Archive for the ‘História’ Category

LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) - Os Lusíadas - Canto Sétimo (1-87)

sábado, abril 14th, 2007

Luís Vaz de Camões

 

Os Lusíadas

Canto Sétimo

1
Já se viam chegados junto à terra,
Que desejada já de tantos fora,
Que entre as correntes Indicas se encerra,
E o Ganges, que no céu terreno mora.
Ora, sus, gente forte, que na guerra
Quereis levar a palma vencedora,
Já sois chegados, já tendes diante
A terra de riquezas abundante.

2
A vós, ó geração de Luso, digo,
Que tão pequena parte sois no inundo;
Não digo ainda no mundo, mas no amigo
Curral de quem governa o céu rotundo;
Vós, a quem não somente algum perigo
Estorva conquistar o povo imundo,
Mas nem cobiça, ou pouca obediência
Da Madre, que nos céus está em essência;

3
Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que à custa de vossas várias mortes
A lei da vida eterna dilatais:
Assim do céu deitadas são as sortes,
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade:
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!

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LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) - Os Lusíadas - Canto Sexto (1-99)

sábado, abril 14th, 2007

Luís Vaz de Camões

 

Os Lusíadas

Canto Sexto

1
Não sabia em que modo festejasse
O Rei Pagão os fortes navegantes,
Para que as amizades alcançasse
Do Rei Cristão, das gentes tão possantes;
Pesa-lhe que tão longe o aposentasse
Das Européias terras abundantes
A ventura, que não no fez vizinho
Donde Hércules ao mar abriu caminho.

2
Com jogos, danças e outras alegrias,
A segundo a polícia Melindana,
Com usadas e ledas pescarias,
Com que a Lageia António alegra e engana
Este famoso Rei, todos os dias,
Festeja a companhia Lusitana,
Com banquetes, manjares desusados,
Com frutas, aves, carnes e pescados.

3
Mas vendo o Capitão que se detinha
Já mais do que devia, e o fresco vento
O convida que parta e tome asinha
Os pilotos da terra e mantimento,
Não se quer mais deter, que ainda tinha
Muito para cortar do salso argento;
Já do Pagão benigno se despede,
Que a todos amizade longa pede.

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LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) - Os Lusíadas - Canto Quinto (1-100)

sábado, abril 14th, 2007

Luís Vaz de Camões

 

Os Lusíadas

Canto Quinto

1
“Estas sentenças tais o velho honrado
Vociferando estava, quando abrimos
As asas ao sereno e sossegado
Vento, e do porto amado nos partimos.
E, como é já no mar costume usado,
A vela desfraldando, o céu ferimos,
Dizendo: “Boa viagem”, logo o vento
Nos troncos fez o usado movimento.

2
“Entrava neste tempo o eterno lume
No animal Nemeio truculento,
E o mundo, que com tempo se consume,
Na sexta idade andava enfermo e lento:
Nela vê, como tinha por costume,
Cursos do sol quatorze vezes cento,
Com mais noventa e sete, em que corria,
Quando no mar a armada se estendia.

3
“Já a vista pouco e pouco se desterra
Daqueles pátrios montes que ficavam;
Ficava o caro Tejo, e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam.
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam;
E já depois que toda se escondeu,
Não vimos mais enfim que mar e céu.

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LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) - Os Lusíadas - Canto Quarto (1-104)

sábado, abril 14th, 2007

Luís Vaz de Camões

Os Lusíadas

Canto Quarto

1
“Depois de procelosa tempestade,
Noturna sombra e sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento;
Aparta o sol a negra escuridade,
Removendo o temor do pensamento:
Assim no Reino forte aconteceu,
Depois que o Rei Fernando faleceu.

2
“Porque, se muito os nossos desejaram
Quem os danos e ofensas vá vingando
Naqueles que tão bem se aproveitaram
Do descuido remisso de Fernando,
Depois de pouco tempo o alcançaram,
Joane, sempre ilustre, alevantando
Por Rei, como de Pedro único herdeiro,
(Ainda que bastardo) verdadeiro.

