacente. Isto deve-se ao fato de que ao contrário de outros estilos musicais consistentes como a música country ou o hip hop, o rock progressivo é difícil de definir de um modo conclusivo. Robert Fripp líder da banda King Crimson chegou a mostrar de viva voz o seu desdém pelo termo.

As principais características do rock progressivo incluem:

- Elementos essenciais

* Composições longas, por vezes atingindo os 20 minutos (ou até mesmo durando o tempo de um álbum inteiro, como é o caso do Thick as a Brick, da banda Jethro Tull), com melodias complexas e harmonias que requerem uma audição aguçada para que se possa compreendê-las. Estas são muitas vezes chamadas de épicos e são a melhor aproximação do género à música clássica. Um bom exemplo dos primeiros foi a peça de 23 minutos “Echoes” dos Pink Floyd, ou “Atom Heart Mother”. Outros exemplos famosos são: “Close to the Edge” dos Yes com 18 minutos, “2112″ e “Hemispheres” do Rush com 20 e 18 minutos, respectivamente. “A Change Of Seasons”, com 23 minutos e “Six Degrees of Inner Turbulence”, com 42 minutos (dividida em 8 sessões, tambem chamados “Atos”), “Octavarium”, com 23 minutos, todas do Dream Theater e “Supper’s Ready” dos Genesis com 23 minutos, além do álbum de uma só música, do Jethro Tull, Thick as a brick, “Eruption” Focus com 23 minutos e Emerson, Lake & Palmer, com as peças “Tarkus” e “Karn Evil 9″. No Brasil temos “1974″ do e “Amanhecer Total” do O Terço com 13 minutos e 19 minutos respectivamente, “Eyes of time” do Arion com 14 minutos, “Luares” do Palma com 15 minutos e “Hey Joe” dos Mutantes com 12 minutos.

Mais recentemente encontram-se exemplos extremos: “Light of Day, Day of Darkness” dos Green Carnation com 60 minutos e “Garden of Dreams” dos The Flower Kings com 64 minutos, embora dividido em 18 secções.

* Letras complexas e que expressam por narrativas impenetráveis tocando temas como a ficção científica, a fantasia, a religião, a guerra, o amor, a loucura e a história. Para além disso e reportando aos anos 1970 muitas bandas progressivas (principalmente alemãs) usavam letras com cariz político (de esquerda) e preocupações sociais. Apesar de estas características poderem ser bastante comuns em muitas bandas deste estilo, o factor “letras” não pode ser utilizado para definir o rock progressivo. Muitas das grandes músicas no rock progressivo são instrumentais.

* Álbuns conceptuais, nos quais o tema ou história é explorado ao longo de todo o álbum, tornando-se um conceptual do estilo ópera rock se seguir uma história. Na época dos discos de vinil, normalmente eram usados álbuns duplos com capas com gráficos bastante sugestivos e muito completas. Exemplos famosos disso incluem: The Lamb Lies Down on Broadway dos Genesis, 2112 e Hemispheres do Rush,Tales From Topographic Oceans dos Yes, Dark side of the Moon e The wall dos Pink Floyd, e mais recentemente Metropolis, Pt. 2: Scenes From A Memory dos Dream Theater, Bigorna do Cartoon (banda) ou Snow dos Spock’s Beard.

* Vocalizações pouco usuais e uso de harmonias vocais múltiplas: Magma, Robert Wyatt e Gentle Giant.

* Uso proeminente de instrumentos eletrônicos, particularmente de teclados como órgão Hammond, piano, mellotron, sintetizadores Moog (moog modular e minimoog) e sintetizadores ARP, em adição à combinação usual do rock de guitarra, baixo e bateria. Além disso, instrumentos pouco ligados à estética rock, como a flauta (o mais utilizado destes), o violoncelo, bandolim, trompete e corne inglês. A busca de novos timbres e novos padrões sonoros, conseguidos naturalmente através desses instrumentos ou tratados em estúdios, também sempre foi uma obsessão de seus músicos e admiradores, ávidos por atingirem (e arrombarem) as portas da percepção sonora.

* O uso de síncope, compasso composto, escalas musicais e modos complexos. Algumas peças usam múltiplos andamentos e tempos muitas vezes sobrepostos. O início de Close To The Edge dos YES é um exemplo claro de polirritmia. A banda King Crimson combina muitas vezes muitos deste elementos na mesma música. Muitas das músicas do Rush são em parte ou completamente na métrica de 7/8. “Dance of eternity” do Dream Theater, tem mudanças de compasso numa sequência de 5/8-5/8-7/8-5/8-7/8-5/8-5/8-7/8.

* Enormes solos de praticamente todos os instrumentos, expressamente para demonstrar o virtuosismo e feeling dos músicos, sendo esta o tipo de actuação que contribuiu para a fama de intérpretes como os tecladistas Rick Wakeman e Keith Emerson, os bateristas Neil Peart, Mike Portnoy e Carl Palmer, guitarristas como David Gilmour, John Petrucci e Steve Howe e baixistas como Chris Squire e Geddy Lee.

