Wow! - 15 de Agosto de 1977 - O dia em que “eles” fizeram contato
Em 15 de Agosto de 1977, ocorreu o evento conhecimo como “WOW!”. Que também ficou conhecido pelo código “6EQUJ5″. Foi, nada mais, nada menos, o primeiro contato extraterrestre dos tempos modernos, ou quase isso (noves fora inscrições rupestres com figuras usando roupas estranhas, lembrando astronautas, como eles não deixaram nada escrito, babau, apenas especulações). Este evento ficou conhecido como “sinal uau”, do inglês “wow”. Apesar de nunca ter sido dada nenhuma explicação razoável para o fenômeno, infelizmente não podemos dizer que realmente tivemos um contato extraterrestre. Vamos aos fatos.
Em agosto de 1977, o Dr. Jerry Ehman participava de um projeto de busca de sinais de origem extraterrestre, um pré-Seti (procura por inteligência extraterrestre, em inglês, “Search for Extra-Terrestrial Intelligence”). Ehman estava usando o radiotelescópio Big Ear (orelhão) da Universidade de Ohio.
Esse radiotelescópio é fixo no chão, de modo que não há como apontá-lo para uma posição específica no céu. Uma parede reflete todo e qualquer “sinal” que vem de cima, do céu, em uma superfície parabólica. Essa superfície foca o sinal em dois detectores, chamadas de “cornetas” (veja foto abaixo). Como todo o aparato é fixo, as cornetas apenas recebem o sinal daquilo que passa no céu naquele instante, e aí um computador registra tudo. Como o volume de informações é gigantesco, todo sinal detectado pela antena era codificado em uma seqüência alfanumérica de 6 caracteres (na época, em 1977), que resumia as suas principais características. A idéia era detectar algo suspeito e depois partir para observações mais precisas em outros telescópios. O Big Ear, em suma, era um grande lixeiro, pegava tudo o que vinha pela frente, e o computador selecionava o que poderia ser mais interessante.
No dia 19 de agosto de 1977, o Dr. Ehman estava checando as inúmeras folhas impressas pelo computador para ver o que tinha acontecido nos dias anteriores. O volume de dados era gigantesco, de modo que não dava para fazer tudo simultaneamente. Olhando uma das folhas impressas ele notou o seguinte código: “6EQUJ5″ no canal 2 do telescópio. Isso significava que um forte sinal em rádio, com uma banda em freqüência bem estreita vinda de uma região bem pequena do céu (vista na foto que abre esse post), havia sido detectado. Impressionado com isso, Ehman circulou o código e escreveu “Wow!” (precisa traduzir?) em vermelho. Ele continuou a análise dos dados dos outros dias, especialmente procurando por uma repetição do sinal, já que a mesma região do céu era observada a cada dia. Mesmo não tendo encontrado uma repetição do sinal, Ehman comunicou a descoberta aos seus colegas John Kraus e Bob Dixon, que passaram a chamá-lo de “sinal Uau!”. (Veja abaixo a anotação original do pesquisador.)
O sinal foi detectado às 23:16 da noite de 15 de agosto na freqüência de 1420.4556 MHz, o que corresponde à famosa linha de 21 cm do hidrogênio, vindo da direção da constelação de Sagitário.
Esse sinal passa por todos os testes para classificá-lo como vindo de uma civilização extraterrestre tentando contato com alguém. Ele era intenso, vinha de uma fonte de pequenas dimensões do céu, tinha uma banda bem estreita e estava na freqüência da linha de 21 cm do hidrogênio, que é a linha sugerida para se procurar por sinais assim.
O hidrogênio é o elemento mais abundante do Universo; se alguém deseja estudar o material mais abundante do Universo, vai ficar observando essa linha. Então, se você quiser que alguém detecte um sinal seu, é melhor escolher uma freqüência em que você sabe que vai ter alguém escutando. A escolha mais natural é a linha de 21 cm do hidrogênio (Essa idéia semelhante foi utilizada na famosa placa de ouro colocada à bordo da Voyager, com inscrições do Sistema Solar, o planeta Terra como a origem do artefato - a Voyager - um homem e uma mulher lado a lado com suas diferenças e fazendo o sinal da paz e uma notação codificada para o elemento Hidrogênio, entre outras coisas.
Então por que ninguém admite que temos um sinal de vida inteligente fora da Terra desde 1977? Por que esse sinal falha em um único ponto, justamente o mais crítico: ele não se repetiu. Ehman, Kraus e Dixon procuraram uma repetição do sinal por meses a fio usando o mesmo Big Ear e não encontraram nada.
Anos mais tarde, os radioastrônomos Robert Gray e Kevin Marvel decidiram procurar esse sinal. Eles nunca ficaram convencidos que se tratava de um sinal espúrio, provocado por ruído. De fato, o próprio método utilizado para observação deixa poucas dúvidas sobre a origem celeste do sinal. Como o Big Ear é estático e as fontes é que correm por sobre suas “cornetas”, um sinal celeste qualquer (produzido naturalmente ou artificialmente - sinal de vida inteligente) tem um padrão de intensidade quando detectado. Ele deve crescer do zero até atingir um máximo e depois cair a zero novamente, seguindo um perfil bem específico. Isso aconteceu com o sinal “Wow!” e durou exatamente 72 segundos, o tempo em que a fonte no céu leva para percorrer o campo de detecção de uma das cornetas (chamado de feixe). Esse fato descarta um sinal de interferência vindo da Terra, ou mesmo de algum satélite em órbita baixa.