3
“Ser isto ordenação dos céus divina,
Por sinais muito claros se mostrou,
Quando em Évora a voz de uma menina,
Ante tempo falando o nomeou;
E como cousa enfim que o Céu destina,
No berço o corpo e a voz alevantou:
—”Portugal! Portugal!” alçando a mão
Disse “pelo Rei novo, Dom João.”—  (more…)

LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) - Os Lusíadas - Canto Terceiro (1-143)

sábado, abril 14th, 2007

Luís Vaz de Camões

 

Os Lusíadas

Canto Terceiro

1
Agora tu, Calíope, me ensina
O que contou ao Rei o ilustre Gama:
Inspira imortal canto e voz divina
Neste peito mortal, que tanto te ama.
Assim o claro inventor da Medicina,
De quem Orfeu pariste, ó linda Dama,
Nunca por Dafne, Clície ou Leucotoe,
Te negue o amor devido, como soe.

2
Põe tu, Ninfa, em efeito meu desejo,
Como merece a gente Lusitana;
Que veja e saiba o mundo que do Tejo
O licor de Aganipe corre e mana.
Deixa as flores de Pindo, que já vejo
Banhar-me Apolo na água soberana;
Senão direi que tens algum receio,
Que se escureça o teu querido Orfeio.

3
Prontos estavam todos escutando
O que o sublime Gama contaria,
Quando, depois de um pouco estar cuidando,
Alevantando o rosto, assim dizia:
“Mandas-me, ó Rei, que conte declarando
De minha gente a grão genealogia:
Não me mandas contar estranha história,
Mas mandas-me louvar dos meus a glória.

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LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) - Os Lusíadas - Canto Segundo (1-113)

sábado, abril 14th, 2007

Luís Vaz de Camões

 

Os Lusíadas

Canto Segundo

1
Já neste tempo o lúcido Planeta,
Que as horas vai do dia distinguindo,
Chegava à desejada e lenta meta,
A luz celeste às gentes encobrindo,
E da casa marítima secreta
Lhe estava o Deus Noturno a porta abrindo,
Quando as infidas gentes se chegaram
As naus, que pouco havia que ancoraram.

2
Dentre eles um, que traz encomendado
O mortífero engano, assim dizia:
“Capitão valeroso, que cortado
Tens de Neptuno o reino e salsa via,
O Rei que manda esta ilha, alvoroçado
Da vinda tua, tem tanta alegria,
Que não deseja mais que agasalhar-te,
Ver-te, e do necessário reformar-te.

3
“E porque está em extremo desejoso
De te ver, como cousa nomeada,
Te roga que, de nada receoso,
Entres a barra, tu com toda armada:
E porque do caminho trabalhoso
Trarás a gente débil e cansada,
Diz que na terra podes reformá-la,
Que a natureza obriga a desejá-la.

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LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) - Os Lusíadas - Canto Primeiro (1-106)

sábado, abril 14th, 2007

Luís Vaz de Camões

 

Os Lusíadas

Canto Primeiro

1
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

2
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

3
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

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QUEIROZ, josé maria EÇA DE (1845-1900) As Farpas: Chronica Mensal da Politica, das Letras e dos Costumes - Agosto/Setembro 1877

sábado, abril 14th, 2007

AS FARPAS

RAMALHO ORTIGÃO—EÇA DE QUEIROZ

CRONICA MENSAL DA POLITICA DAS LETRAS E DOS COSTUMES

NOVA SERIE TOMO X

Agosto a Setembro 1877

Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das sciencias, da admiração das grandes personagens, das mystificações da politica, do fanatismo dos reformadores, da superstição d’este grande universo, e da adoração de mim mesmo.

P.J. PROUDHON

SUMMARIO

Alexandre Herculano. O escriptor e o solitario de Valle de Lobos. A critica dos vivos e a critica dos mortos. A benevolencia e a justiça. A influencia que teve e a que podia ter o grande escriptor. A missão dos mestres O monumento da imprensa.—A recente viagem de suas magestades e altezas. No Bussaco, em Vidago, no Porto. Algumas notas aos annaes d’essa excursão.—Os attentados do sr. Barros e Cunha e a historia d’este personagem. O poeta lyrico, o deputado, o leitor do Times, o cortesão, o ministro. Diagnostico e prognostico.—Algumas producções musicaes: As cutiladas do Passeio Publico, polka; A Roma! a Roma! valsa.—Algumas palavras aos srs. advogados.—Os exames das meninas no Lyceu Nacional. Os fins da educação. Um programma de ensino para o sexo feminino. Como se prepara a emancipação da mulher. Duas catastrophes: o estado da litteratura feminina e o estado da cosinha nacional. Grito afflictivo do paiz: Menos odes e mais caldo.