* Inclusão de peças clássicas nos álbuns. O Yes, por exemplo, começavam os seus concertos com um sampler de “Firebird suite” de Igor Stravinsky e o Emerson Lake & Palmer tocava arranjos de peças de Aaron Copland, Bela Bartok, Modest Mussorgsky, Sergei Prokofiev, Leoš Janáček e Alberto Ginastera, e muitas vezes misturavam partes extensas de peças de Johann Sebastian Bach. A bandaMarillion começou concertos com “La Gazza Ladra” de Gioacchino Rossini e deram esse nome ao seu terceiro álbum ao vivo. Symphony X inspirou-se em e incluíram peças de Ludwig van Beethoven, Gustav Holst e Wolfgang Amadeus Mozart. Emerson Lake & Palmer chegaram ao ponto de tocar apenas clássicos. Pictures at an exibition, do grupo Emerson, Lake & Palmer é o melhor exemplo disso, sendo uma peça de Mussorgsky à qual foi dada um arranjo rock, e acrescentadas letras e músicas compostas pelos intérpretes.

Outros exemplos são “The Barbarian” (um arranjo para piano da peça “Allegro Bárbaro” de Bela Bartok e “Knife edge” (um arranjo com letra da “Sinfonietta” de Leos Janacek em conjunto com “French suite em Ré menor de Bach. Os grupos Renaissance, OMEGA e diversas outras bandas costumavam inserir trechos de peças barrocas como a “Toccata e Fuga em Ré menor BWV 565″ de Bach.

Modelos de composição

As composições do rock progressivo muitas vezes seguem estes modelos de “suite”:

* A forma de uma peça que é sub-dividida em várias à maneira da música erudita. Um bom exemplo disso é “Close to the edge” e “And You And I” do Yes no álbum Close to the Edge, que são divididas em quatro partes, ou “Shine on You Crazy Diamond” do Pink Floyd dividida em nove partes,”2112″ do Rush dividida em oito partes,ou até mesmo a instrumental “La villa Strangiato” dividida em onze partes. Outros exemplos mais recentes do metal progressivo são “A Change of Seasons” (do álbum homônimo) e “Octavarium” (do álbum homônimo) do Dream Theater, que é dividida em sete e cinco partes respectivamente e “Through the Looking Glass” (três partes), “The Divine Wings of Tragedy” (sete partes) e “The Odyssey” (sete partes) do Symphony X.

* Composição feita de várias peças, estilo “manta de retalhos”. Bons exemplo são: “Supper’s ready” do Genesis no álbum Foxtrot e o álbum Thick as a Brick do Jethro Tull.

* Uma peça que permite o desenvolvimento musical em progressões ou variações à maneira de um bolero. “Abbadon’s Bolero” do trio Emerson, Lake & Palmer, “King Kong” do álbum Uncle meat de Frank Zappa é um bom exemplo.

História

Anos 1960: os precursores

O rock progressivo nasceu de uma variedade de influências musicais do final da década de 1960, particulamente no Reino Unido. Entre outros desenvolvimentos, os Beatles e outras bandas de rock psicodélico começaram a combinar o rock and roll tradicional com instrumentos da música clássica e ocidental. Os primeiros trabalhos de Pink Floyd e Frank Zappa já mostravam certos elementos do estilo. A composição “Beck’s Bolero”, de Jeff Beck e Jimmy Page em 1966, é um retrabalho de “Bolero” do compositor francês Maurice Ravel. A cena psicodélica continuou o constante experimentalismo, começando peças bastante longas, apesar de geralmente sem tanto tratamento quanto à estrutura da obra (como por exemplo em “In-A-Gadda-Da-Vida” de Iron Butterfly).

Pioneiros alemães da música eletrônica como Tangerine Dream introduziram o uso de sintetizadores e outros efeitos em suas composições, geralmente em álbuns puramente instrumentais. Em meados da década de 1960 o The Who também lançou álbuns conceituais e opera rocks, apesar de ser baseado principalmente na improvisação do blues, assim como feito por outras bandas contemporâneas tais como Cream e Led Zeppelin.

Anos 1970: nascimento, auge e queda

Bandas tidas como referência do rock progressivo incluem The Nice e Soft Machine, e apesar das origens terem sido formadas em meados da década de 1960 foi somente em 1969 que a cena estaria se formando concretamente, como evidenciado pela aparição de King Crimson em fevereiro desse mesmo ano. A banda foi seguida rapidamente de outras bandas do Reino Unido incluindo Yes, Genesis, Pink Floyd, Emerson Lake and Palmer e Jethro Tull. Exceto pelo ELP, tais bandas começaram suas carreiras antes do King Crimson, mas mudaram o curso de sua música consideravelmente após o lançamento do álbum In the Court of the Crimson King. A mudança do som do Pink Floyd também foi reflexo da saída de Syd Barrett, o maior compositor da banda entre 1965 e 1967.

O rock progressivo ganhou seu momento quando os fãs de rock estavam em desilusão com o movimento hippie, movendo-se da música popular sorridente da década de 1960 para temas mais complexos e obscuros, motivando a reflexão. O álbum Trespass do Genesis inclui a canção “The Knife”, que retrata um demagogo violento, e “Stagnation”, que retrata um sobrevivente de um ataque nuclear. O Van der Graaf Generator também abordava temas existenciais que relacionavam-se como o niilismo.