Em 1995 e 1996 Gray e Marvel usaram o radiotelescópio VLA, um conjunto de 27 antenas com 25 metros de diâmetro cada, o que dá uma sensibilidade 100 vezes melhor que a do Big Ear. Eles varreram uma área no céu correspondente às coordenadas do sinal original, inclusive com uma grande margem de erro.
Observando em uma banda mais larga que em 1977, foram encontradas duas fontes de rádio com características normais para uma fonte extragaláctica, mas principalmente nada de variações de brilho. Partiram então para uma procura por fontes em banda estreita, tal como foi a detecção original, e nesse caso foi ainda pior: nada de fontes. Conclusão, nenhuma fonte com emissão com duração entre 5 e 20 minutos foi encontrada.
Então não há nada que comprove esse sinal, certo? E se a fonte emitisse periodicamente em um ciclo de várias horas, como se fosse um farol de navegação?
Bom, lá foi Robert Gray para o radiotelescópio da Universidade da Tasmânia investigar essa possibilidade. Entre março e outubro de 1997, ele e Simon Ellingsen examinaram a direção do sinal “Wow!” por 10 noites, sempre em sessões de no mínimo 14 horas contínuas.
Os resultados foram decepcionantes de novo, nada foi detectado. Na pior das hipóteses, durante uma única sessão de 14h, haveria 30% de probabilidade de se detectar um sinal de 48h de período, ou seja, se o sinal levasse dois dias inteiros para se repetir. Com três dessas sessões, a probabilidade salta para 80%. Sinais com períodos menores teriam ainda mais chances de ser detectados. Para um sinal periódico não ser detectado por essa metodologia, ele teria de ter um período de vários dias. É possível?
Sim, mas nesse caso é de se pensar na imensa sorte de alguém ter detectado um sinal que se repete somente depois de mais de três meses, já que durante esse tempo a região foi monitorada dia após dia.
Então, o que teria causado esse sinal? Uns 20 anos depois, o próprio Ehman listou as possibilidades. Dentre elas, planetas e asteróides podem ser excluídos, bastando olhar suas posições. Uma transmissão de satélite também é improvável, pois a freqüência de 1420 MHz é protegida. Existe um acordo mundial para que essa freqüência nunca seja usada por ninguém, pois ela é muito importante para a astronomia. Mas e se alguém ali por perto do radiotelescópio resolvesse mandar uma mensagem ao espaço justo naquela hora? Também parece improvável, pois o sinal teria de ser apontado direto para que o Big Ear o detectasse. Além do mais, o sinal se comportou exatamente como o esperado para uma fonte astronômica, o que também exclui um sinal de rádio vindo de um avião.
E se esse sinal tivesse sido transmitido da Terra e tivesse sofrido uma reflexão no lixo espacial em órbita da Terra? Nesse caso, teria de ser um pedaço de metal. Até aí tudo bem, mas ele teria de estar em uma órbita muito alta, e pior, não poderia ter rotação alguma. Essas duas características, especialmente a última, são bem improváveis de acontecer com um pedaço de lixo espacial. Um efeito produzido por lente gravitacional duraria mais tempo, e a cintilação interestelar (um tipo de cintilação parecido com aquela que vemos no céu) só corrobora a idéia de que o sinal tem origem no espaço distante.
Depois de listar todas essas possibilidades Ehman admite que ele só consegue imaginar um sinal emitido por alguma civilização inteligente. Mas por que não admitir isso? Nas palavras dele: “Porque eu sou um cientista, e como tal eu sei que essa hipótese só seria aceitável se eu e outros colegas também detectássemos esse sinal mais vezes”. Carl Sagan e Richard Dawkins corroboram essa frase. Somente a repetição caracteriza algo como ciência. Isto é, a replicação de uma experiência precisa ser repetida outras vezes para ser considerada válida.
Em um dos seus últimos livros, Carl Sagan também fala desse sinal, e ele admite que nunca houve um evento que se aproximasse tanto de um sinal de vida inteligente extraterrena. Mas ele também diz que, de acordo com o método científico, não poderia admitir isso até que o sinal se repetisse e mais pessoas pudessem detectá-lo. Depois de conjeturar e eliminar as possibilidades acima, Sagan sugere que tenha sido algum satélite espião que tenha usado a freqüência protegida do hidrogênio para transmitir alguma informação. Usando essa freqüência, o sinal poderia ser confundido com emissão
do hidrogênio. Essa violação do acordo é bem possível, afinal de contas os procedimentos de espionagem não são divulgados por aí, nem mesmo os detalhes das órbitas dos satélites espiões são conhecidos.
Então, ficamos com isso, até o momento, é o mais próximo de um sinal de inteligência extraterrestre que já recebemos dos céus. Talvez um sinal de despedida de alguma civilização, já extinta, ou o aviso que eles estão vindo para nos ajudar. Dá para imaginar qualquer coisa!

