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O quê se fala no mundo?

quarta-feira, abril 11th, 2007

FONTE: WIKIPÉDIA

Tava dando uma pesquisada na wikipédia sobre Ficção Científica e deparei com as traduções dessa frase em diversas línguas. Será objeto de outro post. A razão deste é que quero mostrar quais são as principais línguas do mundo e onde elas são faladas.

Tomara que vocês, meus incansáveis dois leitores, gostem:

 

(1)
Mandarim
Primeira Língua: 873 milhões
Segunda Língua: 178 milhões
Total: 1 bilhão e 51 milhões

 

(2)
Espanhol
Primeira Língua: 364 milhões
Total: 400 a 480 milhões

  • Verde forte : oficial
  • Verde fraco: não-oficial (ainda!) mas com muitos habitantes que a usam.

(3)
Inglês
Primeira Língua: 380 milhões
Segunda Língua: 600 milhões
Total: 980 milhões

  • Azul escuro: oficial
  • Azul claro: oficial-não oficial, mas não é a mais falada

 

 

(4)
Árabe
Total: 323 milhões

  • Verde: Oficial
  • Azul: Uma das línguas oficiais

(5)
Bengali
Nativos: 189 milhões
Total: 230 milhões

  • Verde: Oficial
  • Azul: Uma das línguas oficiais


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(6)
Hindi
Nativos: 337 milhões
Total: 790 milhões
Falantes: aproximadamente 948 milhões de pessoas se comunicam com o Hindi numa boa.

(INFELIZMENTE, AINDA NÃO ESTÁ PRONTO O MAPA)

(7)
Português
Oficial: 210 milhões
Total: 230 milhões

(8)
Russo
Oficial: 147 milhões
Segunda língua: 113 milhões
Considera-se como utilizando-a de modo regular, no total: 170 milhões

(9)
Japonês (Japão e Brasil - Brasil é a maior colônia japonesa fora do Japão - lógico!!!)
Oficial: 128 milhões
Segunda língua: 2 milhões

(10)
Alemão:
Primeira Língua: 101 milhões
(obs.: 95 milhões alemão “padrão”, 5 milhões “alemão suiço”, 60 milhões como segunda língua nos Eua - mas não é língua oficial lá, lembrem - e mais 5 até 20 milhões ao redor do mundo)
Segunda Língua: 21 milhões
Total: 122 milhões

  • Laranja escuro: Idioma nativo
  • Laranja claro: Idioma secundário mas não oficial.
  • Quadrado laranja: Minorias alemãs

 

(13)
Francês:
Primeira Língua: 113 milhões.
(obs 1.: 250 milhões como segunda linguagem, (ao redor do mundo incluindo África e Norte da África. Total: 350 milhões no total.)
(Obs 2.: aproximadamente 500 milhões de pessoas sabem falar francês)

Total: 175 a 300 milhões (ver obs. acima)

  • Azul Escuro: Língua materna
  • Azul: Língua administrativa
  • Azul Claro: Segunda língua ou língua não oficial
  • Quadrado verde: Minoria francofônica

 

História da Ficção Científica - Parte 3/3

quarta-feira, abril 11th, 2007

Dadas as suas possibilidades espetaculares, não é de estranhar que a Ficção Científica tivesse interessado os grandes produtores da rádio, da televisão e do cinema.

Em 1938, Orson Welles e o seu “Mercury Theatre” abalaram os Estados Unidos com um relato, palpitante, da invasão da Terra pelos marcianos criados por H.G. Wells em The War of the Worlds e adaptados à rádio por Howard Koch. A emissão provocou sérias arrelias à população de quatro estados americanos e, mais tarde, com o texto vertido para o espanhol, veio a ter proporções de cataclismo quando da sua transmissão por uma emissora sul-americana.


Guerra dos Mundos - H.G. Wells

O cinema se interessou logo pela Ficção Científica. As companhias especializadas em “seriais” não desperdiçaram as grandes fontes de cenas emocionantes que eram as aventuras de Buck Rogers, de Flash Gordon ou do Super Homem.