O estilo foi especialmente popular na Europa e em partes da América Latina. Várias bandas fora do Reino Unido que seguiram a trajetória dos britânicos foram o Premiata Forneria Marconi, Area, Banco del Mutuo Soccorso e Le Orme da Itália, além de Ange e Magma da França. A cena italiana foi posteriormente categorizada como rock sinfônico italiano. A Alemanha também produziu uma cena progressiva significante, geralmente referida como Krautrock. Os Tantra e José Cid, cujo disco 10.000 anos depois entre Vénus e Marte é considerado um dos melhores de rock progressivo, protagonizaram o género em Portugal. No Brasil, Os Mutantes combinaram elementos da música brasileira, rock psicodélico e outros sons experimentais para criar um som nada ortodoxo, com letras inspiradas pela fantasia, literatura e história.

Um grande elemento de vanguarda e contra-cultura é associado com o rock progressivo. durante a década de 1970 Chris Cutler do Henry Cow ajudou a formar um grupo de artistas referidos como Rock in Opposition, cuja proposta era essencialmente criar um movimento contra a atual indústria da música. Os membros originais incluiam diversos grupos tais como Henry Cow, Samla Mammas Manna, Univers Zéro, Etron Fou Leloublan, Stormy Six, Art Zoyd, Art Bears e Aqsak Maboul.

Fãs e especialistas possuem maneiras divergentes de categorizar as diversas ramificações do rock progressivo na década de 1970. A Cena Canterbury pode ser considerada um sub-gênero do rock progressivo, apesar de ser muito mais direcionado ao jazz fusion. Outras bandas tomaram uma direção mais comercial, incluindo Renaissance, Queen e Electric Light Orchestra, e são algumas vezes categorizadas como rock progressivo. Através do tempo, bandas como Led Zeppelin e Supertramp também incorporaram elementos não usuais em seu som tais como quebras de tempo e longas composições.

A popularidade do gênero atingiu seu auge em meados da década de 1970, quando os artistas regularmente atingiam o topo das paradas na Inglaterra e Estados Unidos. Nessa época começaram então a surgir bandas estadunidenses como Kansas e Styx, que apesar de existirem desde o começo dos anos 70, tornaram-se sucesso comercial após o vinda do rock progressivo às Américas. A banda de Toronto, Rush, também foi muito bem sucedida fazendo um hard rock com influências progressivas, com uma seqüência de álbuns de sucesso desde meados da década de 1970 até atualmente.

Com o advento do punk rock no final da década de 1970 as opiniões da crítica na Inglaterra voltaram-se ao estilo mais simples e agressivo de rock, com as bandas progressivas sendo consideradas pretensiosas e exageradas em demasiado, terminado com o reinado de um dos estilos mais liderantes do rock.[1][2] Tal desenvolvimento é visto freqüentemente como parte de uma mudança geral na música popular, assim como o funk e soul foram subsituídos pela música disco e o jazz ameno ganhou popularidade sobre o jazz fusion. Apesar disso, algumas bandas estabelecidas ainda possuíam ampla base de fãs, como Rush, Genesis, Yes e Pink Floyd, e continuaram regularmente no topo de paradas e realizando grandes turnês. Em torno de 1979, é geralmente considerado que o punk rock evoluiu para o New Wave, e na mesma época o Pink Floyd lançou The Wall, um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos.

Anos 1980: o rock neoprogressivo

Os princípios dos anos 1980 assistiram ao revivalismo do género, através de bandas como os Marillion, IQ, Pendragon e Pallas. Os grupos que apareceram nesta altura são por vezes chamados de “neoprogressivos”. Foram amplamente inspirados pelo rock progressivo, mas também incorporaram fortemente elementos do new wave. É caracterizado pela música dinânica, com grande presença de solos tanto de guitarra quanto de teclado. Por esta altura alguns dos grupos leais ao rock progressivo mudaram a sua direcção musical, simplificando as suas composições e incluindo mais abertamente elementos electrónicos. Em 1983 os Genesis alcançam um grande êxito internacional com o single “Mama”, que tinha um forte ênfase na bateria eletrônica. Esta canção foi gravada em um álbum que também celebrizou o clássico “Home by the Sea”, que apresentava uma versão com letra e outra instrumental. Em 1984, o Yes alcança um grande êxito com o álbum 90125 e seu hit “Owner Of A Lonely Heart”, que continha (para aquela época) efeitos eletrônicos modernos e era acessível a ser tocada em discotecas e danceterias.

Anos 1990: third wave e metal progressivo

Nos anos 1990 outras bandas começaram a reviver o estilo com a chamada third wave, composta por bandas como os suecos The Flower Kings, os ingleses Porcupine Tree, os escandinávo e os americanos Spock’s Beard e Echolyn, que incorporaram o rock progressivo no seu estilo único e eclético. apesar de não soar igual, tais bandas estão muito relacionadas com os artistas da década de 1970, considerados por alguns inclusive uma fase retrô do estilo.

Na mesma época houve o surgimento do metal progressivo, um estilo comercialmente bem sucedido que também derivou vários elementos do rock progressivo, incorporando também elementos do heavy metal. Isso trouxe para o estilo uma maior técnica, fruto de uma aprendizagem acadêmica, capacitando-as a explorar músicas longas e álbuns conceituais. Bandas do estilo incluem Tool, Dream Theater (Estados Unidos), Ayreon (Países Baixos), Queensrÿche (Estados Unidos), Opeth (Suécia), Symphony X, Pain Of Salvation, Fates Warning, Ark e A.C.T (Suécia). Bandas da década de 1970 frequentemente citadas como referência para o metal progressivo coincidem com as mais bem sucedidas, tais como Yes, Rush, Pink Floyd e Genesis.

