Mar Vermelho
terça-feira, maio 6th, 2008Nem Moisés conseguiria abrir esse Mar Vermelho. Colorados de todas as idades, cores, estilos de cabelo, destros ou canhotos, todos estavam representados lá. Lado a lado, petistas e democratas, socialistas e neo-liberais (existe isso ainda?). Tu vê colorados idosos, de muleta, acompanhados de filhos e netos, quiçá bisnetos. Tu vê pais acompanhados de filhas. Acho que o sonho de muitos homens é ter filhos que os acompanhem nos estádios, que tenham a mesma paixão pelo mesmo clube que os seus. Mas é muito comum ver pais com filhas muito, muito femininas, gatas de parar o trânsito, gritando barbaridades para o juiz, bandeirinha, jogadores ou até mesmo para a torcida adversária.
O amor pelo time do coração supera barreiras. Pode chover, pode nevar, não importa. O futebol possui essa magia que nenhum esporte no Brasil possui. O volêi é um esporte que cresceu muito e tornou-se multi-campeão, mas aposto que se ele passar alguns anos sem vitórias, ou se acontecer, no vôlei, o mesmo que aconteceu com a Fórmula 1, por exemplo, onde pilotos como Fittipaldi, Piquet e Senha nos enchiam de orgulho e depois passamos a ver Massas e Rubinhos, ele perderá popularidade. O futebol não.
A Seleção Brasileira havia ganho um mundial em 1970, o Tri-campeonato, e voltou a ganhar em 1994. 24 anos, um quarto de século longo para o país onde o futebol é considerado quase uma religião oficial. Mas aqueles apaixonados pela Seleção jamais deixaram de amá-la. O Internacional era um dos maiores times do mundo - e um dos melhores de todos os tempos - nos gloriosos anos 70 (sem esquecer o Rolo Compressor, mas isso fica pra outra hora…), mas só veio a ganhar um time relevante em 1992, Copa do Brasil e depois no grande ressurgimento, em 2006, com a Libertadores e depois o sonhado Mundial Interclubes Fifa. De 1979 a 2006, 27 anos e um título importante no meio, uma Copa do Brasil. Mas, mesmo durante esse período, os colorados jamais deixaram de acreditar.
E hoje estamos aí. O Inter “pega” amanhã o Sport - 07/05/2008 - e pode não seguir adiante. Mas, tudo bem. Não se ganha todas. A Seleção Brasileira, considerada dentre todos os esportes como aquela sempre considerada quase imbátivel, não ganha sempre. O Importante é a Raça, a Indignação, a Superação. Ver jogadores como Guinazu passando por uma Astroscopia e 14 dias depois jogando como se aquela partida, como se o fato de correr o dobro que os demais, fosse não uma obrigação, mas um dever perante à camiseta, à torcida, é emocionante. Jogadores como Fernandão, que foi até contestado, cronistas e torcedores já pediam a sua cabeça, o criticavam por ter entregue um gol para o Juventude na primeira partida em Caxias do Sul na final do Gauchão e depois ver ele não dar a volta por cima, já que ele não se abateu, mas confiar em si, nos companheiros, com total cumplicidade e confianca da Diretoria e do Treinador, liderar a equipe em uma vitória esmagadora, arrasadora, inesquecível!
Não existem clubes imortais, mas, sim, partidas imortais, que jamais vão sair de nossas mentes. Fico muito feliz em ter a oportunidade de presenciar esse momento glorioso do Colorado. Essa massa vermelha que sai às ruas de Porto Alegre vestindo o manto sagrado vermelho, como um símbolo, um ícone que representa, sem dúvida, que somos os seguidores fiéis, sem fanatismo, apenas com muito orgulho e honra…