Flash Gordon Superman
Mas antes do cinema americano tornar a Ficção Científica mundialmente famosa. O diretor austríaco Fritz Lang produziu na Alemanha, o que hoje é considerado um dos Clássicos do Cinema Mundial: “Metrópolis”. Mas as duas correntes menores de Ficção Científica -a “Space Opera” e a profecia técnico-científica- alternaram-se nos anos 40 e 50 tornando-se responsáveis por muita colisão de mundos e por muitas invasões da Terra. Foi a época gloriosa de mutantes animalescos: louva-a-deus gigantes, toupeiras galácticas, formigas e tarântulas com elefantíase. Do céu chegavam discos voadores e robots encolerizados. Na terra pululavam os bicharocos radioativos. Esta onda, que ainda não acabou, foi responsável por muito subproduto. Podemos citar como exemplos os Clássicos Terror-Científico: “A Noiva do Monstro” e “Plano Nove do Espaço” de Ed Wood, considerado o pior filme de todos os tempos (hilariantes, imperdíveis!!)

A televisão também entrou cedo na Ficção Científica, principalmente pelos heróis dos cartoons e revistas. Em 1959, a CBS -decididamente dedicada a uma missão de pioneira- lançou a primeira história da The Twilight Zone, (”Além da Imaginação” no Brasil) imaginada por Rod Serling. A série, muito equilibrada, de boa qualidade literária e apurado nível técnico (infelizmente, era uma exceção), cedo se tornou um dos programas mais famosos da televisão mundial.


Além da Imaginação
Twilight Zone Logos (Original, em 1985 e 2002)

A Ficção Científica já tinha se firmado como ramo literário de excelente escritores e obras, mas o cinema e a televisão (com algumas exceções por exemplo temos “A Máquina do Tempo” de H. G. Wells e a “Viagem Fantástica” de Isaac Asimov nos anos 50 e 60) precisavam de alguns marcos de maiores proporções. Foi então que em 1964, Stanley Kubrick procurou o escritor Arthur C. Clarke para que os dois escrevessem um roteiro, como definiu Stanley, para “um bom filme de Ficção Científica”. Foi assim que nasceu um dos maiores filmes da história do cinema: “2001-A Space Odyssey” baseado num conto de Clarke de 1948: “A Sentinela”. O filme revolucionou a história do cinema, principalmente o ramo da Ficção Científica.


Jornada nas Estrelas
A partir daí, começaram aparecer ótimos filmes (década de 70) como o científico e paranóico “Enigma de Andrômeda” baseado no livro homônimo de Michael Crichton; o clássico “A Laranja Mecânica” do mesmo Stanley Kubrick, baseado no livro de Anthony Burghess; o inquietante “THX-1138″ de George Lucas; o polêmico “Hangar 18″ e o belíssimo “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” de Steven Spielberg. O aparecimento das séries de Irving Wallace na década de 60 e 70 povoaram as televisões mundiais com histórias ingênuas e deliciosamente divertidas. Quem não de lembra do “Túnel do Tempo”, “Terra de Gigantes”, “Elo Perdido” e do Dr. Smith de “Perdidos no Espaço”??

Mas o maior fenômeno dessa época na televisão foi a série “Jornada nas Estrelas” que deu origem à uma série de longa metragens na década de 80 e 90 e conta até hoje com uma legião de fãs alucinados. Ainda no final da década de 70 apareceram também alguns filmes que marcaram a história do Cinema, como o Ficção-Terror “Alien, o 8º passageiro” de Ridley Scott (que teria outras continuações nas décadas seguintes), o gótico e ao mesmo tempo infantil “O Buraco Negro” e o primeiro filme da série “Guerra nas Estrelas” de George Lucas que geraram uma reviravolta no mercado do cinema mundial e nos chamados “efeito especiais”, utilizando o pessoal da produção de 2001, até então esempregados. “Guerra nas Estrelas” também possui uma falange de fãs até hoje).