No trabalho de grupos contemporâneos como os Radiohead e bandas post rock como Sigur Rós e Godspeed You! Black Emperor, estão presentes alguns dos elementos experimentais do rock progressivo.

Rolling Stone: As Melhores Entrevistas da Revista Rolling Stone

quinta-feira, setembro 25th, 2008

A Rolling Stone é uma revista presente em vários países com mais de quarenta anos de publicação. Suas páginas são registros vivos e atuais da produção cultural durante todo este período. Foi pensando nisso que Jann S. Wenner (fundador, editor e publisher da revista) e Joe Levy (editor-executivo da Rolling Stone) resolveram reunir, em um livro, as quarenta melhores entrevistas da publicação, todas na integra para você conferir os maiores astros do rock, estrelas de cinema e ícones cultuados em todo o planeta revelando suas verdadeiras faces e segredos como em nenhum outro lugar.

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Não se trata de uma coletânea de entrevistas e sim de um retrato artistíco, musical e cultural dos últimos 40 anos em todo o mundo. Grandes nomes dos anos 60 como Lennon, Jagger, Dylan ou compositores da década de 70 como Neil Young e Joni Mitchell estão presentes nesta obra, contando segredos e intimidades em entrevistas inteligentes e reveladoras. Ídolos dos anos 80 também marcaram presença na Rolling Stones como Bruce Springsteen e Bono. As entrevistas que marcaram os anos 90 trouxeram nomes como Kurt Cobain e outros. Você irá se deliciar com as declarações destes e muito outros artistas que influenciaram estilos.

Mas nem só de música vive a Rolling Stone: há entrevistas com ninguém menos que Francis Ford Coppola, George Lucas, Clint Eastwood e Spike Lee e outros grandes nomes da maravilhosa sétima arte, o cinema.
Para completar, os grandes escritores, lidos por milhões de pessoas e traduzidos nos mais diversos idiomas estão presentes como Hunter S. Thompson, Truman Capote, Tom Wolfe. Até mesmo uma das grandes divindades que ainda anda entre nós foi entrevistada: Deus. “Mas como?” você deve se perguntar. Simples: ele foi representado pelo Dalai-lama.

Rolling Stone: As Melhores Entrevistas da Revista Rolling Stone é um livro que reúne quarenta anos de cultura e grandes nomes da arte em entrevistas imperdíveis que você não pode deixar de conferir.

Música caseira

quarta-feira, junho 18th, 2008 YouTube Preview Image

Para que serve a música?

quinta-feira, maio 1st, 2008

A música sempre foi tratada pela ciência como mera fonte de diversão. Agora, pesquisadores estão propondo que sua função vai muito além do prazer.

Antes de ler esta reportagem, tente lembrar quantas vezes na última semana você ouviu música. Não só as baladas do rádio, mas também as pílulas de sonolência na sala de espera do dentista. Ou o canto de alguém a seu lado no ônibus. É muito provável que você não tenha passado um único de seus últimos dias sem escutar alguns acordes. Às vezes nem nos damos conta, mas a música nos cerca por todos os lados. Há música para dançar, namorar, estudar. Música para enfrentar o trânsito, trabalhar, fazer ginástica e para relaxar no final do dia. Música para rezar, curar e memorizar. Para comunicar as emoções que não conseguimos transmitir só por meio de palavras. E música simplesmente para ouvir e curtir. Dos aborígines australianos aos esquimós no Alasca, todas as sociedades do mundo a têm em sua cultura - até porque, você pode não saber, mas a música está conosco desde quando ainda nem éramos seres humanos propriamente ditos.

Com base no achado de flautas de ossos feitas há 53 mil anos pelos neandertais, pesquisadores estimam que a atividade musical deve ter pelo menos 200 mil anos - contra 100 mil anos de vida do Homo sapiens. É bacana imaginar que talvez esses hominídeos já buscassem formas de diversão. Mas, pensando bem, que sentido pode fazer a música em um período no qual nossos ancestrais estavam muito mais preocupados em não ser devorados por um leão do que com o próprio prazer? E mesmo na sociedade contemporânea, se nos cercamos de música com tanto afinco, é de supor que, assim como a fala, ela sirva para alguma coisa, tenha alguma função específica para a humanidade. Mas qual?

A pergunta atormenta filósofos e cientistas há séculos e, infelizmente, ainda não tem resposta conclusiva. Já se imaginou, por exemplo, que a música é responsável por reger a harmonia entre os homens e os astros que mantém a ordem do Universo - uma idéia formulada por Pitágoras no século 5 a.C. Hoje, boa parte da pesquisa científica por explicações tem uma perspectiva evolutiva e biológica. Muitos ainda a vêem apenas como produto cultural voltado ao prazer, sem nenhuma importância para o desenvolvimento humano. “Uma primorosa iguaria que estimula as nossas outras faculdades mentais”, defende o psicólogo Steven Pinker em seu livro Como a Mente Funciona. Apesar de meramente especulativas, teorias evolutivas são as que parecem estar mais próximas de nos responder as perguntas acima. Então, vamos a elas.

