Laika (Лайка) no Espaço - II - Final
sexta-feira, abril 11th, 2008Os americanos nunca enviaram um cão ao espaço porque eles são o melhor amigo do homem. Os russos o fizeram pelo mesmo motivo.”

(Laika a bordo do Sputnik 2 em imagem enviada pelo sistema de TV do satélite)

(Esta foto foi tirada por um astrônomo amador. Ela é exepcional por nada dizer. Apenas exibe de forma singela os últimos quinze segundos de existência do Sputinik 2 e sua passageira, morta há meses - Fonte: Spacenews.geoman.net - França)
NOS DIAS SEGUINTES AO LANÇAMENTO foi notado um aumento significativo na temperatura do compartimento biológico. O sistema de controle térmico apresentava sinais de ineficiência e por causa disso Laika sofreu condições extremamente desconfortáveis.
As altas temperaturas no interior da cápsula foram uma constante durante o vôo, e Laika acabou morrendo no dia 7 de novembro de 1957.
Análises posteriores confirmaram que Laika morrera devido ao excessivo aquecimento do seu contentor.
A ogiva protetora do satélite não se separou como deveria, por isso o mau funcionamento do sistema de controle térmico.
Numa entrevista recente, Dimitri Malashenkov, um dos cientistas envolvidos no projeto Sputnik 2, desabafou que era praticamente impossível construir um sistema confiável no prazo estabelecido.
A descoberta de Laika
UM ASPECTO IMPRESSIONANTE do vôo do Sputnik 2 foi a detecção de cinturões de radiação em torno do nosso planeta, mais tarde batizados como “Cinturões de Van Allen”.
A constatação veio apenas após 1 de fevereiro de 1958, através do satélite americano Explorer 1, o que deu aos Estados Unidos uma das primeiras grandes descobertas da história da Astronáutica.

(Selos comemorativos da Polônia, 1964 (à direita), Romênia, 1957 (acima), Albania e Mongólia (1982). Laika ainda recebe homenagens pelo mundo todo)
Na verdade os cientistas soviéticos não souberam interpretar a informação que tinham obtido em primeira mão!
Sem regresso
O SATÉLITE 2 PERMANECEU EM ÓRBITA DA TERRA por mais alguns meses, reentrando na atmosfera terrestre no dia 14 de abril de 1958, após 2.570 voltas em torno da Terra. Na volta, a cápsula ardeu até transformar em cinzas o já sofrido corpinho de Laika.
Uma leva de protestos por parte de associações de proteção aos animais alegou que o vôo da cadelinha era desnecessário, cruel e desumano. O vôo do Sputnik 2 com sua inocente passageira foi um exemplo de como a corrida espacial esteve movida pela política da Guerra Fria.
Em julho de 1998 Oleg Gazenko confessou estar profundamente arrependido de ter enviado Laika numa missão sem regresso: “Houve uma hipótese de lançar Laika – e lançamos! Faltou-nos uma análise consciente do que estávamos fazendo”, desabafou.
Curiosidades
• O Sputnik 2, com a cadelinha Laika, foi lançado na madrugada de 3/nov/1957
(23h30min de 2 de novembro no Brasil) no Cosmódromo de Baikonur, Rússia.
• O satélite reentrou na atmosfera sobre as Ilhas Antilhas, em 14 de abril do
ano seguinte, após 163 dias em órbita.
• Laika é uma palavra russa para “latido”. O animal era uma fêmea vira-lata, sem
dono, e encontrada nas ruas de Moscou pesando aproximadamente 6 kg.
• Também a chamavam Kurdrajevskaya, entre outros nomes. O mais comumente
aceito é que seu nome original era Kudryavka (Ondinha), sendo o animal rebatizado
como ‘Laika’, em honra a sua raça.
• Oficiais russos afirmaram na época que Laika teria morrido após cerca de 10 dias
em órbita, através de uma injeção letal.
• Mas em 2002, Dimitri Malashenkov revelou no The World Space Congress (realizado
em Houston, Texas), que Laika morreu numa situação de calor e pânico, entre cinco
e sete horas após o lançamento, quando seus sinais vitais foram interrompidos.
• Os sinais vitais da cadelinha foram transmitidos na freqüência de 40,002 MHz
e alguns radioamadores conseguiram captá-lo.
• Embora Laika não tenha sobrevivido, sua viagem trouxe os primeiros dados sobre
como um ser vivo reage no ambiente de microgravidade em órbita da Terra, e
abriu caminho para os vôos espaciais tripulados por humanos.
• A história de Laika emociona até hoje. Centenas de milhares de cães por todo o
mundo recebem o nome da cadelinha – que se tornou tão popular que muitas
pessoas nem mesmo sabem porque estão chamando seus cães assim.