Guerra Nas Estrelas - De George Lucas

Os anos 80 começaram com um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos: “ET” de Steven Spielberg. Apesar de ser um tanto “piegas”, é sem dúvida nenhuma, um ícone do cinema mundial (alguém ainda não viu o filme?). Os outros dois filmes da série “Guerra nas Estrelas” (”O Império Contra-ataca” e “O Retorno de Jedi”), os filmes de “Jornadas nas Estrelas” e os filmes da série “De volta para o Futuro” de Robert Zemecks (afilhado de Steven Spielberg) também ajudaram a bater recordes de bilheterias em todo o mundo. Mas não foi só de filmes puramente comerciais que a Ficção Científica marcou a década de 80; filmes clássicos como “2010 - O ano em que faremos contato” de Peter Hyams baseado na continuação de 2001; “Duna” de David Lynch (infelizmente o filme foi completamente “cortado”, deixando-o um pouco confuso para que não conhece o livro de Frank Herbert); “O Segredo do Abismo” de James Cameron e Orson Scott Card e o célebre “Blade Runner” de Ridley Scott, baseado no livro de Phillip K. Dick dignificaram o gênero muito mais com suas histórias e teorias do que apenas suas cifras milionárias.

Nos últimos anos, temos notado um reaparecimento da Ficção Científica em seriados de TV, coisa que ficou um pouco distante durante os anos 80. Algumas séries novas apareceram como “Babylon 5″ ou “Star Trek: Deep Space Nive”; mas foi a série “Arquivos-X” (The X-Files) que detonou uma febre entre os adolescentes e antigos fãs de séries de Ficção, alcançando uma popularidade comparável à antiga série “Jornadas nas Estrelas”. Uma onda de relatos de “OVNIs” e “Intrigas Governamentais” varreram o Mundo usando o tema principal da série.
A jargão: “Os alienígenas estão entre nós” (agora com uma variante”: “a verdade está lá fora”), criado durante os tortuosos anos 40 e 50 voltou com força total com todo tipo de relato e denúncias vinda de todos os cantos do Mundo.

Alguns filmes também marcaram o cinema já no começo dos anos 90. O megasucesso “Jurassic Park” de Steven Spielberg (ele de novo) baseado no livro de Michael Crichton bateu todos os recordes do verão americano. Mas alguns novos filmes de “Jornadas nas Estrelas” (agora com a “Nova Geração”) e outros como o comercial “ID4″ e “Godzilla” serão facilmente esquecidos. Mas outros filmes de maior teor literário e filosófico e artístico também apareceram, como é o caso do belíssimo “Contato” de Robert Zemeckis (baseado no livro homônimo de Carl Sagan); o inquietante “Os 12 macacos” de Terry Gillian, o ótimo Ficção-Terror “Enigma do Horizonte” e o preocupante e próximo “Gattaca”.

É notório que hoje, a Ficção Científica fez parte da vida de qualquer pessoa que leu, ouviu ou assistiu alguma coisa durante esse século. Pode-se pensar que todo que poderia se inventado já se inventou, e que o assunto sobre science fiction estaria esgotado. Além de ser um pensamento extremamente obtuso, a Ficção Científica continuará a atrair correligionários ávidos de imaginação e a entusiasmar literatos, desempoeirados e talentosos que, usando da liberdade sem fronteira que ela concede, burilarão novas obras-primas em materiais desconhecidos que irão arrancar a alguma mina de Vega ou conseguirão salvar no cataclismo do Fim do Mundo.


1984 - George Orwell
A partir de seu cunho de mero entretenimento, a Ficção Científica oferece, portanto, também vastos tópicos de meditação sobre os benefícios e os perigos de um ilimitado progresso científico ( vide “3001- A Odisséia Final”, de Arthur C. Clarke). O homem culto atual já não ignora e, se pode não chegar a ser seu admirador, ao menos respeita-a pelo que de inegavelmente útil ela tem trazido à humanidade, preparando-a psicológicamente para o melhor e o pior.

Mantenhamos, porém, sempre a esperança de que as desvantagens excessivas -e irremediáveis- resultantes do evoluir da Ciência nunca ultrapassem o domínio da simples Ficção. Até mesmo Albert Einstein, em um momento de pessimismo ao futuro da ciência, disse que “A nossa Tecnologia irá por superar a nossa humanidade”. Mas não podemos nos renegar ao conhecimento e ao avanço ao “desconhecido”, seja com a ciência ou nos recorrendo à “deuses de lacunas”. Como disse em seu livro “Cosmos”, Carl Sagan sentencia: “TEMOS SIDO SEMPRE VIAJANTES”.

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