INICIAÇÃO MUSICAL

A primeira hipótese sobre a função da música foi levantada por Charles Darwin. O biólogo que popularizou o conceito de evolução das espécies dizia que a música é determinante para a escolha de parceiros sexuais, uma vez que as fêmeas seriam atraídas pelos melhores cantores. “O homem que canta bem, é afinado, expõe melhor seus sentimentos. Parece mais sensível, mais inteligente. E isso agrada as mulheres”, afirma o jornalista e músico brasileiro Paulo Estêvão Andrade, que está escrevendo um livro sobre pesquisas que relacionam música e cérebro. Isso soa bastante familiar: qual mulher nunca teve uma quedinha pelos músicos - dos modernosos DJs aos eternos tocadores de violão em rodas de amigos? “A música sempre está ligada ao comportamento sexual, desde os rituais de acasalamento, até as conquistas dos jovens de hoje em danceterias ou shows”, afirma o neurocientista americano Mark Tramo, que coordena o Instituto para Ciências da Música e do Cérebro, da Universidade Harvard.

Muitos cientistas não se convencem de que essa teoria explica, sozinha, toda a importância da música para diferentes sociedades do planeta. Uma das hipóteses mais aceitas hoje é a de que a música teve função primordial na formação e sobrevivência dos grupos e na amenização de conflitos. Se ela existe e persiste, é porque provoca respostas que agem como um forte fator de coesão social. “Precisávamos caçar e nos defender juntos e para isso tivemos de nos organizar. A música abriu o caminho para nos comunicarmos e dividir nossas emoções”, explica Mark.

Mas como era essa música feita por nossos antepassados? Provavelmente ela surgiu como uma manifestação das emoções. Uma sofisticação, por exemplo, do choro e da risada. Principalmente, como uma forma de chamar a atenção do grupo e motivá-lo para a realização de uma atividade que precisava ser feita em conjunto. É possível imaginar que um indivíduo batesse palmas, ou pedras ou gravetos, mas o mais plausível é que o primeiro instrumento musical tenha sido mesmo a voz humana. O cientista cognitivo William Benzon, autor do livro Beethoven’s Anvil (”A Bigorna de Beethoven”, sem tradução para o português) especula que tudo começou muito tempo antes, com a imitação dos sons de outros animais.

Benzon sugere que o Homo erectus, ao se espalhar pelo planeta a partir do leste da África, há 2 milhões de anos, teve de procurar novas formas de se proteger enquanto atravessava as estepes, já que não contava mais com o abrigo das árvores das florestas. Entre muitas outras artimanhas, esses hominídeos teriam começado a emitir chamados ameaçadores. “Se rosnar e rugir como um leão, você não só vai dispersar as presas naturais dele como também outras espécies que estejam por perto”, afirma. Essa imitação teria proporcionado o início do controle do aparelho vocal, primeiro passo para a origem da música e da linguagem. A reprodução dos sons dos animais e da natureza, como o vento ou os trovões, deve ter evoluído até que as necessidades passaram a ser outras, e a imitação deu espaço para a criação. Daí a perceber como o som do “uh-uh-uh” servia para instigar a guerra, por exemplo, não deve ter demorado. Tudo isso sem que fosse necessário dizer uma palavra.

Chegamos então a um ponto delicado: a música surgiu antes ou depois da linguagem falada? Essa é outra pergunta que divide cientistas. As duas aptidões são universais, mas a linguagem obviamente parece muito mais útil que a música, o que leva a crer que ela tenha se desenvolvido primeiro, “com a música ramificando-se da linguagem apenas após ter sido feita boa parte do trabalho evolucionário pesado”, como escreveu o pianista Robert Jourdain em seu livro Música, Cérebro e Êxtase.

Acreditar que primeiro desenvolvemos a fala e depois apuramos a técnica musical pode parecer um caminho lógico. Mas a verdade é que não é exatamente assim que funciona nosso ciclo de aprendizado. Antes de os bebês saberem falar, eles já balbuciam de uma forma muito musical. “É comum vê-los inventando musiquinhas mesmo desconhecendo a reprodução dos sons convencionais”, diz a psicóloga Sandra Trehub, da Universidade de Toronto, que pesquisou a percepção musical em crianças. Isso pode ser um indicativo de como nossos ancestrais se manifestavam antes de desenvolver a linguagem. “Talvez as cordas vocais e bocas deles ainda não estivessem prontas para falar, mas eles tinham ritmo e podiam grunhir e fazer sons. Isso poderia ser tomado como música, ou ao menos como sua raiz”, afirma Mark Tramo.

CANTAR PARA QUÊ?

Mas se o uso da música como ferramenta de comunicação foi ultrapassado pela linguagem, por que ela continuou existindo? Para essa pergunta nem precisamos da ajuda dos cientistas. Todo mundo que já se apaixonou e dedicou uma música ao ser amado pode responder sem medo. É porque ela assumiu um papel que a fala sozinha não deu conta: transmitir emoções. E essa característica nós podemos notar independentemente das preferências pessoais de cada um. Para provar isso o psicólogo John Sloboda, da Universidade de Keele, na Inglaterra, uma das maiores autoridades em emoção musical do mundo, fez um teste interessante. Ele colocou 83 voltuntários para ouvir uma série de peças musicais e depois pediu que eles descrevessem qual sensação tiveram. Cerca de 90% reportaram “frio na espinha” e “nó na garganta”. Alguns chegaram a chorar. Ao checar quais trechos haviam provocado essas reações, Sloboda constatou que eram basicamente os mesmos.

Alguns acordes parecerem tristes e outros felizes pode ter também uma explicação evolutiva. Essa interpretação é relacionada com a forma como o nosso cérebro processa sons amistosos e ameaçadores desde a época em que éramos presas fáceis. “Pense num cão. Quando ele quer demostrar carinho faz um som mais agudo, mais tonal. Quando está agressivo é mais grave e ruidoso”, diz Paulo Estêvão Andrade. Assim, dependendo da combinação de tons, a música é capaz de provocar uma sensação que vai do prazeroso ao desagradável. Quanto mais dissonantes forem os intervalos das notas musicais, maior será a sensação de tensão ou medo. Isso é fácil de ser identificado se ouvirmos as trilhas sonoras de filmes de terror ou suspense, como a clássica de Psicose, de Alfred Hitchcock.

Essa função musical de comunicar sentimentos faz sentido não só hoje, mas em sua própria origem. Se os animais também modificam a expressão vocal para demonstrar um sinal de pacto, como o ganido de submissão de um cachorro, “parece inevitável que as expressões formais de emoção sejam aos poucos fundidas em algo semelhante à melodia”, escreve Jourdain. “É exercitando ou aplacando emoções que estabelecemos relação com outros seres humanos.” E a música corporifica isso.

Para quem começou a reportagem falando que não havia utilidade aparente para a música, até que já alcançamos uma boa marca. Mas alguns pesquisadores ainda vão além. Para Ian Cross, diretor do Centro para Música e Ciência da Universidade de Cambridge, a música também é capaz de ativar capacidades como a memória e talvez até mesmo a inteligência. O efeito sobre a memória é facilmente detectado no dia-a-dia. Pegue, por exemplo, a época de eleições. Quem acompanhou a campanha para a Presidência em 1989 deve se lembrar até hoje de muitas das musiquinhas dos candidatos, como os clássicos “Lula-lá” e “Ey, ey, Eymael”. Para fixar alguma informação, nada melhor do que musicá-la - veja as técnicas de alunos de cursinho para decorar fórmulas. Essa faceta da música parece ter sido útil para a transmissão da cultura na pré-história, quando ainda não dominávamos a escrita.

Já o impacto sobre a inteligência é mais difícil de constatar. A tentativa mais famosa ficou conhecida como “efeito Mozart”. Quando foi proposta, em 1993, levou a um surto de compras de discos do compositor, mas até hoje é polêmica. Na ocasião o neurocientista Fran Rauscher, da Universidade de Wisconsin, e o neurologista Gordon Shaw, da Universidade da Califórnia, mostraram que crianças apresentavam desempenho matemático melhor após ouvir sonatas do compositor austríaco. O efeito da simples audição, no entanto, nunca foi comprovado. O que parece fazer mais sentido é quanto a possíveis benefícios relacionados ao aprendizado de música, que induz ao prolongamento dos neurônios e aumento das conexões entre eles. Os cérebros dos músicos, inclusive, acabam apresentando uma massa maior de neurônios, o que sugere maior inteligência.

CURA PELO SOM

De todas as funções abordadas até agora, nenhuma é tão misteriosa quanto o possível uso medicinal da música, principalmente para pacientes com mal de Parkinson ou Alzheimer e vítimas de derrame que só melhoram escutando música. Histórias complexas são relatadas pelo neurologista Oliver Sacks em livros como Tempo de Despertar, que foi adaptado para o cinema. É exemplar o caso da paciente Frances D., que sofria de Parkinson e durante as crises ficava paralisada, rangendo os dentes e sofrendo muito.

Sacks descobriu que a única coisa que acalmava os sintomas era a música. Quando Frances ouvia o som, desapareciam completamente todos os fenômenos “obstrutivo-explosivos” e ela ficava feliz. “A senhora D., repentinamente livre de seus automatismos, ‘regia’ sorridente a música ou se levantava e dançava ao seu som”, escreveu Sacks. O médico percebeu o mesmo efeito em vários outros pacientes. Em alguns casos, só de pensar em música eles ficavam melhores.
Mas, infelizmente, o remédio é temporário, proporcionando uma espécie de equilíbrio momentâneo para o cérebro doente. “A música vence os sintomas ao transportar o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ela estabelece fluxo no cérebro, enquanto, ao mesmo tempo, estimula e coordena as atividades cerebrais, colocando suas antecipações na marcha correta”, diz Robert Jourdain. Para o pianista - que busca responder em seu livro por que gostamos tanto de música -, a mágica que ocorre com os pacientes é a mesma que ocorre com todos nós. “A música nos tira de hábitos mentais congelados e faz a mente se movimentar como habitualmente não é capaz. Quando somos envolvidos por música bem escrita, temos entendimentos que superam os da nossa existência. E quando o som pára, voltamos para nossas cadeiras de rodas mentais.”

Frank Zappa - Fillmore East - June 1971 (02/08/1971)

quinta-feira, maio 1st, 2008

Faixas

Todas as canções compostas por FranK Zappa, exceto onde indicado

LP

Side one

1. “Little House I Used To Live In” - 4:58
2. “The Mud Shark” - 5:16
3. “What Kind Of Girl Do You Think We Are?” - 4:51
4. “Bwana Dik” - 2:27
5. “Latex Solar Beef” - 4:22
6. “Willie The Pimp Part One” - 2:50

Side two

1. “Willie The Pimp Part Two” - 1:54
2. “Do You Like My New Car?” - 7:08
3. Happy Together (2:57)
4. “Lonesome Electric Turkey” - 2:34
5. “Peaches En Regalia” - 3:22
6. “Tears Began To Fall” - 2:46

CD

1. “Little House I Used to Live In” – 4:41
2. “The Mud Shark” – 5:22
3. “What Kind of Girl Do You Think We Are?” – 4:17
4. “Bwana Dik” – 2:21
5. “Latex Solar Beef” – 2:38
6. “Willie the Pimp, Pt. 1″ – 4:03
7. “Do You Like My New Car?” – 7:08
8. “Happy Together” (Gary Bonner, Alan Gordon) – 2:57
9. “Lonesome Electric Turkey” – 2:32
10. “Peaches en Regalia” – 3:22
11. “Tears Began to Fall” – 2:45

Músicos: Frank Zappa - Aynsley Dunbar – Bob Harris – Howard Kaylan – Jim Pons – Don Preston – Ian Underwood – Mark Volman

Frank Zappa - Chunga’s Revenge (23/10/1970)

quinta-feira, maio 1st, 2008

Primeiro album de Zappa dos anos 70 - well, era 1970 ainda, poucos meses ainda do início mesmo da década, mas a mudança do som já indicava o que viria a seguir  -, primeira aparição de Flo & Eddie dos Turtles em uma gravação do Zappa, dando início à mistura de amor e ódio que os fãs de Zappa têm pela dupla. Chunga’s Revenge representa uma conbinação entre a veia satírica política dos trabalhos dos The Mothers of Invention nos anos 60 e o jazz fusion de Hot Rats.

O material apresentado aqui é eclético; duas jans de guitarra, “Transylvania Boogie” e a faixa-título, um blues, “Road Ladies”), um interlúdio de jazz, “Twenty Small Cigars” (das sessões de Hot Rats), uma composição Avant-Garde improvisada ao vivo, “The Nancy and Mary Music” e várias outras canções. Todos os vocais traçam a idéia de sexo e/ou encontros com as chamadas “groupies”. Zappa anota nos comentários que era um preview para o album 200 Motels. Na real, partes de Chunga´s Revenge fariam parte do filme, mas na edição final ficaram de fora.

Faixas

Todas escritas por Frank Zappa

Side one

1. “Transylvania Boogie” - 5:01
2. “Road Ladies” - 4:11
3. “Twenty Small Cigars” - 2:17
4. “The Nancy & Mary Music” - 9:30
1. part 1 - 2:42
2. part 2 - 4:11
3. part 3 - 2:37

Side two

1. “Tell Me You Love Me” - 2:43
2. “Would You Go All The Way?” - 2:30
3. “Chunga’s Revenge” - 6:16
4. “The Clap” - 1:24
5. “Rudy Wants To Buy Yez A Drink” - 2:45
6. “Sharleena” - 4:07

CD

1. “Transylvania Boogie” – 5:01
2. “Road Ladies” – 4:10
3. “Twenty Small Cigars” – 2:17
4. “The Nancy and Mary Music” – 9:27
5. “Tell Me You Love Me” – 2:33
6. “Would You Go All the Way?” – 2:29
7. “Chunga’s Revenge” – 6:15
8. “The Clap” – 1:23
9. “Rudy Wants to Buy Yez a Drink” – 2:44
10. “Sharleena” – 4:04

Músicos

* Frank Zappa
* Max Bennett
* George Duke
* Aynsley Dunbar
* John Guerin
* Don “Sugarcane” Harris
* Howard Kaylan
* Mark Volman
* Jeff Simmons
* Ian Underwood

Produção

* Produtor: Frank Zappa
* Engenheiros: Stan Agol, Roy Baker, Dick Kunc, Bruce Margolis
* Assistente de Produção: Dick Barber
* Arranjador: Frank Zappa
* Desenho da capa: Cal Schenkel
* Ilustrações: Cal Schenkel
* Fotografia: Phil Franks (front cover) e John Williams

Frank Zappa - Burnt Weeny Sandwich (09/02/1970)

quinta-feira, maio 1st, 2008

Essencialmente, trata-se de um lançamento “póstumo” do Mothers, sendo lançado depois que Frank Zappa encerrou as atividades da banda. Presumidamente um dos músicos favoritos de Zappa, Ian Underwood tem grande destaque no disco. O disco, como a sua contra-parte Weasels Ripped My Flesh, compila faixas até então inéditas do Mothers. Enquanto Weasels é focado na banda ao vivo, a maior parte de Burnt Weeny Sandwich apresenta composições de Zappa trabalhadas e estruturadas em estúdio, como o ápice do disco, The Little House I Used To Live In, que consiste em diversos movimentos.

Zappa mencionou em uma entrevista para a Playboy que o título incomum do disco (algo como “Lanchinho Tostado”) vem de um dos pratos favoritos do músico, que consiste em cachorros quentes tostados entre duas fatias de pão com mostarda.

Burnt Weeny Sandwich e Weasels Ripped My Flesh também foram lançados em conjunto em vinil como 2 Originals of the Mothers of Invention.

Faixas

1. “WPLJ” (Four Deuces) - 2:52
2. “Igor’s Boogie, Phase One” (Zappa) - 0:36
3. “Overture to a Holiday in Berlin” (Zappa) - 1:27
4. “Theme from Burnt Weeny Sandwich” (Zappa) - 4:32
5. “Igor’s Boogie, Phase Two” (Zappa) - 0:36
6. “Holiday in Berlin, Full Blown” (Zappa) - 6:24
7. “Aybe Sea” (Zappa) - 2:46
8. “Little House I Used to Live In” (Zappa) - 18:41
9. “Valarie” (The Mothers of Invention) - 3:15

Músicos

* Frank Zappa - orgão, guitarra, teclado, vocal
* Jimmy Carl Black - percussão, bateria
* Roy Estrada - baixo, vocal
* Gabby Furggy - vocal
* Bunk Gardner - metais, sopros
* Lowell George - guitarra
* Don “Sugarcane” Harris - violino, vocal
* Don Preston - baixo, piano, teclados
* Jim Sherwood - guitarra, vocal, sopros
* Art Tripp - bateria
* Ian Underwood - guitarra, piano, teclados, sopros

Produção

* Produtor: Frank Zappa
* Engenheiro de som: Dick Kunc
* Arranjos: Frank Zappa
* Design: John Williams
* Capa: Cal Schenkel
* Design: Ferenc Dobronyl
* Adaptação da arte para o lançamento em CD: Cal Schenkel

Frank Zappa - Mothermania: The Best of Mothers in Invention (Março 1969)

quinta-feira, maio 1st, 2008

Mothermania (também intitulado The Best of the Mothers) é uma compilação dos albuns dos The Mothers of Invention, liderados por Frank Zappa. São faixas pessoalmente escolhidas por Zappa. Todas aparecem nos albuns anteriores Freak Out!, Absolutely Free e We’re Only in It for the Money. Entretanto, algumas faixas foram mixadas e editadas, ficando ligeiramente diferentes das versões anteriores.

Nunca foi lançada em CD ou outro formato, exceto vinil. É um dos itens mais desejados por fãs de Zappa (já que a família possui o espólio e vem ano a ano lançando material novo do mestre).

Faixas

Todas compostas por Frank Zappa

Lado 1

1. “Brown Shoes Don’t Make It” – 7:26
2. “Mother People” – 1:41
3. “Duke of Prunes” – 5:09
4. “Call Any Vegetable” – 4:31
5. “The Idiot Bastard Son” – 2:26

Lado 2

1. “It Can’t Happen Here” – 3:13
2. “You’re Probably Wondering Why I’m Here” – 3:37
3. “Who Are The Brain Police?” – 3:22
4. “Plastic People” – 3:40
5. “Hungry Freaks, Daddy” – 3:27
6. “America Drinks and Goes Home” – 2:43

Músicos

* Frank Zappa – guitarra, teclados, vocais, múltiplos instrumentos
* Jimmy Carl Black – percussão, bateria
* Roy Estrada – baixo, vocais
* Bunk Gardner
* Don Preston – baixo, teclados
* Euclid James Sherwood – guitarra, vocais
* Arthur Tripp
* Ian Underwood

Produção

* Produtores: Frank Zappa, Tom Wilson
* Diretor de engenharia: Val Valentine
* Engenheiro de som: Ami Hadani, Tom Hidley, Gary Kelgren e Dick Kunc.
* Arranjador: Frank Zappa
* Desenho da capa: Cal Schenkel

Frank Zappa - Hot Rats (10/10/1969)

quinta-feira, maio 1st, 2008

Consiste em seis faixas instrumentais, uma contendo uma breve parte vocal por Captain Beefheart. Foi o primeiro lançamento de Zappa após a dissolução do Mothers of Invention original. Não conta com a participação de ninguém dos Mothers, com exceção de Ian Underwood, que era um colaborador de longa data e uma espécie de braço direito de Zappa. Segundo Zappa, o disco foi gravado em um gravador “caseiro de seis canais”, sendo que alguns afirmam que este é o primeiro disco gravado em seis canais a ser lançado comercialmente. Na época, em 1969, ainda prevaleciam os gravadores de quatro canais (”Abbey Road”, dos Beatles, por exemplo, estava sendo gravado na mesma época e - apesar do estúdio Abbey Road em Londres ser considerado o melhor do mundo - em apenas 4 canais.

Faixas

Todas as canções são de Frank Zappa.

1. “Peaches en Regalia” - 3:38
2. “Willie the Pimp” - 9:16
3. “Son of Mr. Green Genes” - 9:00
4. “Little Umbrellas” - 3:04
5. “The Gumbo Variations” - 16:56
6. “It Must Be a Camel” - 5:15

Músicosl

* Frank Zappa - guitarra, percussão, baixo
* Ian Underwood - orgão, clarineta, flauta, piano, saxofone
* Max Bennett - baixo
* Captain Beefheart - harmônica, vocal
* John Guerin - bateria
* Don “Sugarcane” Harris - violino
* Paul Humphrey - bateria
* Shuggie Otis - baixo
* Jean-Luc Ponty - violino
* Ron Selico - bateria
* Harvey Shantz - ruídos

Produção

* Produtor: Frank Zappa
* Diretor de engenharia: Dick Kunc
* Engenheiros de som: Cliff Goldstein, Jack Hunt, Brian Ingoldsby, Dick Kunc
* Arranjos: Frank Zappa
* Capa: Cal Schenkel
* Design: Cal Schenkel, John Williams

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